Mais valor agregado à experiência: Peter Kronstrom fala sobre tendências futuras

agenda bahia
28.09.2019, 06:00:00
Atualizado: 30.09.2019, 21:46:31
Kronstrom ministra a palestra 'Tudo muda o tempo todo', a partir das 9h. Evento acontece no Senai Cimatec, em Piatã (Foto: Fernando Ferraz Gonçalves/ Divulgação)

Mais valor agregado à experiência: Peter Kronstrom fala sobre tendências futuras

Fundador do Future Lounge e diretor do Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America abre a 10ª edição do Fórum Agenda Bahia. Inscrições são gratuitas

Se alguém ainda acha que a realidade aumentada vai acabar com experiência física ou as máquinas vão tomar todos os empregos é melhor rever o que é tendência para o futuro em meio a toda esta revolução tecnológica. Segundo o fundador do Future Lounge e diretor do Copenhagen Institute for Futures Studies Latin America, Peter Kronstrom estas mudanças não significam o ‘fim dos tempos’, mas sim, o enriquecimento da realidade física: 

“É muito importante que cada vez mais pessoas entendam o valor agregado que estas novas tecnologias trazem e consigam analisar onde aplicá-las e que ferramentas e investimentos são necessários”, destaca Kronstrom, que abre no dia 3 de outubro, a partir das 9h, a 10ª edição do Fórum Agenda Bahia com a palestra ‘Tudo muda o tempo todo’, onde vai pontuar o que toda esta revolução reserva em um futuro não tão distante assim. 

“A realidade aumentada é fortemente conectada com a realidade física. Tem o potencial de entregar ainda mais valor ao nosso mundo físico.  Na verdade, o comportamento humano é que mais impacta o nosso futuro e como a gente enfrenta as oportunidades trazidas pela tecnologia”, completa.

As inscrições para o Agenda Bahia estão abertas e podem ser feitas no site oferta.correio24horas.com.br/agenda-bahia10anos. Veja mais detalhes da entrevista a seguir e confira também a programação completa do evento.  

O Fórum Agenda Bahia 2019 é uma realização do CORREIO, com patrocínio da Sotero Ambiental, apoio institucional da Prefeitura de Salvador, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia e apoio da Braskem e DD Education.


As transformações tecnológicas ocorrem  e as adaptações são necessárias. Como você avalia esse cenário?

O desenvolvimento tecnológico é uma força que está mudando nossa sociedade desde as primeiras ferramentas - o fogo, a roda - e segue atuando. Eu sempre digo que existe a possibilidade de substituir até 50% a 60% de trabalhos que são feitos hoje. Por que não são substituídos? Nossa análise sempre indica que as coisas demoram. Sempre há uma fase de adaptação. Muita gente tem tido receio de que não haja trabalho para o ser humano no futuro. Muito pelo contrário: quanto mais máquina a gente aplica, mas trabalho a gente costuma fazer. Claro que a natureza do trabalho muda. Nossa avaliação do cenário atual é que o ser humano é muito bom em se ‘auto-ferrar’. Então, se já existe a possibilidade para não trabalhar tanto, ainda assim a gente continua a trabalhar tanto e com mais estresse. Mas, se fazemos mudanças boas, continuamos a trabalhar menos e ter mais tempo para mais lazer.

Claro que temos uma angústia e provavelmente vai haver desempregados estruturais por causa de falta de talentos e capacidade para o novo mercado de trabalho. Porém, teremos adaptações sempre e precisamos colocar na pauta de nossos governantes e de nossa sociedade o tema para fazer essa atualização da força de mão de obra acontecer. 

Como você enxerga as aplicações da realidade aumentada  e em que setores ela já se faz presente? 

Em quase todos os setores estão sendo usadas experiências em realidade aumentada. Para entender melhor como podemos usar a realidade aumentada precisamos compreender o conceito de BIM (Building of Information Management). Então, a realidade aumentada ajuda, principalmente, na organização de informação.

Agrega muito mais conteúdo: você pode colocar um óculos e entrar em um prédio cru e visualizar como vai ficar todas as instalações do prédio. Só a fantasia coloca os limites onde nós podemos aplicar a realidade aumentada. 

