Monumento e 19 obras de arte são tombadas em Salvador

salvador
24.01.2020, 22:05:26
Atualizado: 25.01.2020, 19:13:16
(Betto Jr./CORREIO)

Monumento e 19 obras de arte são tombadas em Salvador

Ação da prefeitura contemplou painéis do artista plástico argentino Carybé

Em um canto do Porto da Barra, aos pés do Forte São Diogo, uma coluna de seis metros de altura serve de lembrança de que nessa mesma praia, enquanto as ondas quebravam nas pedras, desembarcaram os primeiros portugueses que chegaram na Bahia, em 1549. Batizado de Marco Comemorativo da Fundação da Cidade, esse monumento foi tombado como Patrimônio Cultural do Município, junto com 19 painéis do artista plástico Carybé.

O Marco é feito de pedra de Lioz, encimada com um escudo português, e foi um presente da colônia portuguesa da Bahia à cidade, entregue em 1952, em comemoração ao IV Centenário de Salvador. Já os painéis de Carybé estão em diversos pontos do município e contam a história da primeira capital do Brasil. Os decretos tombando essas obras foram assinados, nesta sexta-feira (24), pelo prefeito ACM Neto

Fernando Guerreiro e ACM Neto
Fernando Guerreiro e ACM Neto (Betto Jr./CORREIO)

“São monumentos que compõe e ajuda a descrever a nossa história e, é claro, integra a nossa cultura. O tombamento significa algo muito importante que é o cuidado, a preservação, o compromisso da prefeitura de ter um olhar especial por esses espaços. A construção do futuro passa pela preservação da história e do passado da nossa cidade”, afirmou o prefeito.

O tombamento do Marco da Fundação teve início em novembro de 2016 com o regime de registro provisório feito pela Associação de Moradores e Amigos da Barra (Amabarra) e pela Academia de Letras da Bahia (ALB). Segundo o presidente da Amabarra, Waltson Campos, o objetivo é garantir a preservação.

“Nós, como moradores do bairro, temos uma identificação muito grande com esse monumento, que é na verdade um monumento de todo soteropolitano. Aqui foi onde começou tudo, onde nasceu Salvador, e a gente vinha lutando para que ele não ficasse em descaso”, afirmou.

A ação aconteceu por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e a solicitação relacionada aos painéis de Carybé partiu do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. Em 2020, faz 70 anos que o artista plástico argentino, batizado Hector Julio Páride Bernabó, veio para a Bahia e 171 anos que a cidade de Salvador foi criada. Para o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, o tombamento foi um presente.

“Os painéis de Carybé representam a época de ouro da cidade, onde a maioria das edificações tinham obra de arte. Ele fez murais belíssimos, mas que estavam se degradando. Fizemos uma seleção inicial de 19, consultamos os proprietários e, a partir de agora, não se pode mais mexer neles”, disse.

Guerreiro contou que a prefeitura pretende criar um circuito de visitação desses painéis, para ajudar na divulgação das obras. A filha do artista argentino e curadora do Espaço Carybé das Artes que funciona no Forte São Diogo, Solange Bernabó, disse que a preservação dos 19 painéis foi uma vitória para toda a sociedade.

“É uma ação muito importante, não apenas por ser obras de meu pai, mas pelo artista que ele foi, tão ligado a história de Salvador. É uma forma de reconhecimento da prefeitura ao trabalho dele. A gente agradece, como família, cidadã, curadora do espaço e como dirigente do Instituto Carybé”, afirmou.

Confira a lista de obras tombadas e onde elas estão:

“Fundação de Salvador” - Teatro Castro Alves, Campo Grande;

“Orixás” - Museu Afro, Centro;

 “Panorama de Salvador” - Escola Classe II, Pero Vaz;

 “Tupinambás” - Ed. Tupinambá, Canela;

“Bahia” - Ed. Guilhermina, Campo Grande;

“A Colonização do Brasil” - Ed. Bráulio Xavier, Rua Chile/Centro;

“Quetzalcoatl” - Ed. Cidade de Ilhéus, Comércio;

“Fundação de Salvador” - Ed. Cidade do Salvador, Comércio;

“Progresso” - Ed. Cidade do Salvador, Comércio;

 “Índios Guerreiros” - Ed. Campo Grande, Campo Grande;

 “As Mulheres e os Pássaros” - Centro Empresarial Iguatemi, Iguatemi;

 “Catarina Paraguaçu” - Ed. Catarina Paraguaçu, Graça;

“As três Raças” - Fundação Casa de Jorge Amado, Centro;

 “A Colonização do Brasil” - Bradesco Rua Chile, Centro;

P15 – P-15A e P15B - “Os Pescadores” - Ed. Barão de Itapuã, Barra;

 “Espécies Marinhas” - Ed. Labrás, Comércio;

 “Descobrimento” - Banco Itaú Pituba, Praça Nossa Senhora da Luz;

“Painéis de Azulejos com Relevos” - Banco do Brasil Comércio;

 “Manifestações Culturais” - Aeroporto.


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