Missa vazia celebra dois anos de canonização de Santa Dulce dos Pobres

salvador
13.10.2021, 09:08:41
Atualizado: 13.10.2021, 18:22:08
(Daniel Aloisio/CORREIO)

Missa vazia celebra dois anos de canonização de Santa Dulce dos Pobres

Padre lamentou 600 mil mortos pela covid-19 e comemorou mais de 100 milhões de brasileiros imunizados

Ainda não está tudo liberado, mas os protocolos sanitários da pandemia não pediam que tantos lugares estivessem desocupados numa missa tão importante. Foi o povo que resolveu não aparecer mesmo nesta quarta-feira (13), às 8h30, no Santuário Santa Dulce dos Pobres, para a celebração dos dois anos de canonização da primeira santa católica nascida no Brasil. 

Em 2020, quando a pandemia estava mais severa e ainda não existia vacinação, apenas 228 fiéis participaram dessa mesma celebração, que teve a presença de três padres e do maestro José Maurício Moreira, 50 anos, o protagonista do segundo milagre de Santa Dulce oficialmente reconhecido pelo Vaticano. Houve quem tivesse que aguardar o fim da missa do lado de fora da igreja, para só assim visitar o santuário, por causa da lotação do espaço.

Já agora, numa missa com as mesmas características festivas, um segurança até fazia o controle da entrada das pessoas no santuário e media a temperatura dos fiéis, mas ele não seria necessário. "A expectativa é que as missas de agora de tarde sejam mais lotadas. Talvez por ser dia de semana e um dia depois do feriado o que tenha afastado as pessoas", lamentou um funcionário das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), que preferiu não ser identificado. 

Para o frei João Paulo, o único padre que esteve presente nessa missa das 8h30, a lotação da igreja não era problema. "Estamos aqui para render graças, pois Deus nos presenteou em 2019 com essa canonização. Afinal, como passaríamos tudo o que vivemos em 2020 sem a presença de Santa Dulce?", questiona o padre, fazendo referência ao fato de que a canonização no Vaticano ocorreu pouco mais de cinco meses antes do início da pandemia de covid-19.

O frei também recordou que essa doença já vitimou mais de 600 mil pessoas em todo o Brasil, mas também que foi alcançado a marca de 100 milhões de brasileiros imunizados com as duas doses ou dose única da vacina. "Não poderia ser diferente. Ela que sempre acreditou na ciência, que sempre apoiou o trabalho hospitalar, da saúde pública, nos deu esse presente", disse, durante a homilia da Missa. É que as Osid foram uns dos locais que teve teste para a produção da vacina da Pfizer, usada em larga escala em todo território nacional.

Ao longo da missa e também durante a manhã, o movimento no santuário foi aumentando e, no final da celebração, os bancos vazios foram ficando mais ocupados. A fiel Lidiana Soares, 45 anos, chegou no final da Missa.  "Eu venho todo dia 13 do mês, pois estou fazendo tratamento contra o câncer e sei que, com fé em Santa Dulce, vou conseguir a vitória", conta.

A professora aposentada Erasma Araujo Nunes, 67 anos, chegou na Missa quando ela já tinha começado. Para "descontar", resolveu ficar por alguns minutos no banco da igreja quando a celebração já tinha terminado. "Foi muito difícil passar esses dois anos por causa da pandemia. Então, eu agradeço a Santa Dulce, pois é a ela que recorro nos momentos de pânico e aflições", conta.

A superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), Maria Rita Pontes, presente na missa das 16h, aponta ainda que a pandemia não foi motivo para a devoção ter diminuído. "A canonização resultou em um aumento na devoção à Santa Dulce, com manifestações em todo o Brasil e, no estado da Bahia, com a maior quantidade de capelas e paróquias dedicadas a Santa. Mesmo com a pandemia, a gente sente que as pessoas puderam se conectar conosco, fiéis, nas celebrações, mesmo à distância, e nos alegra muito saber que essa sementinha do 'Amar e Servir' está sendo espalhada".

Programação 
Além das Missas que ocorreram pela manhã,  o Santuário Santa Dulce dos Pobres, na Avenida Dendezeiros do Bonfim, vai ter Missas às 12h e 16h. Haverá também a pré-estreia do documentário “A Luz na Escuridão”, que conta a história do milagre que canonizou Irmã Dulce, nesta quinta-feira (14), às 19h. 

Para participar da sessão, deve-se retirar o ingresso na secretaria do Santuário, entre os dias 07 a 13 de outubro, mediante a troca de 1kg de alimento não perecível. A aquisição do ticket pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 7h às 13h e das 14h às 18h. Todo alimento arrecadado será utilizado na produção de quentinhas que serão distribuídas à população em situação de rua. 
O documentário é produzido pela Mandacaru Filmes e dirigido por Toni Couto. 

Além do diretor da obra, a pré-estreia contará com a presença do miraculado José Mauricio; de profissionais da instituição; e de devotos e demais admiradores da vida e obra de Santa Dulce dos Pobres. O documentário foi contemplado pelo Edital de Arranjos Regionais do Fundo Setorial para o Audiovisual (FSA), através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT-BA), na chamada pública realizada em 2016.

*sob supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro e com colaboração de Luana Lisboa

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