Pandemia e home office fazem buscas por novos imóveis aumentarem na Bahia

salvador
07.07.2020, 07:00:00
O apartamento decorado do Terrazzo San Lázzaro: empreendimento está disponível no A Casa Que Eu Quero (Foto: Divulgação)

Pandemia e home office fazem buscas por novos imóveis aumentarem na Bahia

Pesquisas apontam que baianos sonham com novas residências durante o isolamento social

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Em tempos de isolamento social, nossas casas nunca foram tão multifuncionais como hoje em dia. Se, antes,  trabalhar, fazer mercado e ir ao restaurante ou ao shopping era algo externo, agora, fazemos tudo dentro da nossa própria moradia, com home office e delivery. Só que, com tanto tempo dentro dessas mesmas paredes, muitos baianos estão ficando insatisfeitos com seus imóveis.

Prova disso é o feirão online A Casa Que Eu Quero, da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA). Com mais de mil unidades à venda, com preços a partir de R$ 129 mil, o evento já soma mais de R$ 10 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

Entre o dia que foi lançado, 8 de junho, e a última sexta-feira (3), o site da ação já contabilizou mais de 34 mil acessos, com uma média de 1.386 acessos por dia. São cerca de 770 contatos de potenciais clientes às construtoras, sendo mais da metade (53%) feitos por mulheres, com entre 25 e 44 anos. O sucesso é tanto que a iniciativa, que era para ser encerrada nesta terça-feira (7), foi prorrogada por mais 30 dias. Participam dessa segunda fase 16 incorporadoras, com 25 empreendimentos.

Não para por aí. Um levantamento da OLX mostrou que as buscas por imóveis na Bahia cresceram, em média, 23% durante a pandemia. A procura por casas e apartamentos com três ou mais quartos também aumentou em 31%, com salto de 36% para compra e de 21% para aluguel. A região Nordeste é a segunda do país com o maior crescimento no interesse em imóveis deste perfil, com aumento de 22% - perde apenas para a região Centro-Oeste (30%). Os dados são de abril e maio, em comparação com o mesmo período de 2019.

"Antes, nosso pico de buscas era às segundas-feiras. Mas, durante a pandemia, estamos notando que a procura por imóveis está forte durante todos os dias. Todo mundo está em casa, por muito mais tempo. Nunca as pessoas tiveram uma relação tão grande com suas moradias - e isso faz você repensar certas coisas que sua casa não tem, mas você desejaria", explica Marcelo Dadian, diretor de imóveis da OLX Brasil.

Marcelo Dadian: "Nunca as pessoas tiveram uma relação tão grande com suas moradias"
(Foto: Divulgação)

Uma outra pesquisa, feita pela Ademi-BA, com apoio da ABAP-BA e ABMP-BA, através da Hibou, mostrou uma certa insatisfação de muitos baianos com suas residências. O estudo entrevistou cerca de 500 pessoas, das quais 39,2% afirmaram que pensam em comprar imóveis nos próximos 12 meses. E 47.7% disseram que já começaram a buscar uma nova moradia.

Um ambiente apropriado para o home office é o sonho da grande maioria dos participantes: 72,9% comentaram que acham importante um local, dentro de casa, dedicado ao trabalho - não somente para o momento atual, como para o pós-pandemia. E 64.5% falaram que precisa ser um cômodo exclusivo da residência.

Essa é a meta de Luiza Rocha, 29. A advogada, atualmente, vive com a mãe, mas está a procura de uma morada só sua. Como trabalha bastante em casa, planeja um espaço para o home office.

"Na casa onde moro hoje, uso o notebook na mesa de jantar, o que acaba sendo ruim porque tem movimento na casa - além de ter uma cadeira desconfortável para passar várias horas. Tenho buscado imóvel de dois quartos justamente para poder transformar um deles em um escritório e ter esse conforto. Acho importante separar ambiente de trabalho, porque, se não tomarmos cuidado, parece que nossa casa vira uma extensão do trabalho, o que eu considero ruim”, fala.

