Mulher trans morreu por inalar fumaça tóxica em clínica, indica prontuário

brasil
24.02.2021, 11:29:00
Atualizado: 24.02.2021, 11:30:48
(Reprodução)

Mulher trans morreu por inalar fumaça tóxica em clínica, indica prontuário

Lorena Muniz estava sedada quando incêndio começou e foi deixada no local

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A transexual Lorena Muniz, 25 anos, pode ter morrido por conta da inalação de fumaça tóxica durante o incêndio na Clínica Saúde Aqui. Ela estava sedada para uma cirurgia em que colocaria prótese de silicone nos seios. O caso foi no último dia 17, em São Paulo. Lorena teve morte cerebral no domingo (21).

As informações estão no prontuário médico de Lorena no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), para onde ela foi socorrida, divulgado pelo G1 SP. 

Com a intoxicação, Lorena ficou sem oxigenação no cérebro, sofrendo uma parada cardiorrespiratória por 17 minutos. Ela também sofreu queimaduras no nariz e na orelha. 

A Polícia Civil aguarda o resultado do laudo do Instituto Mèdico Legal (IML) para incluir a causa oficial da morte no inquérito. O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

"Paciente sedada em mesa cirúrgica para procedimento, inalou fumaça, teve parada cardiorrespiratória de 17 minutos no total", diz trecho do do laudo médico. “Causa (s) possível do óbito: Intoxicação por monóxido de carbono e cianeto, encefalopatia anóxia secundário por parada cardiorrespiratória”.

O documento afirma ainda que Lorena sofreu queimaduras no nariz e na orelha direita e que teve a morte encefálica constatada no dia 21. 

Investigação
A investigação policial vai apontar se a clínica cometeu omissão de socorro. Familiares dizem que os funcionários foram negligentes ao abandonar a paciente quando o fogo começou. Um curto circuito teria dado origem ao incêndio.

“Como Lorena estava sedada, foi difícil tirá-la de lá durante o incêndio. Há relatos de que outros pacientes e funcionários dentro da clínica se assustaram e saíram correndo quando teve o estouro”, diz o delegado Marco Aurélio Batista, do 1º Distrito Policial.

A polícia também investiga se a clínica poderia fazer as operações de implante no local. Lorena pagou R$ 4 mil pelo procedimento, segundo o marido. Ela saiu de Pernambuco, onde morava, somente para fazer a cirurgia. 

A clínica não tem aval dos Bombeiros para funcionar. A corporação não tem registro do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), que é exigido para garantir que o imóvel tem equipamentos adequados para o combate a incêndios. 

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