Mulheres malassombradas: relatos de aparições assustadoras no interior baiano

baianidades
16.06.2019, 15:00:00
Atualizado: 30.06.2019, 16:02:58

Mulheres malassombradas: relatos de aparições assustadoras no interior baiano

Caça-fantasmas tentam explicar monopólio feminino na arte de assustar

Com a viseira abaixada e somente o farol iluminando a BA-120, entre Riachão e Coité, o motoqueiro quase não viu uma moça sozinha, à beira da rodagem, esperando uma carona. Pra sorte dela, foi percebida a tempo e, após a parada solidária, pongou rapidamente na garupa. Um pouco mais adiante, e após engrenar ligeiro bate-papo, a moça que segurava o piloto pela cintura, desapegou. No que olhou pelo retrovisor e percebeu o escafedimento, tomou um susto e, pra azar dele, se desequilibrou, caiu com o veículo e quebrou o braço direito.

Na verdade, se era o direito ou o esquerdo eu não sei direito. Só sei que quem conta essa história, verdadeira até a alma, é gente que não tem por que mentir ou, como dizem, não é desse feitio. “Esse eu não posso comprovar, porque não conversei com a pessoa, mas o meu tio, que é um homem muito sério, chegou aqui em nossa casa nos contando que um colega dele deu carona a ela (alma penada), e quando ela desapareceu, ele tomou tanto susto que a moto virou e ele quebrou um braço”, relata Maurício de Castro, escritor espírita e um dos médiuns mais respeitados do Brasil, num vídeo em que relata a aparição da jovem para o amigo do tio e outras pessoas com quem conversou pessoalmente.

A autora do vídeo -- publicado em 2014 e que conta, atualmente, 2,8 milhões de visualizações -- é a colega jornalista Alana Rocha, que assim como Maurício é natural de Riachão do Jacuípe e também ouviu os relatos assustados dos que se depararam com a assombração. O mais impressionante deles vindo de uma senhora evangélica.

“Evangélica fervorosa, que não acredita em espiritismo. Ela pensou até que tava ficando doida quando presenciou a materialização do espírito. Tava muito assustada. A mulher vinha de Coité, e o espírito tava sentado no ponto, e ela achou que tava ficando tarde, escurecendo. Aí ela se comoveu, por ser uma jovem, parou e perguntou se queria carona e a moça respondeu que tava indo pra Riachão e, de lá, para Salvador, onde iria trabalhar no outro dia cedo”, comenta Alana, a quem pedi para relembrar os detalhes da apuração.

“Ela entrou no carro e quando chegou na entrada da cidade, a moça pediu pra parar, porque disse que a casa era ali nas proximidades, e aí essa moça quando desceu do carro, que bateu a mão na janela pra se despedir e agradecer, o corpo da moça já ficou transparente. Ela já tava se desmaterializando”, detalha Alana, antes de lembrar que a história repercutiu muito na região e começaram a surgir outras histórias.

Segundo a jornalista, ao menos três pessoas com quem conversou descreveram o mesmo traje usado pela moça: calça jeans e camiseta branca, além de uma mochila nas costas. “Daí se desconfia que seja uma jovem que sofreu um acidente ali nas proximidades, há cerca de oito anos, e morreu”, destaca Alana, que não acredita na versão também ventilada de que seria uma jovem morta por afogamento em uma fazenda. “Se ela tivesse morrido na fazenda, estaria perto de lá”, explica.

Mulher de Branco
Os relatos de mulheres de branco -- mais comumente associado a noivas -- são inúmeros, e foi facinho achar mais casos, inclusive na minha família. Meu primo Niverton Lima relembra uma das aparições em Santa Bárbara, uns 15 anos atrás.

"Eu, Fá e Betinho tava voltando de uma festa no Clube 25 de Dezembro. Eu vinha uns dez metros atrás, porque parei pra urinar, quando ouvi ele gritando. No que a gente veio ver, ele tava parado, todo cagado. Perguntamos o que aconteceu e ele contou que viu a Mulher de Branco, que tava com os pés, mais ou menos, um metro fora do chão, e depois sumiu", resumiu, entre escatologias e risos.

O companheiro Misael Oliveira falou sobre aparição semelhante numa estrada do Recôncavo.

“Tem uma aqui de São Sebastião (do Passé), sobre uma mulher de branco que aparece do nada num trecho da BR-110, perto dum povoado aqui da cidade. Se é verdade eu não sei, mas que rola muito acidente nesse trecho, isso rola”, observou.

Mas por que mulher?
Relatei a Maurício de Castro (o médium com vários livros de Espiritismo lançados) que, durante minhas googladas sobre fenômenos paranormais na Bahia, em quase todos os casos apareciam mulheres no comando das ações assustadoras. Perguntei se havia uma explicação para isso, mas ele não arriscou uma resposta.

Ante isso, tive que sair do estado e recorrer a fontes federais sobre o assunto: fui direto ao Caça Fantasmas Brasil, braço da Associação Brasileira dos Paranormais e Investigadores Paranormais, que realiza investigações sobre assombrações ou presenças estranhas país afora.

A jornalista e investigadora paranormal Rosa Maria Jaques, que recentemente acompanhou casos de aparições em beira de estrada, tem uma pista sobre o motivo de ser muito comum, por exemplo, noivas fantasmas.

