Missa e procissão marcam dia de São Francisco Xavier no Pelourinho

salvador
10.05.2019, 20:38:00
Cerimônia foi realizada depois da procissão (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

Missa e procissão marcam dia de São Francisco Xavier no Pelourinho

Catedral aproveitou para reinaugurar dois sinos que estavam parados há 50 anos

Com olhares atentos e celulares nas mãos, os fiéis que estavam na igreja da Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, registraram cada momento da noite de homenagens ao padroeiro de Salvador, São Francisco Xavier, nesta sexta-feira (10). Desta vez, foram os vereadores que carregaram a imagem do santo da sacristia para o altar.

Sinos badalaram depois de 50 anos parados (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

A noite foi especial também porque dois dos quatro sinos da igreja, dos séculos XVI e XVII, voltaram a badalar depois de mais de 50 anos parados. Eles foram requalificados e, por isso, reinaugurados nesta noite.

As portas da igreja foram abertas alguns minutos antes das 17h e logo os turistas apareceram para fazer fotos, vídeos e selfies. A maioria dos passantes parou para observar a movimentação de equipamentos e instrumentos de som na porta do templo. Era a banda da Guarda Municipal que dava os últimos ajustes antes de começar a apresentação, marcada para às 17h, também em comemoração ao santo padroeiro da cidade.

Banda da Guarda Municipal anima o público antes da missa (Foto: Almiro Sena/ CORREIO)

Um grupo de estudantes aproveitou para visitar a igreja. Daniel Oliveira, 17 anos, ficou impressionado com a beleza do local. “Eu perguntei até ao rapaz se a gente podia entrar. A igreja está linda. Para falar a verdade, eu não sabia que São Francisco Xavier era o padroeiro de Salvador, mas acho a homenagem justa”, afirmou.

Às 17h50, o pároco da Catedral Basílica, Abel Pinheiro, pediu que os fiéis deixassem a igreja para ver uma queima de fogos em homenagem ao santo, e às 18h, os sinos badalaram. Em seguida, os religiosos retornaram para dentro da igreja para ouvir a história de São Francisco Xavier.

Vereadores Geraldo Júnior e Joceval Rodrigues à frente da procissão carregando o andor (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO)

A procissão com a imagem do santo começou cerca de 20 minutos depois, quando o pároco e outros religiosos, e oito vereadores, entre eles o atual presidente da Câmara, Geraldo Júnior (SD), levaram a imagem do santo da sacristia até o altar. O evento foi acompanhado pelo coro Barroco na Bahia e do Órgão de Tubos da Catedral. Padre Abel comemorou a homenagem e destacou a importância dos sinos.

“Os sinos têm um significado extraordinário, eles chamam, anunciam, ecoam a voz do povo e fazem chegar até Deus as preces da comunidade. Eles têm uma história milenar, eram a grande forma de comunicação da igreja e da sociedade nos tempos passados. Os sinos anunciam as alegrias, os grandes acontecimentos, e as tristezas”, afirmou.

Em seguida teve início a missa que encerrou as homenagens. A aposentada Maria Idalina Lima, 68 anos, ficou emocionada com a celebração. “Foi tudo muito bonito. Tenho certeza que São Francisco Xavier gostou também”, disse.

Santo
Salvador tinha três anos de fundação quando São Francisco Xavier morreu, em 1552. Descendente de espanhóis, ele nasceu na região de Navarra, em 1506, e estudou para ser padre na França. Mais tarde, participou da fundação da Companhia de Jesus, grupo criado com objetivo de ampliar a evangelização pelo mundo, e assim trabalhou em países da África e da Ásia.

Francisco recebeu o nome em homenagem a São Francisco de Assis e dedicou a vida a cuidar dos doentes. Quando Salvador passou por um surto de febre amarela, em 1686, que dizimou parte da população, foi a ele que os soteropolitanos se apegaram. Como a epidemia desapareceu depois das preces feitas ao santo, ele foi considerado o responsável pelo milagre.

Foi então que a Câmara de Vereadores, em nome do povo, fez uma votação para que ele virasse o padroeiro de Salvador. A partir daí, São Francisco Xavier passou a ser comemorado todo 10 de maio. O santo é tão considerado na Catedral que existe até uma imagem na fachada do templo, além da que fica no interior da igreja.

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