‘Não conseguimos sensibilizar ninguém’, lamenta Vovô do Ilê sobre caminhada

salvador
20.11.2018, 20:07:00
Atualizado: 20.11.2018, 20:11:12
Evento no ano retrasado levou multidão às ruas da Liberdade e Centro (Foto: Almiro Lopes/Arquivo CORREIO)

‘Não conseguimos sensibilizar ninguém’, lamenta Vovô do Ilê sobre caminhada

Cancelada, Caminhada da Liberdade necessitava de apoio de R$ 30 mil

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Falta de recurso e sensibilidade. Esses foram os motivos que justificaram o cancelamento de uma das caminhadas mais tradicionais do movimento negro, a Caminhada da Liberdade, que ocorre há quase duas décadas em todo 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Organizada pelo Fórum de Entidades Negras, o evento foi cancelado pela primeira vez em 17 anos. Presidente do bloco afro Ilê Ayiê, Vovô do Ilê tem na ponta da língua o porquê de não conseguir os cerca de R$ 30 mil necessários para a realização do evento: falta de sensibilidade com a causa negra.

Segundo Vovô, a caminhada tinha toda a estrutura assegurada pela Secretaria estadual de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi): trios, água e lanches para a banda. Tudo estava garantido, mas a caminhada esbarrou em “demandas que precisavam ter dinheiro na mão”. São os casos de cordeiros, seguranças e padronização da equipe através de camisas.

Ao CORREIO, Vovô contou que não conseguiu fechar as contas na última caminhada e que não podia fazer o evento da mesma maneira neste ano.

“Falamos com todo mundo, mas ninguém se interessou em apoiar. São mais de 50 músicos tocando e precisamos oferecer uma estrutura para a caminhada sair do jeito certo. É chato porque combatemos esse tipo de discriminação toda hora e não conseguimos apoio nem para fazer uma caminhada em homenagem a Zumbi (dos Palmares) dentro da cidade mais negra do país”, desabafou o dirigente de bloco.

A caminhada sairia, como de costume, da Senzala do Barro Preto, sede do Ilê Aiyê, no Curuzu, e seguiria pelas principais vias da Liberdade e Centro Histórico até o Pelourinho. A 18ª edição previa a participação de diversos blocos-afro, como Muzenza, Malê Debalê e Os Negões.

Caminhada da Liberdade na edição de 2016 (Foto: Almiro Lopes/Arquivo CORREIO)

Apesar da frustração com o cancelamento, Vovô garantiu que não vai medir esforços para que o cancelamento não se repita no próximo Dia da Consciência Negra.

“É uma caminhada especial, que faz homenagem a um herói nacional. Ficamos tristes com o cancelamento e a falta de apoio, mas vamos trabalhar para isso não acontecer de novo”, garantiu.

*Com supervisão da editora Mariana Rios.

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