Número de mortes por leptospirose dobra em Salvador

salvador
11.12.2019, 20:25:34
Atualizado: 11.12.2019, 20:48:18

Número de mortes por leptospirose dobra em Salvador

Em 2018 foram registrados cinco óbitos; neste ano, foram registrados 35 casos da doença na capital baiana

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De janeiro até dezembro desse ano, dez pessoas morreram em Salvador em decorrência de complicações da leptospirose - doença transmitida pela urina do rato. O número de mortes dobrou, em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados cinco óbitos. Em 2019, foram registrados 35 casos confirmados da doença na capital baiana; enquanto em 2018 foram 43 casos confirmados entre janeiro e dezembro. Os dados são da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS). 

“A intervenção química é um paliativo. Os ratos vão morrer. Mas, se a população continuar acumulando entulhos, descartando lixos e alimentos de forma inadequada, outros ratos irão aparecer. É um trabalho que deve ser feito em conjunto. A população precisa se educar para que, juntos, possamos combater a proliferação dos roedores e da doença”, ressalta a chefe do setor de combate à leptospirose da prefeitura, Cristiane Yuki.

Ela reforça a necessidade de a população fazer a própria parte para garantir a redução da infestação dos roedores na cidade. Os cidadãos podem solicitar a visita das equipes do Programa de Controle da Leptospirose pelo Fala Salvador 156.

Com o intuito de alertar a população sobre os riscos da leptospirose, além de identificar e combater situações que propiciam a presença de roedores, ampliando a prevenção e controle da infestação, a SMS, através do Centro de Controle de Zoonoses, iniciou nesta quarta-feira (11), uma intensificação nas praias de Salvador. Nesta quarta, as equipes realizaram visitas na extensão de praias da Barra até a Pituba. Já nesta quinta (12), as visitas ocorrem nas praias da Pituba até Stella Maris.

(Fotos de Bruno Concha/Secom/SMS)

A mobilização, que será finalizada no dia 23 de dezembro, contemplará toda orla soteropolitana e envolverá cerca de 100 profissionais entre agentes de combate às endemias, biólogos e veterinários do CCZ. 

“A presença dos roedores em áreas urbanas, além do incomodo, gera agravos com a leptospirose. Por esse motivo estaremos intensificando as ações de intervenção química para controle de roedores, aliada às atividades educativas em espaços públicos com grande fluxo turístico na cidade. A primeira etapa começa na orla marítima, de São Tomé de Paripe até a Praia do Flamengo, e subsequentemente seguiremos com a mobilização em parques, praças, mercados, feiras públicas, estações de transbordo e demais espaços com grande circulação de pessoas”, afirma Cristiane.

Sintomas e tratamento
A leptospirose se manifesta a partir de sintomas como febre, dores no corpo, dor de cabeça, que podem ser facilmente confudidos com o início de uma gripe. Isso faz com que, muitas vezes, a doença não seja diagnosticada no início, o que representa um fator de risco.

Causada por uma bactéria chamada Leptospira, a leptospirose é uma doença infecciosa, que, em até 40% dos casos pode ser fatal. O paciente diagnosticado precisa de cuidados médicos específicos e, a depender da gravidade, de internamento hospitalar.

A doença é, geralmente, associada aos ratos. Mas, a transmissão da leptospirose pode ocorrer não apenas por contato direto ou indireto com a urina dos roedores, mas também com a de outros animais, como bois, porcos, cavalos, cabras e até cães.

No período de chuvas, a urina contaminada mistura-se nos esgotos e ruas das cidades e até uma poça de água pode ser um foco de infecção. Desta forma, qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama pode infectar-se, basta o contato com a pele ou a ingestão da água contaminada. 

No entanto, não é preciso ter pânico. A leptospirose pode ser tratada por de antibióticos, hidratação e outras medidas adotadas de acordo com os sintomas. Os casos leves são acompanhados em consultório, enquanto os graves levam à internação hospitalar.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a vacina atualmente disponível não possui alto poder de proteção e a imunidade é de curta duração. Assim, a prevenção da leptospirose deve ser feita por meio de saneamento básico, além de cuidados de higiene pessoal e no preparo de alimentos.

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