Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, lança autobiografia

entretenimento
21.03.2018, 06:10:00
Pedro Herz (fotos: divulgação)

Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, lança autobiografia

Empresário conta a história de sua vida e da empresa, que começou como uma locadora de livros e hoje é uma das maiores redes do gênero no país

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Pedro Herz está lançando a autobiografia O Livreiro, em que conta a história de sua família judia e como a Livraria Cultura se transformou em uma das grandes redes do gênero no Brasil, com 30 lojas, já incluindo aí as 12 unidades da Fnac no Brasil, em negociação que ocorreu no ano passado. Meses depois de adquirir as operações da Fnac brasileira, a Cultura comprou, em dezembro o sebo eletrônico Estante Virtual. “Pra mim, livro novo é livro que você nunca leu”, diz Pedro quando questionado sobre o que motivou a Cultura a adquirir uma loja de livros usados. O lançamento de O Livreiro em Salvador será nesta quarta (21), às 19h, na Livraria Cultura do Salvador Shopping, com a presença do autor, que conversou com o CORREIO.

A Livraria Cultura começou como uma locadora de livros, em sua casa. Como funcionava isso?
Minha mãe começou a ajudar meu pai em 1947. Ele era representante comercial e o que ganhava não era suficiente para sustentar a família. Minha mãe então começou a alugar livros para uns amigos alemães. Era uma biblioteca circulante formada por sócios, como ela os chamava. E sugeriram então que ela os vendesse e  ela começou a fazer isso em casa mesmo, cinco ou seis anos depois de começar o aluguel.

No ano passado, falou-se que a situação financeira da Cultura não era boa, mas logo depois a empresa adquiriu as operações da Fnac no Brasil. Em seguida, adquiriu o Estante Virtual (sebo que funciona na internet). Como foram aconteceram negócios?
Realmente, houve um período em que toda a indústria editorial passou por uma crise e ainda sofre brutalmente com ela. Mas surgiu a oportunidade da Fnac, que era um namoro desde 2012. E assumimos a Fnac no Brasil, cobrando pelo trabalho que estamos fazendo. A Estante também foi uma longa conversa e o que nos chamou a atenção foi o fato de ter ali  livros ótimos que não estão mais no mercado, que estão esgotados. Pra mim, livro novo é livro que você nunca leu.

Kurt e Eva Herz, pais de Pedro, eram imigrantes fugitivos da Alemanha nazista

Salvador recebeu a primeira loja da Cultura em 2010, quando a rede já tinha mais de 60 anos e já havia inaugurado lojas em outras capitais, além de São Paulo. Por que a demora de chegar à Bahia e como está a unidade soteropolitana?
A loja de Salvador vai muito bem, obrigado! Antes de inaugurar nossa loja aí, não víamos uma oportunidade viável, por questões como preço e localização. Até que surgiu o Salvador Shopping, de João Carlos Paes Mendonça e eu já o conhecia. Eles no convidou e foi uma boa oportunidade. O resultado da loja é bom, embora sofra com os mesmos problemas de outros shoppings ou cidades. E a loja daí tem um teatro muito movimentado.

Qual o futuro do livro de papel com a concorrência dos leitores digitais?
O leitor digital é um aliado do livro físico e não um competidor. Mas o problema do digital é que ele não cria leitores e nós vamos muito mal na escola. Além disso, o leitor deve ser feito em casa e depois ele vai escolher a mídia em que vai ler. Mas o livro digital vai mal no mundo todo, tanto que várias editoras abandonaram o setor porque as vendas são insignificantes. E repito: não é o aparelho que forma leitores.

Se os livros de papel ainda continuam em alta, os CDs e DVDs são mídias praticamente mortas.
Essa é uma das razões pela qual fizemos o negócio com a Fnac: para diversificar os produtos à venda e ter, por exemplo, eletrônicos. Em breve, a Fnac passará a ter um novo nome, que poderá ser Cultura, suprimindo o “livraria”. Mas ainda não sabemos.

O senhor tem um programa de entrevistas no YouTube, o Sala de Visitas. O que o motivou a criá-lo?
Comecei no (canal por assinatura) Arte1, porque acahva que pouco se falava da indústria editorial, que tem tanta gente envolvida, além do autor. Mas nunca se nunca se falou sobre questões que envolvem o editor ou o agente literário ou sobre como negociar direitos autorais fora do Brasil. O programa inédito ia ao ar uma vez por semana e era reprisado em vários horários. Mas hoje o grande concorrente da TV a cabo é o Youtube, então uma vez que subo uma entrevista, ela fica ali pra ver de qualquer lugar, a qualquer hora.

O jovem de hoje lê mais que o jovem do passado?
Alguns jovens leem mais sim. Mas muitos, que leem livros de blogueiros e youtubers, não são leitores ‘sustentáveis’. Mas J.K Rowling (autora da série Harry Potter) fez leitores que são agora leitores vorazes. Já os leitores de youtubers  são passageiros. Hoje, na Cultura há muitos adultos que foram leitores de Hary Potter e hoje são pais de crianças leitoras.
 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas