Ônibus voltam a circular na Capelinha de São Caetano

salvador
21.01.2020, 18:56:00
(Eduardo Dias/CORREIO)

Ônibus voltam a circular na Capelinha de São Caetano

Motoristas evitaram bairro após dois coletivos serem assaltados nesta manhã

Os moradores da Capelinha de São Caetano já estão usufruindo do transporte público normalmente. Nesta terça-feira (21), ônibus deixaram de entrar no bairro com medo da violência, já que pela manhã coletivos foram alvo da ação de bandidos.

O clima de tensão tomou conta do bairro após homens encapuzados invadirem e roubarem dois ônibus, levando as chaves dos coletivos e pertences dos passageiros. O crime ocorreu na Rua Padre Antônio Vieira, principal via da Capelinha. Depois disso, os veículos pararam de trafegar no bairro e só retornaram por volta das 16h.

A Informação foi confirmada pelo vice-presidente do Sindicat dos Rodoviários, Fábio Primo, que informou ao CORREIO que os coletivos já estão circulando normalmente pela localidade. A decisão foi tomada em conjunto com os motoristas.

Assalto
Os veículos envolvidos no assalto foram um ônibus do Consórcio Integra OT Trans, que faz a linha Capelinha/Campo Grande, e um microônibus do Subsistema de Transporte Especial Complementar (Stec), que faz a linha Capelinha/Aeroclube.

Os dois ônibus foram desligados pelos criminosos e tiveram as chaves retiradas da ignição, impossibilitando a passagem de outros veículos na pista. Depois da ação, apenas três passageiros foram à sede do Grupo Especial de Repressão a Roubos de Coletivos (GERC), na Calçada, para registrar boletim de ocorrência.

Por conta da presença da polícia no bairro, os moradores evitavam falar com a imprensa. Após 5 horas, três viaturas da Polícia Militar, que faziam rondas em busca dos criminosos, deixaram o final de linha do bairro.

Após o crime, os motoristas ficaram com medo de entrar no bairro e estavam retornando de seus destinos no Largo da Argeral, divisão entre o São Caetano e a entrada da Capelinha.

Inicialmente, a polícia informou que o fato ocorreu após um assalto com homens encapuzados, que levaram pertences de passageiros e as chaves dos coletivos.

Em contato com a reportagem, o diretor adjunto do departamento jurídico do Sindicato dos Rodoviários, Pedro Celestino, apresentou uma outra versão. Segundo ele, não foi um assalto comum, e sim uma ação de traficantes de facções criminosas do bairro.

"Não foi um simples assalto. Isso foi uma retaliação contra trabalhadores e moradores. Eles queriam queimar os ônibus e, por pouco, não conseguiram", disse.

Ainda conforme o diretor, a insegurança na localidade tem sido rotina. "Está havendo uma guerra pelo tráfico por lá há alguns dias, onde facções rivais estão trocando tiros constantemente. O que fizeram foi uma forma de aterrorizar os moradores, eles fizeram isso na intenção de atrair a polícia para lá”, afirmou.

Pedro acrescenta ainda que, após o ocorrido, a orientação do sindicato foi para que os motoristas evitassem entrar no bairro, até que a segurança no local fosse reestabelecida. No entanto, apesar da presença da PM, o diretor não mudou de ideia.

“Geralmente quando acontece esse tipo de coisa, acendemos a luz vermelha e ficamos em alerta. Pensando em evitar um mal maior, a orientação é apenas voltar à normalidade quando tivermos a sensação de segurança. Apesar da presença da polícia no bairro, os trabalhadores não se sentiam à vontade de trafegar no local. Eles tomaram a decisão e nós, do sindicato, precisamos apoiá-los. Por enquanto, ainda não há previsão de retorno dos veículos até o final de linha, estamos conversando", completou.

Segurança
Em nota, a PM informou que a 9ª Companhia Independentemente de Policiamento Militar (CIPM/Pirajá) foi acionada e, ao chegar ao local, realizou rondas para localizar os criminosos. Acrescentou ainda que o policiamento está reforçado e permanente na região, inclusive no final de linha da Capelinha, com equipes do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) e do motopatrulhamento, além da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/Rondesp BTS.

De acordo com o secretário municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Fábio Mota, os ônibus seguirão sem trafegar dentro da Capelinha, até que a segurança seja reestabelecida. Segundo ele, a ordem para que os veículos não trafegassem, partiu do da Semob e foi acatada pelo Sindicato dos Rodoviários.

“Os veículos foram removidos para as suas garagens, os mecânicos levaram outras chaves, funcionaram e removeram do local. A ordem de não transitar no bairro partiu da Semob e o sindicato apoiou. Estamos com equipes no local, acompanhando a ação da polícia, mas o nosso termômetro são os rodoviários. Só vamos autorizar a entrada quando eles se sentirem seguros o suficiente”, explicou o secretário.

Levantamento
Através de assessoria de comunicação, o Consórcio Integra informou que não se manifesta em casos que envolva a segurança pública. No entanto, a empresa divulgou um levantamento feito no mês de dezembro de 2019, mostrando os locais onde ocorrem assaltos aos veículos com maior frequência em Salvador.

A Avenida ACM e a BR-324 lideram a lista com 14 ocorrências registradas cada uma, totalizando 8,14% dos assaltos a ônibus na cidade. Em seguida, o bairro de Cajazeiras somou 13 ocorrências no total, contabilizando 7,56% dos casos.

Confira o levantamento completo na lista abaixo:

(Foto: Divulgação/Integra)

*Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier

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