Não basta plantar: agricultores recuperam estradas no Oeste baiano

bahia
22.01.2018, 17:50:00
(Foto: Abapa/Divulgação)

Não basta plantar: agricultores recuperam estradas no Oeste baiano

Em 5 anos, 1.000 km de vias foram revitalizados para ajudar a escoar produção

Produzir soja, milho e algodão no Oeste da Bahia nunca foi fácil para o Grupo Mizote, sobretudo no que se refere ao escoamento da produção, feito antes por meio de estradas vicinais precárias que causavam prejuízos diversos.

“A logística era bem mais complicada, o transporte lento e mais caro. Algumas vezes os caminhões sofriam incidentes, como tombamentos, e parte da produção era perdida”, lembra Willian Seiji Mizote, dono da Fazenda Riacho Doce, de 1.200 hectares.

A realidade das estradas por onde trafegam carretas com até 54 toneladas de peso, porém, vem sendo mudada aos poucos na região que está na maior fronteira agrícola do Brasil, o Matopiba, composto pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Há cinco anos, produtores rurais e onze prefeituras da região se uniram para recuperar as estradas vicinais que ligam as fazendas às rodovias federais e estaduais, por onde a produção agrícola é escoada, e nesse período já restauraram 1.040 km de vias.

O projeto de recuperação de estradas, batizado de Patrulha Mecanizada, foi desenvolvido pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e já teve investimentos de mais de R$ 20 milhões, sobretudo em máquinas pesadas.

No Patrulha Mecanizada há 31 colaboradores (operários de máquinas, auxiliar administrativo, motorista e coordenador), dez máquinas (escavadeiras hidráulicas, motoniveladores, pás carregadeiras, rolos compactadores e tratores) três caminhões, um micro-ônibus e um carro de apoio.

(Foto: Abapa/Divulgação)
(Foto: Abapa/Divulgação)
(Foto: Abapa/Divulgação)

Financiamento
Os recursos que sustentam o projeto são oriundos do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), do Programa para o Desenvolvimento da Agropecuária (Prodeagro) e do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).

“Hoje, após as ações do projeto, tivemos mais agilidade e redução de custos. Acredito que os custos logísticos com fretes terceirizados caíram em torno de 15% por conta da melhoria das estradas”, afirmou o produtor Willian Seiji Mizote.

As prefeituras, no projeto, participam também com maquinários, como tratores e retroescavadeiras, caminhões e pessoal para executar o serviço, que, por enquanto, consiste, basicamente, na melhoria das estradas por meio do cascalhamento.

Desde 2013, quando foi iniciado, o projeto vem atuando em estradas vicinais de Barreiras, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães, Correntina, Jaborandi, Formosa do Rio Preto, Canápolis e Baianópolis.

Em 2017, segundo a Abapa, foram recuperados 96 km de estrada vicinal em Jaborandi, 93 km na estrada do café, em Barreiras, e mais 33 km da estrada que liga à Rodovia da Soja, em São Desidério.

O trecho recuperado ano passado, de 222 km, compreende a mesma distância entre Luís Eduardo Magalhães e a divisa com o estado de Goiás, no distrito de Rosário, em Correntina.

Asfaltamento
E a novidade para este ano é que o projeto realizará, pela primeira vez, a pavimentação asfáltica de uma das estradas, conhecida como “estrada da soja”, no distrito de Roda Velha, em São Desidério. Serão colocados asfalto em 33 km, com custo estimado de R$ 12 milhões.

“Nossa meta é a cada três anos colocarmos asfalto em uma das rodovias. Se não, corremos o risco de ficar, como se diz no popular, ficar ‘enxugando gelo’, já que a cada safra as estradas precisam de recuperação”, comentou o presidente da Abapa Júlio Cézar Busato.

“A recuperação das estradas não beneficia apenas aos produtores rurais. Por elas, circulam também o transporte escolar, veículos particulares e ônibus de empresas de transporte. Então, é algo que beneficia a todos e ajuda o produtor a reduzir os custos com a produção”, disse Busato.

Com a recuperação de estradas, o programa Patrulha Mecanizada também beneficia a preservação dos rios da região, fazendo com que diminua o assoreamento por meio da recuperação das estradas.

“Neste trabalho, são levantadas barreiras de contenção e ‘barraginhas’ para evitar que sedimentos como areia, cascalho e pedra sejam levados pelas chuvas até os rios”, explica o presidente da Abapa.

Impostos
Ao CORREIO, as prefeituras que participam do projeto declaram que dão total apoio e estão dispostas a continuar com a parceria. Além de maquinário e mão de obra braçal, as prefeituras fornecem ainda cascalho e mão de obra especializada nas áreas de meio ambiente e engenharia.

Para os produtores, a participação das prefeituras é como um retorno do pagamento do Importo Territorial Rural (ITR), equivalente na cidade ao Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Somente em 2017 foram pagos R$ 177,7 milhões em ITR.

A Abapa espera também estabelecer relações do mesmo tipo para recuperação de estradas federais e estaduais na região. Em 2017, o Governo da Bahia diz ter recuperado 78 km da BA-225, entre Formosa do Rio Preto e Coaceral.

Para 2018, o governo planeja recuperar mais de 1.600 km de estradas na Bahia, num investimento de mais de R$ 400 milhões. Para o Oeste, consta na lista dos investimentos 400 km do trecho conhecido como Anel da Soja, entre as BAs 456 e 460.

Estão previstos ainda recuperação de mais de 500 km da BA-161, entroncamento da BR-242 – Estreito – Barra – BA-172, e no entroncamento da BR-242 – Santa Maria da Vitória – Jaborandi, em mais de 300 km. A previsão é de que os serviços sejam iniciados neste primeiro semestre.

***

Em tempos de desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informações nas quais você pode confiar. E para isso precisamos de uma equipe de colaboradores e jornalistas apurando os fatos e se dedicando a entregar conteúdo de qualidade e feito na Bahia. Já pensou que você além de se manter informado com conteúdo confiável, ainda pode apoiar o que é produzido pelo jornalismo profissional baiano? E melhor, custa muito pouco. Assine o jornal.


Relacionadas