Ambiente dedicado ao home office virou sonho para muitos baianos
(Foto: Shutterstock/Reprodução)

Na pesquisa da Ademi-BA, 73.9% dos participantes assumiram que pensam em um espaço exclusivo de estudo para as crianças, mesmo após as aulas voltarem.

"Nós passamos a exercer algumas atividades que, antes, não desempenhávamos em casa. A casa começou a ser multitarefas - a gente precisa trabalhar, os filhos têm que estudar. Os móveis atendem à ergonomia, para que a pessoa consiga, de fato, ficar muito tempo trabalhando e/ou estudando? Como é a manutenção, a limpeza? Tudo isso fez com que os baianos reavaliassem os imóveis e a forma de morar. E também passassem a pensar no futuro, já que o home office é uma das tendências que deve permanecer - no mínimo, em algumas vezes na semana", explica o presidente da Ademi-BA, Cláudio Cunha.

Olho no futuro
Segundo o diretor de imóveis da OLX Brasil, o isolamento social não é o motivo principal para a busca por uma nova residência - mas ajuda. "A compra de um novo apartamento ou casa é um processo super longo e demora muito tempo. O que a pandemia está servindo é para acelerar esse processo, é um gatilho para que haja essa mudança de lar. Está deixando uma pulguinha atrás da orelha", diz Dadian.

O advogado Fábio Pinheiro, 32 anos, se mudou durante a pandemia. O plano já existia desde o ano passado, graças a um vizinho barulhento, que fazia festas constantemente. As duas partes chegaram a se reunir, antes do isolamento social, com a presença do síndico, mas nada mudou.

Cansado desse incômodo, passou a procurar uma nova residência. E, assim como as estatísticas da OLX, optou por um apartamento maior, com três quartos - antes, ele vivia em um 2/4. O espaço a mais será para receber a filha, Laura, que nascerá nas próximas semanas. "Me permiti ser um pouco maior, já que recém-nascido tem muitos itens, como carrinho, banheira, etc", comenta.

"Muitas pessoas estão percebendo que moram mal e passaram a buscar por mais conforto, mais espaço e outros tipos de ambientes. Como a varanda, por exemplo. Outra coisa é uma boa ventilação e a vista - não necessariamente em ter uma vista bonita, mas sim uma casa que não seja tão perto de algum vizinho", explica Juliana Oliveira, sócia da JVF Empreendimentos.

O Adorato Cabula, da JVF Empreendimentos, está no feirão A Casa Que Eu Quero
(Foto: Divulgação)

Varanda, aliás, é outro desejo de Luiza. “Depois da pandemia passei a pensar também em buscar imóveis com varanda, para ter como tomar um sol e ter um ambiente mais de ar puro em casa. Não pensava nisso antes, mas agora passei a pensar. Não é um item determinante para eu fechar um negócio, mas tenho priorizado”, diz a advogada.

Onde encontrar imóveis?
Feirões online: os presenciais estão suspensos, mas outros feirões estão sendo realizados de forma online. Por exemplo, o A Casa Que Eu Quero, da Ademi-BA, que disponibiliza mais de mil imóveis em estoque. Pela plataforma, é possível ver imagens e vídeos dos empreendimentos, conversar com os corretores, tirar dúvidas e negociar toda a compra do imóvel.

Sites das construtoras: atráves dos portais das empresas, é possível ver os imóveis à venda no portfólio, com informações importantes como metro quadrado, quantidade de quartos e características das áreas comuns. Nesses sites, também há o contato direto com corretores, seja por Whatsapp, e-mail ou telefone.

Portais imobiliários: assim como os feirões online, esse tipo de portal reúne apartamentos e casas de várias corretoras diferentes - mas, além de achar imóveis à venda, é possível encontrar opções para alugar, para passar temporada, terrenos, empresariais, entre outros. A OLX é um exemplo. Na plataforma, o interessado pode incluir categorias como preço máximo e mínimo, tamanho da área, número de quartos e banheiros, e realizar a consulta e o negócio com o anunciante.

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