Quais os caminhos para incorporar a realidade aumentada e se apropriar destas tecnologias? 

Há várias startups que trabalham com estas ferramentas, mas para ficar na frente existem duas áreas que é necessário centrar esforços:  A primeira é a educação. Educação nas  universidades, educação prática que ensine estas tecnologias para as crianças e mostre como pode ser trabalho. A segunda é o investimento em tecnologia: criar terra fértil e permitir que estas ideias possam crescer. 

A realidade aumentada vai acabar com a experiência física? 

A gente não vê isso como uma ameaça. Claro, a tecnologia tem um papel enorme nessas mudanças, em facilitar novas maneiras e jeitos de fazer as coisas.

Mas muito mais importante que qualquer tecnologia é o comportamento humano e como qualquer cidadão e humano se comporta a frente destas mudanças. 

As fronteiras entre o que é humano, tecnológico, biológico estão cada vez mais tênues. Como você caracteriza esta 
revolução?

Existem tecnologias e aplicações que já estão acontecendo. Temos vários esqueletos, principalmente, na saúde que ajudam pessoas que foram paralisadas caminhar de novo. Temos um ponto de vista otimista de que as tecnologias elas ajudam a potencializar o poder humano.

O que precisamos é educar as pessoas para que elas entendam que a tecnologia está a favor e não deixar que ocorra o contrário. 

Que experiências já estão revolucionando e mexendo com a sociedade como um todo? 

Uma delas, por exemplo, é um novo nicho cada vez menos vinculado a bens tangíveis e mais vinculado a bens intangíveis. Chamo essa tendência de liberdade de ser dono.  Hoje é muito mais importante ao invés de ser dono de um monte de produtos, casas e carros é se conectar a aplicativos que dá acesso a moradia, transporte, experiências.

A gente fala que experiências já tomou o lugar de ter produtos. Daqui para frente são elas que vão fazer transformações que facilitam a vida do cidadão. 

Qual o poder que a tecnologia e a inovação tem para engajar e provocar transformações que melhorem a vida nas cidades e das 
pessoas? 

A inovação e a tecnologia são as vias para chegar a um novo futuro melhor muito mais rápido. O agora está dentro do nosso alcance.  Todos nós temos na palma de nossas mãos a responsabilidade e a oportunidade de puxar para o futuro que a gente quer. 

Na sua opinião, o que é ainda é desafio para popularizar a realidade aumentada e também a inteligência artificial? 

Atualmente o Brasil investe 1,2% do PIB do país em inovação. Se o Brasil quer estar na mesma linha que outros países da Europa, Estados Unidos e  Japão precisa duplicar esse número e chegar mais perto  a 2,5%, 3% e 4% do PIB. 

Quanto tempo leva para  que uma tendência que nasce no centro - na Europa, EUA, Japão - chegue no Brasil? Como o país pode se adaptar? 

Talvez, há 10 anos a gente pudesse falar claramente de tendências que chegaram do Japão e dos Estados Unidos e isso foi divulgado para o resto do mundo. Hoje, tudo acontece de maneira muito mais descentralizada. A chegada da China e da Ásia está fazendo a ruptura desse mundo  polarizado e com isso as tendências estão chegando de todos os lados. E o Brasil também está produzindo tendências para o novo mercado. A rede 3G chegou ao Brasil com a demora de três ou quatro anos. O 4G veio em menos de um ano.

Agora vemos que aplicação do 5G pode demorar mais um pouco, mas esse ‘gapping’ quando uma nova tendência surge em outro lugar do mundo e chega ao Brasil está cada vez menor e dada a globalização e um mundo cada vez mais conectado, esta é uma vantagem enorme. 

É possível que uma tendência de inovação surja em um país como o Brasil, que está na periferia do capitalismo? O que o Brasil precisa fazer para também criar tendências e não só absorvê-las?

