Nove anos após O Trio Reality, Bahia terá nova experiência com famosos e anônimos

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07.02.2021, 06:03:00
Atualizado: 07.02.2021, 07:29:51

Nove anos após O Trio Reality, Bahia terá nova experiência com famosos e anônimos

Reality Show Baianidade ‘imitará’ BBB na fórmula, que foi lançada na Bahia; relembre

Antiguidade é posto - pode perguntar lá no Ipiranga -, e vanguarda é uma coisa com a qual a Bahia lida muito bem. Primeira missa, primeiro índio abatido, primeiro Carnaval, primeiro Pelourinho e, como não poderia deixar de ser também, o primeiro reality show do Brasil que confinou famosos e anônimos na disputa por uma bolada. É claro que eu to falando do O Trio Reality, programa da TV Aratu que, em janeiro/fevereiro de 2012, fez de um trio elétrico a ‘casa mais vigiada da Bahia’, pra não escapar do jargão do bigbródico.

O BBB, aliás, está no ar na Globo, bombando mais do que nunca, mas a edição histórica deve ganhar um concorrente à altura dentro de algumas semanas: trata-se do nosso xará Reality Show Baianidade, agora em fase de formatação e recrutamento de participantes.

A organização de tudo e escolha dos participantes (já são mais de 7 mil concorrentes) ficará por conta do produtor de eventos Vitor Cirne, que é fã de realities. O projeto vai reunir, em abril, entre 14 e 16 participantes na disputa por um prêmio de R$ 10 mil. A ideia dele é antiga, mas nunca se tornou real por falta de recursos.

Vitor Cirne, o Boninho baiano, ainda seleciona os participantes do Reality Show Baianidade (Foto: Acervo pessoal)

“E por falta de oportunidades. Fui jogando pra frente, apenas sonhando com algo que aparentemente seria impossível fazer… Mas no ano passado, passei por uma modificação na minha vida. Morava no interior, não tava muito feliz, e acabei voltando pra Salvador e coloquei na minha cabeça de realizar... Idealizei comigo mesmo e na virada do ano comecei a colocar a ideia em prática”, conta Cirne, que ainda busca um patrocinador master para o projeto.

Olhadinha
O local que deve receber famosos e desconhecidos é o Espaço Solazz, em Arembepe, que conta com nove unidades, piscina, sinuca, cozinha-bar e, em breve, câmeras curiosas.

Espaço em Camaçari onde o reality show acontecerá a partir de abril; ainda dá pra se candidatar (Foto: Divulgação) 

Entre as celebridades já cotadas para fazer frente ao BBB está a dançarina Rosiane Pinheiro. A ex-morena do Tchan é também o elo perdido entre Baianidade e O Trio, já que foi a grande vencedora da atração da Aratu, exibida há quase uma década: a mando do público, levou R$ 30 mil na pochete.

Desta vez, além do prêmio ser um terço do primeiro (sem ligar pra correção monetária), a concorrência vai dobrar para Rosiane (n’O Trio eram só 7 confinados), mas ela não descarta a investida de olho no bicampeonato. 

“Vou ouvir a proposta dele (Vitor), conversar”, adiantou ela à coluna, antes de responder por que aceitou participar do primeiro reality. “Eu tava curiosa como ia ser isso, porque num trio normal tem aquela aparelhagem, o banheiro apertado, camarim sem porta e aquela quentura... Rapaz, que coisa maravilhosa! Eu lembro que todos os artistas que entraram lá ficaram apaixonados, querendo fazer um trio-casa igual pra eles”, relembra Rosiane, que usou táticas caseiras para garantir a preferência dos colegas.

Participantes do O Trio Reality, que marcou época na TV baiana (Foto: Divulgação)

“Eu adoro cozinhar e era eu quem fazia as coisas. O povo adorava e todo mundo engordou”, destaca a ex-Tchan. A investida no papel de dona de casa postiça também tinha seu lado não tão glamuroso.

“Quando eles bebiam muito, vomitavam tudo, sujavam as paredes, os sofás, e eu limpava tudo. Jogava água com QBoa, de manhã tava tudo limpinho. Não era estratégia de jogo, era no piloto automático mesmo”, conta ela, que considera os momentos mais marcantes as visitas de artistas, como Igor Kannário (assista trecho abaixo), Ed City e Márcio Victor, que tocavam para os confinados no trio/dormitório.

As apresentações exclusivas animavam também Guga de Paula e Rianne Ferreira (o casal da casa), os anônimos Ana Célia e Werles Pajero (hoje ator com participações na Globo, incluindo ‘A Força do Desejo’), e as dançarinas Cissa Chaggas e Léo Kret.

Vice-campeã, Léo é outra que relembra os momentos felizes no lar doce trio elétrico. “Eu fui uma foliã ali dentro, e eu acredito que muitos amaram me ver ali. Fui a primeira a receber convite. Eles me chamaram pra poder conversar e disseram que fui a primeira pessoa que pensaram. Que na verdade aquele reality tinha sido feito pra mim, né”, comenta ela, que era vereadora na época e precisou dar explicações na Câmara quando saiu. Pegou nada.

