Mineração investiu R$ 1,4bi em pesquisas de áreas na Bahia

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10.12.2021, 18:00:00
Antonio Tramm, Flávio Penido, João Leão e Pedro Paulo Dias (Divulgação)

Mineração investiu R$ 1,4bi em pesquisas de áreas na Bahia

Estado se destaca nacionalmente na busca por novas áreas de produção

A Bahia foi o estado brasileiro que mais investiu em pesquisa mineral entre os anos de 2017 e 2020. Neste período, foram aplicados R$ 1,4 bilhão na busca por novas áreas com potencial para a mineração. Somente no ano passado, foram R$ 600 milhões em áreas com potencial de produção. Estes números explicam o desenvolvimento que vem sendo alcançado pela atividade no estado, que vem se consolidando como o terceiro principal estado minerador do país, atrás apenas de Minas Gerais e do Pará. 

As perspectivas para a mineração baiana nos próximos anos foram o tema do encontro CBPM e IBRAM convidam, realizado nesta sexta-feira no auditório da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), com a presença de empresários e autoridades do setor. 

O potencial de crescimento da Bahia no setor mineral foi destacada por Flávio Penido, presidente do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram).

“Nós temos na Bahia mais de 40 substâncias minerais sendo produzidas, é um estado de uma diversidade geológica fantástica”, ressaltou, lembrando que a Bahia é o terceiro estado em faturamento do setor mineral no país, cenário que se repete em relação à arrecadação da Cfem (royaltie pago pela atividade mineral no país)”, destacou. 

Anualmente, a Bahia exporta 1,4 milhão de toneladas de minérios, destacou Penido, lembrando que a uma tendência de crescimento nestes números com novos projetos entrando em operação nos próximos anos. “Cada vez mais a Bahia vai despontar como um grande produtor mineral e eu tenho certeza de que até mesmo os baianos vão ser surpreendidos com o que se anuncia para a atividade aqui”, disse Penido. 

Este ano, entre os meses de janeiro e outubro, foram criadas pouco mais de 1,3 mil novas vagas diretamente ligadas à mineração. Com isso, a atividade é responsável por um total de 15 mil postos de trabalho diretos e por pouco mais de 160 mil diretos e indiretos, de acordo com dados apresentados pelo presidente do Ibram. 

O vice-governador e secretário estadual do Planejamento, João Leão, contou que prospecções de áreas ao longo do traçado da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), pela CBPM e por empresas como a Companhia Vale do Paramirim, apontaram potencial para a produção de minerais como ouro e ferro.

“Eu tenho certeza de que a Bahia será o estado brasileiro que mais vai se desenvolver no setor mineral nos próximos anos”, apontou. 

O presidente da CBPM, Antonio Carlos Tramm, destacou o desempenho da mineração baiana neste ano. “É importante dizermos que o ano foi feliz para a mineração, apesar da pandemia e de tudo o mais”. Ele destacou a valorização nos preços das matérias-primas produzidas pela atividade e a valorização do dólar em relação ao real, o que potencializou as exportações brasileiras.  

Em relação à CBPM, os destaques ficaram para a realização de seis licitações de áreas. No ano que vem, a empresa estadual planeja outras cinco licitações.

“A mineração tem uma presença forte no estado, com mais de 15 mil empregos diretos, uma contribuição na área econômica e financeira muito forte, com expressivos valores recolhidos”, ressaltou Tramm. “As perspectivas para o próximo ano são alvissareiras para o próximo ano”, acredita. 

Como exemplos, ele citou receitas pagas pelo setor mineral para alguns municípios. Em Itagiba, são aproximadamente R$ 25 milhões por ano gerados direta e indiretamente aos cofres públicos municipais. No caso de Jacobina, são R$ 23 milhões, em Juazeiro R$ 16 milhões, enquanto Caetité e Jaguarari contam com R$ 15 milhões gerados pela atividade. 

“A importância da mineração para os municípios vai além da Cfem (royalties pagos pela atividade), normalmente a atividade é a grande empregadora nos locais onde se instala. Isso cria uma circulação de renda. Esses trabalhadores consomem no comércio da local, utilizam os serviços na área de educação e saúde e movimentam a economia”, enumera. Além disso, acrescenta Tramm, a  média salarial da atividade chega a ser três vezes maior que o mercado costuma pagar.  

Tramm destacou ainda a entrega do Prêmio CBPM deste ano, concedido à Yamana Gold, como empresa de mineração, e ao vice-presidente da empresa no Brasil e Argentina, Sandro Magalhães, como personalidade. O processo de escolha se deu por voto popular. A entrega do prêmio está prevista para a próxima sexta-feira (17). 

O secretário nacional de Geologia, Mineração e transformação Mineral, Pedro Paulo Dias, destacou o volume de investimentos estrangeiros que estão previstos para a mineração como um sinal de confiança na condução da atividade no Brasil.

“Estão previstos até 2025 um volume de R$ 200 bilhões na atividade e isso demonstra confiança na capacidade do país de atrair e desenvolver novos investimentos”, ressaltou. “Há um entendimento de que o Brasil é capaz de oferecer segurança para o investidor”, disse. 

Entretanto, Pedro Paulo acrescentou ainda que grande parte dos investimentos são de empresas que já atuam no país, com muitas unidades de produção sendo ampliadas. Para ele, este é um sinal de que há espaço para mais investimentos novos e para atrair novas empresas. 

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