“Quando se fala em fantasma de noiva, ali já pega um ponto mais suscetível da mulher, que são as emoções, o apego, o sonho. Então, por isso que aparecem tantas noivas. Porque é mais forte para uma mulher o casamento, o que aconteceu antes da tragédia. Então, a mulher é mais emotiva e por isso que aparecem mais”, sustenta Rosa Maria, que é médium e atua em parceria com o marido, João Tocchetto de Oliveira, responsável pela parte técnica das investigações.

Ele concorda com a análise, pois considera que os acidentes que envolvem noivas “acabam sendo mais lembrados com o tempo.”

Assim como no caso do lobisomem (lembrem que dividi essas histórias em duas partes), não consegui falar com nenhuma malassombrada para entender esse monopólio do susto.

Fantasma ou espírito?
Sem vínculos religiosos, filosóficos ou acadêmicos, Rosa Maria e João Tocchetto, que moram em Monte Alegre do Sul (SP), estão entre os maiores pesquisadores paranormais do mundo: fazem parte do Hall da Fama dos Caçadores de Fantasmas nos EUA, registrado no livro Ghost Hunter's Hall of Fame Paperback, lançado em 2017.

Há mais de 10 anos, o casal -- que tem como lema o “respeito com o sobrenatural, sem julgar, nem afrontar” -- tem se dedicado a prestar consultoria para famílias e pessoas atormentadas por fenômenos paranormais, ajudando a revelar o que é sobrenatural, fantasia, doença ou fraude.

No vídeo abaixo, uma das tentativas do casal de realizar um trabalho.

Antes de mostrar alguns desses casos acompanhados por eles, é importante entender a diferença entre fantasma e espírito. “Fantasma é aquele espírito que tá preso num looping eterno, naquela situação, que pode ser o do suicídio, o do acidente, e tem um apego. E aí ele se materializa. Todo mundo vê, só que ele some. Faz sombra, conversa, caminha e some. Os espíritos só quem tem uma capacidade mediúnica, paranormal, pode ver”, delimita Tocchetto, que não vê nada, mas opera equipamentos medidores térmicos e magnéticos, microfones ultrassensíveis, câmeras de visão noturna e térmicas para registrar fenômenos.

Algumas das investigações mais recentes envolvem um caso em Maria da Fé (MG), no qual um jornalista filmou uma noiva (fantasma) caminhando à beira da estrada, e também o espectro de uma noiva em Laranjeiras do Sul (PR), que era comumente atropelada pelos caminhoneiros e vinha causando muitos acidentes na região, como no caso de Passé. Assista.

O que esses equipamentos de medição paranormal não dão conta ficam por conta do dom natural de Rosa.

“Desde pequena, ela vê os mortos. Pra ela ver um espírito, ver um fantasma, é mais natural que ver um vivo. Ela vive no mundo dos mortos”, detalha o xará, que apesar das dezenas de relatos sobre aparições na Bahia, ainda aguarda convites oficiais para vir desvendar os casos.

“Temos um monte de seguidores, um monte de relatos da Bahia, e o pessoal quer muito que a gente vá. A gente só precisa de patrocínio: gasolina, pedágio, transporte, alimentação e estadia. Se formos aí, dá pra fazer uma série, com vários casos”, propõe o casal, que promete desvendar mistérios e ajudar famílias e pessoas atormentadas por fenômenos paranormais.

Namorada malassombrada
Há boas chances de um dos convites partir da família de minha namorada, Fernanda Souza, que lembra de ouvir vozes de mulher (e não era sua mãe) e de crianças a chamando frequentemente -- incluindo um garotinho, que lembra de ter visto em seu quarto (finalmente um homem assombrando nessa zorra!).

“Sempre achei minha casa do interior (Alagoinhas) assombrada, mas ninguém lá acreditava em mim quando criança. Uma vez estava dormindo, de madrugada, e acordei com uma voz me chamando. Era uma voz fina, parecia de mulher ou de criança, e ficava chamando meu nome sem parar. Achei que poderia ser meu irmão, que estava no outro quarto, e comecei a responder. Minha mãe estava acordada e entrou no meu quarto perguntando o que foi, e eu falei: ‘mãe, era você que estava me chamando? Era meu irmão que tava me chamando?’, e ela disse que não, e que tinha acabado de sair do quarto dele”.

“Vá dormir, Nanda. Tá tarde”, minimizou, na época, dona Luciene. Questionada agora por mim e pela filha, minha sogra admitiu que também ouvia vozes e barulhos estranhos na casa onde a família vive desde o nascimento dos dois filhos.

Também revelou que era comum Nanda ouvir esses chamados, dos 3 aos 7 anos de idade. E Nanda, por sua vez, contou como se livrou disso. “Depois desse dia que eu me cobri toda e falei pra mim mesma que era só ignorar, comecei a parar de ouvir. Passei a ignorar: mesmo que ouvisse, fingia que não. E comecei a fazer isso porque ouvi alguém dizer que se fizesse isso, afastava a assombração”, detalhou o plano que, por ora -- ainda bem, porque ela dorme do meu lado com frequência --, tem dado certo.

***

Atualização: após a publicação da coluna, a turma do Caça-Fantasmas Brasil fez um vídeo comentando este texto. Confere aí!


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