Natureza das Formas

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03.05.2017, 11:27:00
Atualizado: 03.05.2017, 12:30:44

Natureza das Formas

Cultura yanomami inspira mostra que reúne 75 telas de três artistas

“Omame também é artista. Omame é artista do mundo todo. Omame é criador de tudo o que existe”. A explicação  do xamã e líder indígena Davi Kopenawa Yanomami para o mito da criação do mundo é o que inspira a exposição As Cores de Omame, dos artistas plásticos baianos Eder Muniz, Sirc Heart e Artur Soares.

São 75 telas que traduzem elementos da cultura indígena para a linguagem visual e que podem ser vistas a partir de quinta-feira,  na Casa do Bosque,  na Alameda das Algarobas,  Caminho das Árvores. Os trabalhos são  executados em  técnicas como aquarela, ilustração, linóleo e gravura e estarão à venda durante todo o período da mostra.

Obra de Eder Muniz, que pela primeira vez trabalha com aquarela 

Artur Soares chama atenção para o momento importante em que a  exposição está sendo  lançada, pois desde o mês 

passado a questão indígena voltou a ser pauta social e a 

exposição cumpre o papel de reverberar um grito contra 

as agressões históricas sofridas pelos  indígenas brasileiros. “Buscamos fazer o contato com um povo invisibilizado que existe em nós, ressaltando a profunda relação com a natureza e a criação”, diz o artista plástico.

Com uma postura parecida, Eder Muniz, que também assina a curadoria da exposição, ressalta que a questão indígena no país é um tema atual e que exige ser trabalhada diariamente para que seja reconhecida como uma questão dos brasileiros. “Embora tenhamos trabalhos e trajetórias distintas, percebemos que o trabalho trazia como ponto em comum um olhar artístico contemporâneo de respeito e devoção às manifestações da natureza”, diz, ressaltando ainda que, na abertura da exposição, haverá também poesia, música e a presença de uma empresa de chocolates que fará degustação de produtos orgânicos.

Inspirações naturais

Obra de Artur Soares reúne materiais e técnicas diversas sem perder de vista a organicidade das formas

Sirc Heart lembra que a ideia que batizou a exposição surgiu durante a realização da Bienal de Arte de São Paulo em 2016, onde havia uma instalação com uma oca e o texto do xamã Davi Kopenawa Yanomami, extraído do livro A Queda do Céu (Companhia das Letras),  escrito  com o etnólogo francês Bruce Albert. “Foi a resposta perfeita para o que queríamos e imaginávamos”, explica a artista. 

Quem for visitar a exposição vai encontrar essas referências na delicadeza do traço e sutileza das cores que envolvem uma mensagem de força no trabalho de Sirc Heart. A soteropolitana expressa sua arte em suportes como papel e tecido, onde costura, borda, cola e aquarela, usando o lápis de cor ou 

a tinta acrílica como seus instrumentos de trabalho. Para essa mostra, ela  trabalha um papel artesanal indiano com tinta acrílica, numa cartela com cores bem próprias. 

Conhecido como artista urbano por meio dos seus grafites, Eder Muniz vai apresentar outras técnicas, como a aquarela. Na sua representação das formas da natureza prevalecerão cores vibrantes que narram uma história fantástica do criador do universo: Omame. 

Já Artur Soares manterá a proposta de trabalhar linhas orgânicas, refletindo graficamente a estrutura humana. Ritmo e forma da natureza humana nas diversas tensões estabelecidas  dentro e fora de si. Humanidade no traço e olhar sob a natureza da alma é o que move o trabalho desse baiano de Lençóis. 

Sirc Heart trabalha com paleta de cores especiais e papeis artesanais indianos

Raiz ancestral

Considerados uma das maiores tribos isoladas da América do Sul, os Yanomamis vivem nas florestas e montanhas do norte do Brasil e sul da Venezuela, com uma população total de cerca de 35 mil índios. Com mais de 9,6 milhões de hectares, o território Yanomami no Brasil possui o dobro do tamanho da Suíça. 

Em comunidade, os Yanomamis acreditam fortemente na igualdade entre as pessoas e cada grupo social é independente, sem a necessidade da presença de chefias. O mundo espiritual é uma parte fundamental da vida dessas comunidades que acreditam que toda criatura, pedra, árvore e montanha tem um espírito, mesmo que esses eles sejam malevolentes.



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