Prefeitura notifica estabelecimentos e testa moradores em três bairros de Salvador

salvador
23.02.2021, 05:00:00
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Prefeitura notifica estabelecimentos e testa moradores em três bairros de Salvador

Medidas restritivas seguem até domingo (28) em Brotas, Pituba e Itapuã

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Realização de testes rápidos, distribuição de máscaras, higienização de áreas públicas e fiscalização do cumprimento de normas sanitárias do comércio, que, até o dia 28 de fevereiro, funcionará das 10h às 16h somente. Foi assim nessa segunda-feira (22), primeiro dia de restrição em Itapuã, Pituba e Brotas, bairros com um grau de contaminação alto e que, por isso, são alvos de medidas mais duras contra o coronavírus. Na fiscalização, comboios de carros circularam, notificando donos e gerentes de estabelecimentos e fazendo com que estes voltassem a fechar as portas até o horário em que pudessem funcionar. 

De acordo com o coordenador de ações de proteção à vida, Fábio Mota, a restrição acontece de maneira direcionada nessas localidades por conta dos números de contaminação. "Infelizmente, esses três bairros continuam com um número muito alto de transmissão, sendo que, dos testes de covid-19, 24% dão positivo. Por isso, a prefeitura vai tomar medidas para interromper essa crescente, ação que não gostaríamos de fazer, mas se mostra  necessário", disse Mota, enquanto acompanhava a operação na Praça Ana Lúcia Magalhães, na Pituba.

Desde o final do ano passado, dois bairros são os que mais preocupam a gestão municipal pela alta porcentagem de testes positivos para o vírus entre 2 de dezembro e 21 de fevereiro. Em Brotas, 2.563 pessoas deram positivo entre os 10.787. Na Pituba, dos 10.832 que passaram por testagem, 1.985 tiveram a covid-19 no organismo. Números que, nos dois bairros, colocam a taxa de positivos em, respectivamente, 23,76% e 18,32%. Nessa segunda-feira (22), 150 pessoas foram testadas nos três bairros com restrição. Em Brotas e Itapuã, 39 pessoas deram positivo e na Pituba, 28 testados estavam com covid-19, registrando, respectivamente, uma taxa de contaminação de 26% e 18,66%. 

(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)
(Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Fiscalização do comércio
Pela manhã, na Pituba, quem desrespeitou as ordens anunciadas pelo prefeito Bruno Reis, na última sexta-feira (19), precisou fazer a retirada de clientes que estivessem no estabelecimento e fechar as portas. Teve até quem corresse para baixar as portas quando viu a equipe da Prefeitura, que estavam acompanhados por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) e do Batalhão Especializado em Policiamento de Eventos (Bepe), mas nenhum dos estabelecimentos abertos em horário indevido escapou da notificação e, mesmo com reclamação por parte dos responsáveis, todos foram fechados. 

A fiscalização, integrada por oito carros da Semop, Sedur, Guarda Civil e Bepe, foi às ruas do bairro, notificou e orientou o fechamento de seis estabelecimentos, que só puderam abrir as portas às 10h, com exceção de bares e restaurantes que, de acordo com o decreto, só podem funcionar a partir das 11h. Dos seis estabelecimentos, dois eram bares, uma delicatessen, uma barraca, uma lanchonete e um chaveiro. Um bar chegou a ter mesas e cadeiras apreendidas por colocá-las no passeio público sem autorização da Sedur.

Para a operação, cerca de 500 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estão espalhados pelos três bairros.

Para Átila Brandão, diretor de fiscalização da Sedur, a iniciativa de fiscalizar com mais rigor em localidades com alta taxa de transmissão já deu certo outras vezes e é um ótima alternativa no combate à pandemia. "No ano passado, tivemos ações similares como essa em relação ao horário de funcionamento e tivemos muito êxito. Vimos que, quando chegavámos nos bairros com esse tipo de operação, dias depois os números de contaminação caíam. Por isso, temos certeza que essa fiscalização é importante e teremos uma queda no número de casos", declarou.

Fiscalização de estabelecimentos é trunfo para reduzir taxa de contaminação (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Alta procura por testagem
Enquanto estabelecimentos tinham que fechar as portas por estarem funcionando fora do horário, os moradores saíram de casa para os postos de testagem da prefeitura. Delvair Nadier, 73 anos, aposentada, chegou às 6h no local porque acabou tendo contato com uma pessoa infectada. "Eu não estou sentindo nada, mas mesmo assim vim fazer o teste, não dá pra relaxar. Acabei sabendo que uma pessoa com quem tive contato testou positivo e estou aqui para tirar essa dúvida. Para mim, foi ótimo que a operação tenha começado, o negócio aqui não tá fácil, muita gente pegando", contou Delvair, que mora na Pituba.

Delvair não teve sintomas, mas foi se testar por precaução (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Quem teve o mesmo motivo da aposentada para fazer o teste foi a representante de laboratório Milena Mendes, 40. Não tendo a mesma sorte de Delvair, ela teve contato com um infectado por covid-19 e acabou desenvolvendo sintomas da doença como ausência de olfato e coriza. "Tô sentindo dor no corpo, coriza e também a falta do olfato.  Além do fato de ter muita gente pegando aqui, eu tive contato com uma pessoa que testou positivo e que mora em Brotas. Acho importante ter a certeza e a ação da Prefeitura facilita isso porque é prático e rápido. Assim a gente sabe se tem e pode evitar passar para outros se o resultado for positivo", afirmou.

Cidadãos foram testados em Brotas, Pituba e Itapuã (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Fábio Leal, 42, que é bombeiro e guarda-vidas, não mora na Pituba, mas saiu da Ribeira, outra localidade com alta taxa de contaminação para se testar e garantir a segurança da sua família, que tem duas pessoas do grupo de risco. "Eu tinha a necessidade de fazer o teste para me cuidar. É necessário, acho muito importante. Eu moro com minha esposa e minha sogra, que são do grupo de risco, e eu tenho que me precaver, ainda mais com esse tanto de caso estourando em todo lugar, inclusive, onde eu moro", explicou.

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

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