Nordeste de Amaralina vai sediar 1º festival de Mapping da periferia de Salvador

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09.06.2021, 21:59:00
Atualizado: 09.06.2021, 21:59:16
Casas do Nordeste vão virar telas vivas durante festival (Foto: Divulgação)

Nordeste de Amaralina vai sediar 1º festival de Mapping da periferia de Salvador

Mete Dança digital promete reunir artes visuais, pagodão e tecnologia com projeções mapeadas nas paredes das casas do Nordeste de Amaralina

Salvador foi diretamente apresentada ao conceito de mapping a partir de 2017. O festival SSA Mapping fez locais como o Palácio do Rio Branco e Elevador Lacerda se transformarem em verdadeiras telas de arte e tecnologia. Novas iniciativas nasceram desde então e o Mete Dança Digital é uma delas: um festival que promete reunir artes visuais, pagodão e tecnologia numa projeção mapeada nas paredes das casas do Nordeste de Amaralina.

O evento acontecerá na próxima terça (15) e nasceu com o objetivo de levar acesso à arte e lazer sem a necessidade da internet. A ideia de fazer um trabalho híbrido sempre esteve na mente do idealizador do projeto, Ismael Fagundes. 

" Eu passei algum tempo pensando em um projeto que fosse híbrido. O Mete Dança é uma proposta digital, mas que acontece sob o olhar do público respeitando o distanciamento social. A ideia é não deixar de fora parte da população que não tem acesso à internet", afirmou.

O Mete Dança vai fazer projeções mapeadas nas casas do Nordeste de Amaralina, com trilha sonora do grupo Trapfunk&Alivio e coreografia do Coletivo Bote Fé. A direção artística é do fotógrafo e cineasta Rafael Ramos e as projeções são dos VJs Ani Haze e Caetano Britto.

As projeções poderão ser vistas pelos moradores das janelas, varandas e lajes de casa. Ismael promete um show de luzes, som e muita meteção de dança - afinal de contas, o pagode da Bahia é o protagonista da festa.

"o principal objetivo é a inserção da periferia na retomada de atividades culturais da cidade de Salvador, levando em consideração a necessidade do isolamento social. As casas dos moradores do Nordeste de Amaralina se transformam em palco e plateia de uma festa democrática e segura. Quando estivermos em um cenário pós pandemia, o festival seguirá democratizando a linguagem do mapping dentro das periferias e  fortalecendo com a cena do pagode", disse Ismael.

Mapping
Não precisa estranhar a palavra. Até porque é uma técnica utilizada para fazer um negócio bem bonito. Ela basicamente consiste na projeção de vídeos em objetos e superfícies irregulares, como fachadas de edifícios. O Mete Dança Digital pretende  levar para áreas periféricas de Salvador a experiência do mapping, a fim de descentralizar essa técnica e tornar as paredes das casas cenários para as projeções.

Palácio do Rio Branco virou tela no festival SSA Mapping, em 2017. Mete Dança Digital vai levar iniciativa para casas da periferia (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Ou seja: o Mete Dança nasce como o primeiro festival de mapping da periferia. Em Salvador. No Nordeste. Tudo nosso, nada deles, sabe?

"O Mapping chega como ferramenta para ampliar todo esse movimento que é o pagode para os moradores, mas de uma perspectiva nova. Os festivais de Mapping normalmente acontecem nos grandes centros e nunca nas quebradas", afirma Ismael Fagundes.

Para evitar aglomerações, a produção do evento não vai divulgar o horário e nem o local exato onde acontecerão as atividades e projeções.

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