‘Pivete feio’, Matcheka transforma bullying em hit e convite da La Fúria; conheça

baianidades
08.09.2019, 06:30:00
Atualizado: 10.09.2019, 13:37:13

‘Pivete feio’, Matcheka transforma bullying em hit e convite da La Fúria; conheça

Banda com adolescente nunca fez show, mas já faz sucesso: vídeo viral nasceu em meio a manifestação por melhorias em escola pública de São Francisco do Conde

Depois de ir às ruas protestar contra goteiras nas salas, falta de cadeiras e até de merenda, um grupo de estudantes retorna ao prédio da Escola Estadual Martinho Salles Brasil, em São Francisco do Conde, no Recôncavo, e decide aguardar o desfecho da reunião convocada às pressas para discutir as pautas da manifestação. 

Enquanto diretoria e corpo docente se viram nos 30 para bolar uma satisfação aos alunos revoltosos, num corredor paralelo a rapaziada se junta pra resenhar, batucar e gravar um videozinho despretensioso, que calhou de ter exatamente 30 segundos de duração e uma inimaginável repercussão.

No embalo da percussão improvisada e dos gritos de molequeira, Matheus Júnior de Souza, 16 anos, sai de uma sala incorporado em 'Matcheka, Rei das Pepekas', e, entre passos de break, street e suingueira frenética, cai no gosto da internet numa performance apoteótica. Assista.

Bastaram mesmo só meio minuto para mostrar o talento e chamar a atenção da La Fúria. Bruno Magnata, vocalista do famoso grupo de pagode, chamou os meninos da banda O Swing.JD, da qual Matcheka faz parte, e a turma baixou em Salvador, na terça-feira (3). O menino, claro, voltou a meter a dança que viralizou e deu origem a memes, pastichesversões do seu treme-treme.

Mas, man, explique direito aí como foi que essa gravação nasceu. “Num ensaio da banda, eu fiz uma palhaçada e Rauan me chamou de feio. Aí Hebert falou: 'vem, Matcheka', e surgiu a música. Simples. No dia da manifestação, a gente pegou as mesas, botamos no corredor da escola, e aí eu avisei que ia sair da sala dançando. Deu nisso aí”, explica Matheus, que é baixista na Swing.JD, se referindo ao vocalista Rauan Ramos, 17, e a Hebert Santos, 17, trio de surdo (marcação).

Acompanhados em coro e palmas pelos colegas de escola Otávio, Toni, Leo, Bruno, Willie e Eduardo, trio e trupe vibraram e cantaram o zé-bonitismo de Matcheka, no final do mês passado.

“Pense ne um pivete, ne um pivete feio. Vem, Matcheka! Matcheka, Matcheka... Vem, Matcheka, Rei da Tcheka... (Não pára não, filadaputa!) Vem Matcheka, Matcheka... Faz a batedeira na pepeka”, resume a letra, que bombou rápido.

O estudante Matheus Júnior de Souza, 16, o Matcheka, além de dançar muito, toca vários instrumentos (Foto: Divulgação)

Bullying e virtuosidades
Ser chamado de feio não parece incomodar Matheus, que usa o nick @Rei_da_Tcheka no Insta. Aliás, o bullying que sofre desde pequeno, quando era chamado de Piu-piu (por ser magrelo, pequeno e cabeçudo), nunca balançou muito as estruturas dele. “Eu até gostava do apelido. Sempre levei numa boa, na esportiva. E não me acho feio”, conta o rapaz, cheio de autoestima.

Perguntei à psicóloga Ludmila Carvalho, especialista em jovens, se não ligar para a zuêra, como Matcheka, é a melhor forma de encarar os insultos. Segundo ela, “o bullying não tem uma forma ideal para lidar já que o enfrentamento é algo bem peculiar de cada indivíduo”.

“Mas este processo passa por uma aceitação de suas características, e para algumas pessoas essa aceitação se torna mais fácil ao encarar com humor algo que antes poderia ser um incômodo”, completa a dona da página @psicologiaparajovens.

Nascido em Candeias e adotado ainda bebê, Matheus foi acolhido por uma família de Chico Conde depois que sua avó cansou de vê-lo sofrer nas mãos da mãe. Matcheka, aliás, é mais uma corruptela de Makika – apelido do bebê – do que de Matheus. “Eu não sei o significado, mas é marcante, porque sou adotivo. Conhecia a minha mãe, pequeno, mas se eu ver, não conheço mais. E meu pai, não sei quem é. Quando fui entregue pra minha avó, que depois passou pra minha mãe (adotiva) Margarida, o pessoal me chamava assim. Não sei o que é”, comenta, curioso, o orgulho de Dona Margarida e Seu Manoel Jorge, seus pais de fato.

O aprimoramento na dança veio através de um projeto social desenvolvido no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade. "Entrei através de meus colegas, que eu vi eles dançando. Falei com o professor Pablo Macedo, e me inscrevi. É um curso de todos os estilos", explica Matcheka, que já participou de grupos de dança de hip hop e tocou por um bom tempo na Bamusic, uma fanfarra local.

É aí que rola a intersecção de virtuosidades do moço, porque embora tenha sido a dança presepeira que o notabilizou, o rapaz também manda bem demais tocando instrumentos.

“Meu sonho é ser músico profissional. Toco de tudo. Viola, baixo, cavaquinho, violão. Aprendi tudo olhando na internet”, conta Matcheka.

 A formação atual d'O Swing.JD, que aguarda a oportunidade para o primeiro show: Danilo XKL, Jefferson de Freitas, Rauan Ramos, Matheus Matcheka e Hebert Santos (Foto: Divulgação)

Primeiro show
Rotulada, registrada e carimbada há um ano, a banda O Swing.JD nunca fez um show na vida, mas já colhe os louros da fama por causa de uma escolha feita por Danilo Ribeiro, mais conhecido como Danilo XKL, 41. Foi ele quem descobriu Matcheka no projeto de dança do CRAS e o convidou para tocar baixo no grupo. 

“Ele faz aula de dança lá, toca em samba de roda, e eu descobri esse dom dele tocando porque ele pegou o violão e fez uma violeira no pagode. Fiz o convite pra ele lá no meu trabalho mesmo”, explica o servidor e produtor musical que fundou a banda junto com Jefferson de Freitas, 24, tocador de bacurinha.

A hora é de curtir o hit e do convite da La Fúria (vídeo acima), mas é preciso, para além disso, consolidar o sucesso. "A gente passa, e o pessoal já grita: 'vai, Matcheka'. Nos pontos de mototáxi, o pessoal de mercadinho da cidade, e todos os integrantes ficaram conhecidos como Matcheka. Algumas empresas de produção já estão assediando, e querem produzir o show", explica XKL, ao garantir que a banda tem de tudo no repertório: pagode, arrocha, samba-reggae, MPB, além das 29 músicas inéditas a serem gravadas. 

Se o convite de Magnata vai render uma gravação de Matcheka ou garantir um pouco mais que os 30 segundos de fama, ainda é incerto. 'Pero certo', o protesto por melhorias na escola, lá no início da história, já deu resultado.

A merenda já voltou a ser servida e a assessoria da Secretaria da Educação do Estado (SEC) informou a esta coluna que os “serviços de manutenção do auditório, contemplando a substituição de toda a cobertura, pintura, piso de alta resistência e forro em PVC, com 40% da obra já executados”, têm conclusão prevista para o mês que vem. Vem, Matcheka!


João Gabriel Galdea escreve sobre baianidades aos domingos


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