Negócio em família: conheça estratégias para unir parentes e realizar bons negócios

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30.09.2019, 06:00:00
Atualizado: 30.09.2019, 06:17:24
As empresas familiares nascem da paixão do fundador e representam um legado para as futuras gerações (Schutterstock)

Negócio em família: conheça estratégias para unir parentes e realizar bons negócios

Apenas 16% dessas organizações chegam à terceira geração

Vasp, Mesbla, Arapuã, Magazine Luíza, Pão de Açúcar. De acordo com um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), mais de 90% das empresas abertas no Brasil são familiares. No entanto, apenas 16% dessas organizações chegam à terceira geração e só 1% delas perduram até a quinta geração.  

Para a administradora de empresas e consultora especializada em constelações sistêmicas organizacionais, Carol dos Anjos, a maioria dessas empresas falham quando esquecem do planejamento e da governança corporativa.

“As empresas familiares possuem particularidades, pois muitas vezes nascem de uma paixão do fundador e representam um legado para os herdeiros”. 

Para ela, apesar de muitas empresas começarem por uma questão de necessidade, é preciso não perder de vista que todo e qualquer negócio precisa de um plano de negócios. A consultora também defende como de fundamental importância que as regras de funcionamento sejam claras e que cada membro da família que vá atuar tenha um papel bem definido e com remuneração garantida.

Com uma postura parecida, o presidente da seccional baiana da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-BA), Wladimir Martins, destaca que pouco importa a dimensão do negócio -  que pode até mesmo ser um micro empreendimento -, pois é  fundamental atentar para a organização e a legalização do empreendimento. “Quem começa certo tem muito mais possibilidade de seguir certo nos negócios”. 

Para se ter uma ideia da importância das empresas familiares para a economia brasileira, basta lembrar que 65% do PIB e 75% da força de trabalho estão vinculadas a esse tipo de organização. Apesar disso, as pesquisas mostram que de cada 100 empresas familiares abertas e ativas, apenas 30 sobrevivem à primeira sucessão.

Regras claras 
A família Barreto possuía um pequeno negócio de bairro que mesclava bar, mercearia e, durante a semana, servia almoço. As irmãs Yasmin, 28, e Dália, 30, desde criança circulavam no estabelecimento. Primeiro embalando as compras, depois ajudando no caixa e, quando havia muito movimento, também ajudavam a servir as mesas. Apesar disso, nunca pensaram em seguir adiante. Yasmin  foi estudar Marketing e Dália, Psicologia. A vontade de ter uma carreira longe do empreendimento do pai passou pelo fato de que   nunca foram remuneradas pelo trabalho que faziam ali.

"Já tive muita raiva em precisar ajudar meu pai, especialmente nas férias, durante a adolescência,  e aos sábados, quando eu queria estar na praia com outras colegas. Com o tempo, fui entendendo a importância de colaborar mais”, explica Yasmin que, atualmente, assumiu a gerência do estabelecimento.

Ela lembra que demorou até o pai entender que precisaria profissionalizar a gestão do negócio da família, mas ela contou com ajuda da irmã e da mãe. “Brigamos muito, mas  acredito que chegamos a um entendimento sobre algumas necessidades, a exemplo de exibirmos os jogos do campeonato brasileiro,  disponibilizarmos tomadas nas mesas e sinal de wi-fi para os clientes”.

Se a organização, a definição de tarefas, a legalização e o estabelecimento de um plano de negócios norteará o início do negócio, Carol do Anjos pontua que é fundamental estabelecer regras claras para que a organização funcione bem, separando o que é da esfera familiar do que é da área corporativa. “Misturar a contabilidade pessoal e a da empresa é sempre um problema bem grave quando se trata de uma empresa familiar, por isso mesmo, é de suma importância fazer essa diferenciação”, afirma. 

Quando o assunto são regras claras, a analista do Sebrae, Marília Oliveira Gonçalves, é enfática em salientar que o maior desafio nas empresas familiares consiste justamente em não confundir  questões sentimentais e profissionais. “A convivência diária e o excesso de intimidade podem ser potencializadores, afinal, é importante ter pessoas de confiança no momento de abrir e gerir seu próprio negócio. Mas o cuidado precisa ser redobrado no estabelecimento dos limites e das prioridades”.