O novo mundo não tem a mesma rigidez do mundo antigo. Essas inovações podem tanto surgir na periferia de São Paulo, como também em Tóquio. E o ‘jeitinho’, que muita gente vê como gambiarra, a gente vê como um comportamento inovador que contra as barreiras, o que parece que não vai dar certo, no final sempre vai dar certo. A criatividade do brasileiro é muito grande. Com o foco e investimento em inovação em educação essa criatividade brasileira pode ser ainda mais potencializada.

A nossa lição é que nunca antes na história, nunca antes nos tempos que estamos vivendo agora, o Brasil nunca foi tão viável em trazer tendências para o mundo como é hoje. Então, corre atrás. O Brasil precisa ter autoconfiança de que temos aqui algo mundo relevante para trazer para o mundo. 



SEMINÁRIO [A.R] EVOLUÇÃO - 03 de outubro

MANHà
ARENA DO CONHECIMENTO

08h00 às 9h00   – Credenciamento

09h00 às 09h30   – Palestra “Tudo muda o tempo todo”, com Peter Kronstrom, head para América Latina do Copenhagen Institute for Future 
Studies e fundador do Future Lounge

09h30 às 10h00  – Bate-papo com Peter 
Kronstrom moderado por Flavia Oliveira, colunista do jornal O Globo e da Globonews

10h00 às 10h30  – Palestra “O Futuro é agora: como o empoderamento digital transforma vidas e cidades”, com Rodrigo Baggio, presidente da Recode, organização social presente em 8 países e 689 centros de empoderamento digital

10h30 às 11h00  – Bate-papo com Rodrigo Baggio moderado por Flavia Oliveira, colunista do jornal O Globo e da Globonews

11h00 às 12h00  – Painel “Distopia ou disrupção: como se preparar para o amanhã?”, com os palestrantes Peter Kronstrom e Rodrigo Baggio e moderação de Flavia Oliveira.

12h   – Intervalo para almoço


TARDE
ARENA DA VIVÊNCIA

14h30 às 16h00  – Painel “Do robô ao roubo de dados: as novidades na Educação, na Agropecuária, na Construção Civil e na Saúde”, com Silas Cunha, CEO da Abitat, startup Construtech que busca a gestão mais eficiente de empreendimentos através de IoT (Internet das Coisas), Banco de dados e Machine Learning, Ana Carolina Monteiro, sócia da Hackel, consultoria em Marketing Conversacional e soluções em Educação que trabalha com tecnologias de automação e inteligência artificial. como Internet das Coisas e Chatbots, Matheus Ladeia, CEO do E-rural, o maior marketplace de pecuária do Brasil e especialista em agtech, growrth strategi e growth marketing e Vicente Vale, sócio da REP Educa, plataforma digital que utiliza Realidade Aumentada e Inteligência Artificial para ampliar a aprendizagem dos alunos.

14h30 às 16h00 – Oficina “Como programar um robô com sentimentos”, com Peterson Lobato, fundador da Mini Maker Lab e professor na área de robótica, programação e impressão 3D.

14h30 às 16h00  – Oficina “Circuito de Experiências em tecnologias para Educação e para Indústria”, com Fernanda Mikulski Guedes, coordenadora de ações de avaliação educacional, inovação e competições da Escola Técnica Senai-BA e Igor Nogueira Oliveira Dantas, coordenador de projetos de inovação educacional na unidade de Inovação e Tecnologias Educacionais do Senai-BA, Adalício Neto, especialista em Automação no SENAI CIMATEC e responsável pelo portfólio de serviços 4.0.

14h30 às 16h00  – Os desafios do Bitcoin no Brasil, com Thiago Avancinni, diretor de Educação e Tecnologia da DD Corporation

16h00 às 17h00  – Desafio “Fórum Agenda Bahia/Olimpíada Brasileira de Robótica”, uma parceria jornal Correio e Sesi. 


SAIBA COMO PARTICIPAR GRATUITAMENTE

O quê  O Agenda Bahia chega aos 10 anos promovendo discussões sobre inovação, competitividade, qualificação e sustentabilidade.

Onde  No Senai Cimatec, na Avenida Orlando Gomes, dia 3 de outubro, entre 9 e 18 horas

Inscrições  Inscreva-se grátis no endereço  oferta.correio24horas.com.br/agenda-

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