Veja fotos dos bastidores do programa.

(Foto: Divulgação)
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Ideia no guardanapo
Então diretor de jornalismo da TV Aratu, Christiano Caldeira, que atualmente vive em Barcelona, lembra com carinho do “ano mais louco” de sua vida e dos colegas de emissora entre 2011 e 12. “A gente produziu o reality e a mesma equipe produziu o Carnaval. A estrutura que a gente tem pra produzir o Carnaval já era uma estrutura pequena porque não é uma emissora com o tamanho de uma TV Bahia ou Record, por exemplo; é uma estrutura muito menor”, explica ele, salientando a megalomania do projeto.

“Foi um sucesso, e comercialmente não foi um fracasso. Imagine, você com pouquíssimo tempo pra preparar o produto, em novembro pra exibir em janeiro, ou seja, é nada, né. Pra você ter uma ideia, o Carnaval começou a ser vendido em maio”, ilustra, destacando a correria que começou após um recado num guardanapo.

Quem o rabiscou foi Chagas Vieira, jornalista importado de Fortaleza que era o superintendente de conteúdo da emissora. Distante da Bahia há alguns anos, Chagas foi nomeado no mês passado pelo governador cearense Camilo Santana como novo secretário-chefe da Casa Civil. Desde 2015, ocupava o cargo de Assessor Especial de Comunicação do Ceará. 

Por aqui, “teve essa ideia em um belo dia, de noite, final do expediente”.

“Ele me chama na sala dele e me entrega um guardanapo com a ideia de fazer o reality num trio elétrico. Começamos a rir, aí eu disse: ‘você é louco, Chagas, isso é impossível’. Aí ele: ‘impossível por quê?’ E a gente tornou possível, mudou a televisão baiana”, recorda Caldeira, que operava a máquina.

“Nosso caso foi tão arrojado que a gente deixou o trio elétrico 24h no ar, com 11 câmeras ligadas”. 

Antes de ligar o rec, muitas dúvidas, a exemplo de quem chamar para a experiência. “A gente não sabia se faria com famosos ou anônimos, mas queríamos fazer no verão. Depois a gente pensou nos famosos pra chamar um pouco mais a atenção. Então, a gente pensou em algumas pessoas que tinham recall nessa área de entretenimento dentro do que foi possível da agenda. Fomos atrás delas (quatro famosos), e mais duas pessoas eram os telespectadores, selecionados num processo com cerca de 1.500 pessoas”, relembra.

Facas na mesa
Com o reality no ar, e com os pais da ideia tendo que estar on o tempo todo, não faltaram momentos curiosos pra desenrolar. “A gente tinha muito medo nas festas das pessoas ficarem bêbadas e fazerem coisas que não deviam. E numa dessas festas, eu não vou dizer quem, na madrugada pegou todas as facas da cozinha e colocou em cima da mesa, e a gente pensou ‘pronto, o que esse menino vai fazer com essas facas?’”, recorda Caldeira, acordado para segurar o B.O.

“Ele amarrou aqueles couros de rambo na cabeça e tal, isso era umas 2h pra 3h da manhã. E aí toca meu telefone, nesse dia eu não estava na madrugada, e daí fui pra emissora”, conta ele sobre o episódio que não deu nada além de susto.

Leia também: 'BBB Cajazeiras': 'país' dentro de Salvador ganha reality

Mas se houvesse surto, a turma também tava preparada. “A gente tinha psicólogo, enfermeiro, serviço médico 24h. Na emissora a gente montou uma estrutura de atendimento de emergência”, cita o ex-diretor, recordando que o único incidente mais grave nesse sentido envolveu saudade. “Teve participante que pediu ajuda de psicólogo porque estava com saudades da mãe”. Quem nunca?

Participe
Embora Vitor Cirne, o Boninho do Reality Show Baianidade, esteja empenhado na busca dos famosos que vão entrar na casa - além de Rosiane, negocia com o dançarino Pepe Safado e a cantora Viviane Tripodi -, você também pode se candidatar a uma vaga na atração. A candidatura pode ser oferecida direto com o produtor, pelo WhatsApp (71) 99234-3663, ou pelas páginas no Instagram @realityshowbaianidade e @canalvitorcirne.

Enquanto aguarda o chamado, acompanhe pelo próprio Insta outra experiência baiana de sucesso no segmento de realities improvisados: trata-se do Big Brother Cajazeiras, que a turma do complexo de bairros inovou e bombou essa semana. 

Através do perfil Cajazeiras da Depressão (@cajazeirasdadepressao), 20 influencers da região disputam a preferência dos internautas, seguindo a cartilha do reality global, só trocando alguns conceitos. Camarote x Pipoca, por exemplo, virou Arena Pronaica x Rótula da Feirinha; já o paredão é chamado de pinicão. Fora isso, só vantagem, pois não precisa de confinamento, faca na mesa ou saudade de mainha.

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