Multidão de fãs, música e emoção no adeus, há 31 anos: Raul Seixas não morreu

clarissa pacheco
23.08.2020, 05:00:00

Multidão de fãs, música e emoção no adeus, há 31 anos: Raul Seixas não morreu

Nesta sexta-feira (21), mesmo na pandemia, fãs seguiram tradição de cantar para o ídolo ao lado do túmulo, no Jardim da Saudade

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Despedida de Raul Seixas, em 22 de agosto de 1989, no Cemitério Jardim da Saudade
(Foto: Fernando Amorim/Arquivo CORREIO)

Há 31 anos, uma multidão se acotovelava ao redor do caixão, erguido sobre os ombros de alguns, para o último adeus ao maluco beleza. Enquanto o esquife ia pra seu destino final, no Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, os fãs entoavam os maiores sucessos do ídolo - uma tradição, que, aliás, não morreu nem com a pandemia do novo coronavírus.

A foto acima, registrada no dia 22 de agosto de 1989 por Fernando Amorim, mostra nove policiais que tentavam, em vão, organizar o movimento de fãs, repórteres, cinegrafistas, familiares. Não fosse o local, o caixão e a mãe de Raul, que não conseguia parar de chorar, a cena poderia perfeitamente ser a de um show, com milhares de fãs tocando e cantando os maiores sucessos do ídolo.

A faixa, ao fundo, com os dizeres "Raul, você não morreu", acusa o sentimento de muitos antes que a ficha caísse, de fato. Raul morreu dormindo, em São Paulo, aos 45 anos de idade. No Aeroporto Internacional 2 de Julho, em Salvador, alguns fãs foram esperar pelo desembarque do ídolo, com suas próprias pernas. Sim: o perfil de Raul permitia que muitos esperassem vê-lo vivo, andando pelo aeroporto, e lhes pregando mais uma peça.

No ano passado, o repórter Alexandre Lyrio recontou essa história:

“Estou aqui quase que convencido que essa é uma das peças dele”, declarou, na época, Fernando Aranha, amigo e companheiro de Raul ainda na década de 1960.

Depois de Raul ter o corpo cremado, como desejava, o próprio Aranha comentou:

“Parece que desta vez ele se foi mesmo”.

Mais de três décadas após a partida de Raul Seixas, uma tradição cultivada há anos pelos fãs do roqueiro não morreu, nem no meio de uma pandemia. Todos os anos, no dia 21 de agosto - o dia da morte - um grupo de fãs vai até o túmulo do cantor para um ritual: cantar e tocar músicas do artista. Nas rádios, a música mais tocada de Raul, segundo o Ecad, é 'Tente outra vez', parceria com Paulo Coelho e Marcelo Motta.

Na tarde desta sexta-feira (21), a fotógrafa Nara Gentil, do CORREIO, encontrou o grupo lá, no mesmo lugar. É verdade que os fãs compareceram em menor número - em outros anos, fotos mostram de 15 a 20 pessoas no local. Mesmo assim, cinco fãs sentaram-se, como de costume, no chão, ao redor do túmulo de Raul Seixas, enquanto tomavam vinho e cantavam ao pai da Sociedade Alternativa. É, parece que Raul não morreu mesmo.

Fãs de Raul em tradicional homenagem ao ídolo no dia de sua morte, ao lado do túmulo; em 2020, encontro reuniu menos gente, mas teve vinho e música
(Foto: Nara Gentil/CORREIO)


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