Promotora solicita notas do concurso de Rei Momo para avaliar polêmica

carnaval
18.02.2020, 16:08:00
Atualizado: 18.02.2020, 19:01:06

Promotora solicita notas do concurso de Rei Momo para avaliar polêmica

Rita Tourinho adianta que critérios são subjetivos

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A promotora do Ministério Público da Bahia (MP-BA) Rita Tourinho solicitou, nesta terça-feira (18), que a organização do concurso que elegeu o novo Rei Momo do Carnaval de Salvador forneça as notas dadas aos candidatos. 

Na última sexta-feira (14), o educador social Renildo Barbosa, eleito no ano passado, protocolou no MP-BA um pedido de análise do resultado do concurso. Segundo ele, Dilson Chagas, o Dilsinho, escolhido para ocupar o posto este ano, não cumpriu critérios do regulamento da disputa.

Ao CORREIO, Rita Tourinho informou que já entrou em contato com a organização do concurso o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e, após receber as notas dadas para todos os candidatos no concurso, avaliará o caso. 

"O que o Comcar (Conselho Municipal do Carnaval) já me adiantou é que, apesar dos adereços do vencedor terem sido os mais simples, ele teve uma performance melhor. Os critérios do concurso são de ordem subjetiva, como expressão, apresentação, performance. Então, em princípio, não sei se teremos elementos para tomar medidas. De qualquer forma, vamos analisar as notas", explica ela, que espera receber este material até a manhã desta quarta (19).

O comerciante Dilson Chagas é eleito Rei Momo do Carnaval de Salvador 2020 após nove tentativas (Foto: divulgação)

De acordo com o coordenador executivo do concurso e vice-presidente do Comcar, Reginaldo Santos, que enviará a documentação, nada deve mudar a eleição de Dilsinho. 

"Ele está eleito, consagrado e receberá a chave da cidade normalmente. Vamos enviar a documentação ao MP, com a lista dos jurados, dos critérios avaliados e as notas atribuídas, para mostrar a lisura do processo", garante.

Segundo Reginaldo, questionar a eleição pensando apenas nos adereços é um ato totalmente equivocado. "A insatisfação do pessoal se dá porque tem quem ache que luxo e glamour são tudo. Às vezes uma palavra vale mais que uma roupa bonita. Dilsinho chamou atenção pela simplicidade, solidariedade, desembaraço. Ele discursou sobre a questão da saúde público, das mulheres, foi aplaudido. São quesitos subjetivos e que cativaram mais que os adereços", completou.

Candidato na eleição para Rei Momo 2020, Renildo questiona a desenvoltura durante a apresentação do novo comandante da folia momesca. Segundo uma carta aberta publicada em suas redes sociais, Barbosa afirma que Chagas vestiu uma roupa que “usa há mais de 5 anos e tênis. Leu um discurso enviesado, tremendo e chorando. Repetiu várias vezes que era candidato há 9 concursos e esta seria a décima tentativa”, declarou.

Relembre
Candidato na eleição para Rei Momo 2020, Renildo questionou no MP a desenvoltura durante a apresentação do novo comandante da folia momesca. Segundo uma carta aberta publicada em suas redes sociais, Barbosa afirma que Chagas vestiu uma roupa que “usa há mais de 5 anos e tênis. Leu um discurso enviesado, tremendo e chorando. Repetiu várias vezes que era candidato há 9 concursos e esta seria a décima tentativa”, declarou.

Na publicação, Renildo conta que os outros candidatos teriam cumprido todas as tarefas e que não foram cumpridos atributos como cordialidade, desenvoltura, adereços e facilidade de expressão, que constam no regulamento do concurso. “Ele não entregou música no prazo até quinta passada e usou a banda para tocar na apresentação. Ou seja: não levou torcida, não teve fantasia, não levou música e leu um texto como discurso”, escreveu.

Renildo Barbosa, que foi eleito como um dos guardiões do Rei Momo, pede ainda que as notas dadas aos candidatos sejam divulgadas e que os nomes dos jurados do concurso sejam revelados. 

Segundo o MP-BA, o documento foi protocolado no Grupo de Atuação Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (GEPAM) e encaminhado para a análise da promotora Rita Tourinho. 

Em meio à polêmica, a Federação das Entidades Carnavalescas e Culturais da Bahia, que organiza o concurso, divulgou a realização de uma reunião da corte momesca. A nota divulgada para a imprensa informa que o encontro tem como "finalidade fazer ajustes da programação a ser executada durante o Carnaval 2020".

Esta foi a 60ª edição do concurso, que é uma realização da Federação das Entidades Culturais e Carnavalesca juntamente com o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar). O publicitário Alan Nery e o educador social Renildo Barbosa, que ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente, foram eleitos os guardiões do Rei Momo, espécie de braço direito da autoridade da folia baiana.

O CORREIO Folia tem o patrocínio do Hapvida, Sotero Ambiental, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador e apoio do Salvador Bahia Airport e Claro.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas