Lula discursa, critica 'banda podre' do MP e chama Bolsonaro de mentiroso

brasil
08.11.2019, 18:13:00
Atualizado: 08.11.2019, 19:16:45
(HENRY MILLEO / AFP)

Lula discursa, critica 'banda podre' do MP e chama Bolsonaro de mentiroso

Ele afirmou ainda que país piorou sob governo Bolsonaro e prometeu girar pelo país

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O ex-presidente Lula discursou ao deixar a prisão nesta sexta-feira (8) em frente à sede da Polícia Federal de Curitiba. Ele falou aos militantes que faziam vigília no local - um acampamento foi montado nas proximidades desde que o petista foi preso, há 1 ano e 7 meses.

Em sua fala, Lula criticou o que chamou de "banda podre" do Ministério Público e afirmou que deixa a cadeia "sem ódio". Prometeu ainda que vai correr o país e criticou o governo de Jair Bolsonaro, afirmando que a situação do Brasil piorou sob o novo presidente.

"O lado podre da justiça, o lado podre do Ministério Público, o lado podre da Polícia Federal e o lado podre da Receita Federal trabalharam para tentar criminalizar a esquerda, criminalizar o PT, criminalizar o Lula", disse.

Ele agradeceu militantes pelo apoio durante sua prisão, destacando também nomes como o de Fernando Haddad, candidato do PT derrotado na corrida presidencial, e Gleisi Hoffmann, que estavam ao seu lado. O ex-presidente ainda apresentou sua nova namorada, Rosângela, com quem trocou um beijo após insistência dos presentes.

"Vocês eram o alimento da democracia que eu precisava para resistir à safadeza e à canalhice que um lado podre do estado brasileiro fez comigo e com a sociedade brasileira", afirmou Lula aos militantes presentes.

Ele afirmou que sairá de Curitiba para São Paulo, mas está pronto para visitar outros estados. "As portas do Brasil estarão abertas para eu percorrer este país", disse o petista, que criticou a situação do desemprego do país, o que chamou de "desmonte" da educação no país e ainda classificou o presidente de "mentiroso" que age nas redes sociais.

Lula afirmou que sai sem raiva da cadeia. "Eu saio daqui sem ódio. Aos 74 anos meu coração só tem espaço para amor porque é o amor que vai vencer neste país", afirmou, sendo aplaudido.

Lula beija namorada(Foto: Reprodução)

Liberação
Lula saiu da sede da PF às 17h42 - pouco mais de uma hora depois da expedição do alvará de soltura. Uma multidão de manifestantes saudou o ex-presidente empunhando bandeiras do PT gritando palavras de ordem.

A ordem de soltura do petista foi dada pelo juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, menos de 24 horas depois de o Supremo Tribunal Federal declarar inconstitucional a prisão após condenação em segunda instância - caso de Lula.

Lula foi condenado no caso triplex pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro de Justiça e Segurança Pública, que lhe impôs nove anos e seis meses de reclusão. A pena foi aumenta para 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o Tribunal da Lava Jato. Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a sanção para 8 anos, dez meses e vinte dias de reclusão.

O petista cumpria pena desde a noite de sete de abril de 2018 em uma cela especial dentro da Superintendência da Polícia Federal na capital paranaense. O ex-presidente é acusado de receber propinas da empreiteira OAS em troca de contratos da Petrobras.

O repasse teria sido materializado em obras de melhorias e ampliação de um triplex no edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista, e também por meio do armazenamento de bens que o ex-presidente recebeu durante seus dois mandatos no Planalto, entre 2002 a 2009.

Lula sempre negou o recebimento de vantagens indevidas. Ele é réu em outras ações penais, como no caso do sítio de Atibaia, no interior paulista, pelo qual foi condenado a doze anos e onze meses de reclusão pela juíza Gabriela Hardt em fevereiro deste ano. O caso será julgado no próximo dia 27 pelo TRF-4, que analisará se a sentença será anulada e o processo remetido de volta às alegações finais.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas