Polícia acha corpos de gêmeos baianos no prédio que caiu em SP

brasil
12.05.2018, 17:17:00
Atualizado: 12.05.2018, 17:19:55
Wendel e Werner, de 10 anos: restos mortais de gêmeos baianos foram encontrados nos escombros do prédio (Foto: acervo pessoal)

Polícia acha corpos de gêmeos baianos no prédio que caiu em SP

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, restos mortais de Wendel e Werner, de 10 anos, foram achados na quarta-feira

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A Polícia Técnico-Científica de São Paulo identificou os restos mortais dos irmãos gêmeos baianos Wendel e Werner, de 10 anos, de acordo com informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) neste sábado (12).

Os corpos dos meninos foram encontrados na última quarta-feira (9), no local do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo.

"O Núcleo de Biologia e Bioquímica do Instituto de Criminalística informa que o DNA recolhido dos remanescentes humanos de duas crianças encontrados na última quarta-feira (9) apresentou vínculo genético com o material fornecido pela família dos gêmeos", diz nota da SSP.

A mãe deles, a também baiana Selma Almeida da Silva, de 40 anos, ainda é procurada nos escombros. Todos os dias, 250 mil quilos de material são removidos do local, enquanto as buscas seguem.

A técnica de enfermagem Maria Almeida da Silva, lembra com carinho da irmã. “Graças a Deus, a gente era muito chegada. Somos sete irmãos, somos todos unidos. Selma tava em São Paulo, mas não tava jogada”, frisou.

Outros dois filhos de Selma, a menina Kevelyn Almeida da Silva Francisco, 14, e o pequeno Itacir, 9, moram com a avó no povoado de Agreste, a 64 km de Riacho de Santana, no Sudoeste baiano.

Selma e os filhos gêmeos (Fotos: Acervo pessoal)

Em entrevista ao CORREIO, Kevelyn lembra que morou com a mãe por um tempo em São Paulo, mas voltou à Bahia para morar com a avó, Romelita Almeida.

Cerca de 74 famílias habitam o povoado quilombola, de acordo com levantamento feita pela ONG Comissão Pró-Índio SP.

Selma gostava de morar em São Paulo e foi para o Sudeste quando tinha 18 anos, à procura de trabalho. “Era uma pessoa humilde, trabalhadora, se dava bem com todo mundo. Ela tava lá porque queria trabalhar”, contou Maria.

O município tinha cerca de 36.439 habitantes em 2017, segundo estimativa do IBGE. Em 2010, 54,7% dos riachenses possuíam rendimento mensal de, no máximo, meio salário mínimo.

Caçula, Maria esteve com Selma pela última vez há cinco anos, quando a irmã mais velha viajou de São Paulo para prestigiar sua formatura no ensino médio. Em 22 anos, Selma veio à Bahia por duas vezes. “A última vez que ela veio aqui foi em 2013. Em 2014 ela voltou pra lá. Em 2016 eu formei no técnico, ela falou que vinha, mas não veio”, relatou. As duas têm outros cinco irmãos.

Prefeitura ajudará família
Nessa segunda-feira (7), um dos irmãos de Selma, Uilian Almeida Silva, viajou para São Paulo acompanhado da mãe. Nesta terça (8) eles chegaram à capital paulista e mandaram notícias para a família. “Eles estão bem, resolvendo o que é de resolver”, conta Maria.

“Ela dava boa noite, dava bom dia, perguntava como eu tava... Antes dela ir pro trabalho e levar as crianças na escola, me perguntava se eu tinha dormido bem”, lembra Maria.

A Prefeitura de Riacho do Santana disse que designou uma assistente social para acompanhar a família. "Por se tratar de família carente, foi feito o pedido do traslado dos corpos, o que será feito, assim que possível, sem nenhum ônus para os familiares".

Buscas
Com a confirmação dos irmãos, até agora foram identificadas quatro vítimas do desabamento. Além deles, Francisco Lemos Dantas, de 56 anos (identificado na sexta-feira, 11 de maio) e Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, de 39 anos (identificado pelas digitais em 4 de maio).

Os bombeiros ainda buscam outras quatro vítimas: Selma Almeida da Silva, 40 (a mãe dos gêmeos); Eva Barbosa Lima, 42; Walmir Sousa Santos, 47; Gentil de Souza Rocha, 53.

O nome de Gentil de Souza Rocha entrou na lista na sexta-feira, depois que sua companheira procurou a Polícia Civil para registrar seu desaparecimento.

Neste sábado, os bombeiros localizaram dois ossos. Um deles parece ser uma costela humana. Na sexta-feira, a equipe localizou um fragmento de osso que aparenta ser o fêmur de um adulto.

Os ossos passarão por exames de comparação genética com material fornecido por parentes de desaparecidos.

Já é o 12º dia de buscas dos bombeiros. As equipes encontraram grande quantidade de água no segundo subsolo, o que dificulta as buscas nos escombros. O trabalho com as máquinas foi paralisado para a retirada da água.

“O corpo de Bombeiros chegou na parte que representava o segundo subsolo do prédio e nesse local foram encontrados dois veículos extremamente destruídos, são partes dos veículos, carcaças que foram retiradas, porém ele está inundado", disse o tenente Guilherme Derrite, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

De acordo com o tenente, as buscas devem ser encerradas até a próxima segunda-feira (14).

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