Ela ainda afirma que embora os conflitos sejam inevitáveis, é preciso não deixar o pessoal afetar o profissional e vice-versa. “Uma comunicação direta, cuidadosa e assertiva pode ser o melhor caminho para a definição e o cumprimento de regras e metas”, orienta, lembrando que buscar enxergar as coisas sob diferentes pontos de vista é essencial, assim como saber sua função e a posição de cada membro da família.

“A manutenção dessas regras precisa ser clara, com cada uma das responsabilidades bem divididas e delimitadas, e isso mantém o negócio precavido de possíveis conflitos futuros”, assegura.

Para Carol Anjos, as empresas não podem esquecer a importância do planejamento e da governança
(Foto: Divulgação)

Sucessão deve ser planejada no início
O processo sucessório de uma empresa familiar é sempre um ponto delicado. Para a analista do Sebrae, Marília Oliveira, nessas situações, o primeiro passo é identificar o real interesse dos sucessores em tocar o empreendimento. “Muitas empresas não resistem à segunda geração, por isso, não se deve insistir com familiares que não se identificam com o negócio. Em caso de interessados dentro da família, a estratégia de continuidade deve ser definida. Sugere-se, então, a elaboração de um plano de sucessão, com preparo prévio dos interessados nos aspectos técnicos e gerenciais”, orienta.

“A falta de planejamento da sucessão pode ser um dos maiores riscos à sustentabilidade não só da empresa, mas de toda a família. É preciso olhar além da gestão, pensando na estrutura familiar. Portanto, o sucessor bem preparado estará apto a conduzir a empresa e as emoções familiares, inclusive em momentos de luto”, enfatiza Marília Oliveira.

Marília Oliveira explica que é preciso preparar os sucessores e identificar o real interesse nos negócios
(Fotos: Darío G. Neto/ASN Bahia)


Os cenários mais comuns para continuidade da família à frente do empreendimento são: 
1 - O sucessor assume dando continuidade à estratégia do negócio. Aqui são mantidas a estrutura e o modelo de gestão da empresa, geralmente já bem-sucedida; 

2 - O sucessor passa a ter o controle e implementa melhorias. Aqui há uma mudança no modelo de gestão, geralmente em situações em que a empresa se encontra num cenário desfavorável;

3 - Mais de um sucessor assume, sendo gestores do negócio. Aqui a hierarquia precisa estar clara e alinhada entre todos os membros;

4 - Mais de um sucessor assume, mas os envolvidos não fazem parte da gestão. O grupo pode contratar gestores especializados, que conduzirão o negócio respeitando valores e diretrizes.
Para qualquer um dos cenários é importante que o fundador aceite “passar o bastão” e não mais interferir no negócio, dando liberdade para que novas ideias e decisões sejam praticadas.

Negócio em família

Ter um perfil empreendedor: Abrir um negócio requer algumas características importantes como iniciativa, saber correr riscos, persistência, autoconfiança, entre outros. Verifique como você está em relação às características e trabalhe para desenvolvê-las;

Reúna informações sobre o negócio:  Você precisa coletar informações para dar subsídio consistente à criação da empresa, pesquisando dados sobre Mercado, Finanças, Marketing, Localização do empreendimento, etc.

Planejar o negócio:  É fundamental planejar para ter sucesso. Analise a ideia e reflita: o que pretende entregar aos clientes? Qual o diferencial da sua empresa? Quem é o seu público-alvo?  Quem são os parceiros? Como serão as 
instalações? Esses e outros aspectos devem ser planejados antes da abertura do negócio

Crédito:   Caso necessite de recursos para a abertura da empresa, estude as reais necessidades, pesquise qual o melhor tipo de  financiamento para o  negócio, pesquise as instituições financeiras e as garantias que deve apresentar, entre outros pontos

 Registro: A última etapa é registrar o negócio e torná-lo realidade. Pesquise o nome, prepare os documentos como contrato social, realize as inscrições na Receita Federal, Secretaria da Fazenda Estadual e inscrição municipal, entre outras. 


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