Muro de casa desaba sobre concessionária e destrói 10 carros; prejuízo é de R$ 300 mil

salvador
25.03.2019, 12:40:00
Atualizado: 25.03.2019, 18:37:21
(Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Muro de casa desaba sobre concessionária e destrói 10 carros; prejuízo é de R$ 300 mil

Segundo proprietário, é a segunda vez que acontece em  menos de dois anos

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O empresário Cristiano Tinoco Sento Sé, 45 anos, ainda não teve tempo de contabilizar o prejuízo causado pela chuva que caiu na madrugada desta segunda-feira (25). Proprietário da Top Car Multimarcas, concessionária localizada na Avenida Heitor Dias, região de Dois Leões, em Salvador, teve dez carros destruídos depois que o muro de uma casa desabou sobre a loja.

Cristiano se deparou com o cenário de estrago assim que chegou ao estabelecimento, por volta de 7h, e encontrou carros soterrados, uns sobre os outros. Dos dez veículos danificados, pelo menos quatro, segundo ele, tiveram perda total. Embora ainda tenha que calcular todo o dano material, acredita que o prejuízo chegará a R$ 300 mil.

“Eu fico pensando que poderia ter sido muito pior, caso tivesse atingido um cliente ou funcionário. Minha vida estaria acabada”, lamenta. Segundo ele, parte do muro de uma residência, que fica localizada na Rua das Almas, na Cidade Nova, já havia deslizado há cerca de um ano e meio.

Ainda de acordo com o empresário, da primeira vez que aconteceu o deslizamento, a Desefa Civil de Salvador (Codesal) não chegou a condenar o terreno, que fica na parte superior à loja.  “Eu é que coloquei uma contenção por precaução, mas que não foi suficiente”, disse ele, que chamou a Codesal assim que constatou o incidente. 

Um dos carros destruídos pela lama que desceu de barranco e invadiu concessionária (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Por volta do meio-dia, a Codesal ainda não tinha dado retorno ao chamado. A Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb) chegou à concessionária por volta de 11h. Para auxiliar na limpeza da loja, que foi tomada pela lama, Cristiano contratou também um caminhão pipa com 10 mil litros de água.

Além dos 15 funcionários, Cristiano ainda contou com o apoio de trabalhadores das lojas vizinhas, que fizeram um mutirão para ajudar na retirada da lama e locomoção dos veículos.

“Infelizmente, eu não tenho seguro dos carros e nem desse tipo de dano. Eu digo esse valor de R$ 300 mil mas pode ser mais, só com calma para eu ter uma ciência. Eu estou arrasado, nunca pensei que fosse acontecer algo assim”, contou o dono da Top Car, que funciona no local há 20 anos.

Funcionários fazem mutirão para limpar concessionária (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

‘Medo diário’
A teleoperadora Isabela de Jesus, 36, mora na casa onde o muro cedeu há nove anos. Segundo ela, que é locatária do imóvel, o deslizamento ocorreu por volta de meia-noite.

“Meu marido estava acordado e ouviu o barulho. Ninguém aqui dormiu. Achei que o terreno todo tivesse cedido, porque caiu uma parte ano passado, a Codesal esteve aqui mas não aconteceu uma contenção”, explicou ela.

Depois de 0h, quando ocorreu deslizamento, ninguém mais dormiu na casa de Isabela (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Nas proximidades do local, que é cercado por vegetação, a reportagem observou que havia uma grande quantidade de lixo, de variadas naturezas, descartado sobre o barranco. 

Isabela afirmou que além da chuva e do lixo, que já causou o alagamento do imóvel, duas bocas de lobo entupidas também podem ter contribuído para o muro desabar.

“Sorte que a chuva não foi tão forte, senão poderia ter sido muito pior. Eu quero apenas saber se o imóvel será ou não condenado, para poder sair. Eu não quero que meus filhos fiquem aqui em dias de chuvas, na iminência desse muro cair de vez. É um medo diário”, relatou Isabela, que mora com o marido e três filhos. 

Vizinho à teleoperadora, o comerciário Cláudio de Jesus, 44, contou que, quando acordou, às 6h, a terra já havia descido. “As bocas de lobo estavam estupidas, eu e meu padrasto desobstruímos hoje cedo. O muro já estava inclinado, mas ninguém pensou que do nada isso aconteceria”, completou.

Em contato com o CORREIO, já no final desta tarde, Cristiano afirmou que a Codesal interditou tanto a loja, quanto a casa. "O engenheiro deles [Codesal] identificou que duas adutoras romperam, e elas são de responsabilidade da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Segundo eles, foi o que causou o deslizamento", afirmou o empresário, que, após ser orientado por um advogado, afirmou ter prestado uma queixa contra a empresa, na 2ª Delegacia (Lapinha). 

A Codesal confirmou, em nota, a interdição da casa e da loja e afirmou que na nova vistoria, foi detectado que a encosta estáva "instável, erodida e com vegetação inadequada". " Foi constatado que o talude se rompeu devido provável rompimento ou obstrução de rede, sendo acionada a Embasa. Recomendou-se ainda limpeza da área, colocação de lona e execução de obras de drenagem", acrescenta a nota.

Em nota, a Embasa afirmou que o deslizamento de terra teve como causa a instabilidade da encosta e "falta de rede de drenagem de água de chuva no local, cuja implantação é de responsabilidade da Prefeitura Municipal". 

A empresa ainda afirmou que moradores acabaram danificando a rede de esgotamento sanitário ao tentar escoar a água de chuva. "A Embasa alerta que a rede de esgoto foi dimensionada para receber apenas esgotos domésticos e não tem capacidade para escoar o grande volume de águas de chuvas", destaca a nota. Técnicos da empresa foram ao local. 

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