Moradores do Solar do Unhão preparam presente ecológico para Iemanjá

salvador
17.01.2020, 17:58:00
Atualizado: 17.01.2020, 21:41:08

Moradores do Solar do Unhão preparam presente ecológico para Iemanjá

Mutirão pretende arrecadar alimentos e recursos para custear a festa

Faltando 16 dias para a festa da rainha das águas salgadas, Iemanjá, os preparativos já começaram. Moradores do bairro da Gamboa e Praia do Solar do Unhão iniciaram, nesta sexta-feira (17), uma campanha de arrecadação de recursos financeiros e materiais para a confecção da sétima edição do Presente Ecológico, que será entregue ao orixá no dia 26 de janeiro, último domingo que antecede à festa dela.

No presente, nada de plástico, vidros de perfume ou acessórios que contenham materiais prejudiciais à natureza, somente materiais biodegradáveis como flores são permitidos e acompanharão a sereia que será feita através de um manequim que foi encontrado boiando na praia, em 2013. Ele será completamente reformado e grafitado em homenagem à Iemanjá. Além disso, haverá também um balaio com alimentos para a orixá.

A oferenda partirá de barco para um ponto específico do mar onde haverá um agradecimento, saudações e cânticos à sereia. Os balaios oferecidos vão até o local e retornam, em seguida, para o local de partida, onde ocorrerá uma feijoada seguida de comemoração.

No dia 26 de janeiro, exatamente quando faltará sete dias para a comemoração para a festa de Iemanjá, que é no dia 2 de fevereiro, ocorrerá um café da manhã, às 9h, que antecede a entrega do presente. Ao meio-dia, um barco partirá em cortejo para o mar com a sereia e o presente e retornam após a oferenda.

O presente
Em um belo dia de janeiro de 2013, a maré alta trouxe um manequim velho boiando para a praia do Solar do Unhão. Os moradores, que ajudavam na pintura dos barcos dos pescadores, decidiram retirar o lixo do mar. Dali surgiu a matéria-prima para o Presente Ecológico que será dado a rainha das águas salgadas.

No balaio vão flores e comidas para a orixá. A sereia é fabricada sobre um manequim e reformada com cola de goma, papelão e fibra usada na fabricação de barcos.

Nativo da Ribeiro, na Cidade Baixa, Júlio Costa é grafiteiro e idealizador da campanha de arrecadação, além de ser também o responsável pela pintura da sereia. Segundo ele, a iniciativa surgiu com o pensamento de conscientização e cuidado com a natureza, a partir do momento em que ele e os pescadores encontraram o manequim boiando na praia.

"Quando o manequim apareceu tiramos ele e guardamos. Depois, decidimos criar a festa para conscientizar as pessoas a ter uma cultura diferente, de não poluir o mar. No balaio, além da comida e das flores, vão as coisas secretas que só as baianas sabem e colocam lá. É uma festa sagrada para nós baianos, é uma tradição que não podemos deixar passar em branco’, explicou Júlio, que contou também o sentimento de reunir e envolver toda a comunidade da Gamboa no mesmo propósito.

“Aqui, todo mundo se envolve. Desde a pintura da sereia, à pintura das escadas e arrecadação de coisas para os balaios. Para mim, é uma ação bastante positiva, ainda mais porque sou nascido e criado na beira do mar. Todos estão convidados a participar e colaborar e aproveitar tudo que tem por aqui como o café da manhã, a feijoada e a festa em si”, completou.

Participação
A enfermeira Ivani Mendes, 47 anos, mantém uma casa na Gamboa, e faz questão de todos os anos apoiar e participar da campanha de entrega do presente para Iemanjá. Ela confessou que a experiência de participar é tão boa que desde a primeira edição convida mais pessoas.

“É algo gratificante poder juntar toda a comunidade e as pessoas que costumam vir aqui numa causa boa. Vale também a questão de que é uma boa para o meio ambiente, com a conscientização das pessoas em não sujar a praia. Eu participo desde a primeira edição e sempre convido mais pessoas. Esse presente ecológico é uma coisa muito boa. Sou simpatizante de Iemanjá, o sentimento é de emoção ao extremo, muito bonito de ver”, contou a moradora.

Já Vinicius Sapucaia, 17, conta que desde que conheceu Júlio no dia em que o manequim usado para a confecção da sereia foi encontrado boiando, ajudou na confecção da sereia da primeira edição e não parou mais.

“Eu estava junto no dia, foi quando eu conheci o pessoal. É uma festa muito bonita, reúne muitas pessoas, moradores e turistas, além de trazer outra cara ao bairro e mostrar que temos uma cultura bonita aqui também. Ajudei na primeira vez e não parei mais, todo ano eu estou contribuindo como eu posso”, afirmou o rapaz, vestido na camisa comemorativa da festa do ano anterior.

A iniciativa da campanha é uma parceria entre o Museu de Street Art Salvador (Musas), do Coletivo de Entidades Negras (CEN), que contará novamente esse ano com a presença dos afoxés Filhas de Gandhy, além de grupos de baianas e associação de moradores da comunidade.

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier


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