Prouni oferece 17,1 mil vagas na Bahia; veja quem pode concorrer a bolsa integral

salvador
23.02.2022, 05:15:00
(Divulgação)

Prouni oferece 17,1 mil vagas na Bahia; veja quem pode concorrer a bolsa integral

As inscrições para faculdades particulares vão até sexta-feira (25)

Quem fez as edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2021 ou em 2020 e está em busca de uma vaga no ensino superior, mas não tem condições de arcar com a mensalidade de uma faculdade particular, pode encontrar uma oportunidade nos próximos dias. A Bahia é quinto estado com maior número de vagas pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), são 17.179 disponibilizadas em instituições privadas. As inscrições estão abertas desde terça-feira (22) no site e ficam disponíveis até sexta-feira (25). A primeira chamada será feita no dia 2 de março.

Com o programa, é possível conseguir dois tipos de bolsas em faculdades particulares. O candidato pode obter a bolsa integral caso comprove renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até 1,5 salário-mínimo (R$ 1.818). Para a bolsa parcial, de 50% do valor da mensalidade, a renda mensal por pessoa deve ser de até três mínimos (R$ 3.636). 

Além disso, o candidato precisa se encaixar em uma dessas cinco categorias: ter cursado o ensino médio completo em escola pública; ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa integral; ter cursado parcialmente o ensino médio em escola da rede pública e parcialmente em particular, como bolsista integral; ser PCD (pessoa com deficiência; ou ser professor da rede pública de ensino no exercício da profissão. É preciso ter tirado ao menos 450 no Enem e não ter zerado a redação.   

Neste ano, a oferta de bolsas bateu recorde e são mais de 273 mil para todo o Brasil. Em Salvador, estão sendo ofertadas vagas em 158 cursos, um aumento de 20% em comparação com o segundo semestre do ano passado – quando foram 125. Dentre as graduações disponíveis estão cursos mais procurados e concorridos. Medicina, por exemplo, é ofertada em três faculdades diferentes (UnidomPedro, Uniftc e Unifacs) e possui 12 vagas para ampla concorrência e 36 para cotistas, todas de bolsas integrais. Com o Prouni, o estudante deixa de pagar mensalidades que custam entre R$ 10.110 e R$ 11.611. 

Para o curso de Direito, 12 universidades ofertam 139 vagas, entre bolsas parciais e integrais. As mensalidades para este curso são entre R$ 820 e R$ 2.690. Outras graduações disponíveis são Administração, com 185 bolsas integrais e 45 parciais; Arquitetura e Urbanismo, com 11 bolsas integrais e 15 parciais; Engenharia Elétrica, com 30 bolsas integrais e 11 parciais; e Pedagogia, com 135 bolsas integrais e 18 parciais. 

Arthur Gabriel Oliveira tem 18 anos e mora em Teixeira de Freitas, no sul do estado. O jovem concluiu o ensino médio no ano passado no Colégio Estadual da Polícia Militar Anísio Teixeira, por isso, se enquadra nos critérios do Prouni. Ele conta que pretende cursar alguma engenharia e está em dúvida entre aeronáutica, ambiental ou mecânica. “No caso das áreas ambiental e florestal, são bastante proeminentes na minha região, devido a empresas como a Suzano”, ressalta.  

Arthur fez o ensino médio em um colégio militar e deseja cursar Engenharia

(Foto: Arquivo Pessoal)

Ansioso para conseguir uma vaga em universidade federal, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ou em instituição privada, pelo Prouni, ele diz que, por questões financeiras, pretende ficar na sua cidade de origem, mas isso pode mudar a depender das portas que vão se abrir com os programas nos próximos dias. 

“Muitas áreas me possibilitam trabalhar e estudar, porém a prioridade é que o curso seja feito aqui onde moro, pela estabilidade financeira menos incerta. O Prouni pode ser decisivo para que eu possa começar a cursar um curso superior ainda este ano”, afirma Arthur.  

Já o estudante Gabriel Ribeiro, morador de Riachão do Jacuípe, no nordeste da Bahia, não foi aprovado pelo Sisu na chamada regular no curso de Direito, sua primeira opção de curso. Com 21 anos, o jovem acredita que o Prouni pode trazer novas oportunidades para que ele mude de cidade.  

“Sempre fui estudante de escola pública e meus pais são lavradores, então consigo me encaixar no perfil de até 100% de bolsa. Estou em busca de uma vida mais tranquila e estável, para mim e para meus pais”, diz Gabriel.  

Ele, que já sofreu com transtorno de ansiedade em outros momentos da vida e fez o primeiro Enem em 2017, conta que tem conseguido driblar a tensão pré-resultado: “Tem me deixado bastante ansioso, mas esse ano estou mais calmo do que nos anteriores” 

Gabriel acredita que pode mudar de vida ao cursar Direito com auxílio do Prouni

(Foto: Arquivo Pessoal)

Mudanças no Prouni 

A edição do Prouni de 2022 trouxe mudanças importantes para os estudantes que desejam ingressar em faculdades privadas do país. A primeira delas, que passa a valer já neste semestre, é a inclusão de candidatos que fizeram o Enem 2020. Até então só era permitido participar do programa alunos que tivessem feito a última edição do programa. Segundo o MEC, a medida tem objetivo de reduzir a atual ociosidade de bolsas. 

Outra mudança anunciada foi a inclusão de estudantes já formados, mas somente os que queiram se inscrever em cursos de licenciatura. Ou seja, aqueles que queiram atuar, em sua própria área, como professor. Uma outra decisão, tomada via Medida Provisória pelo presidente Jair Bolsonaro, permite que alunos que cursaram o ensino médio em colégios particulares e sem bolsa de estudos integral participem do Prouni. Essa medida, no entanto, só passa a valer no segundo semestre de 2022. 

Particulares tem uma vaga para cada 10 alunos matriculados 

O presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior Particular da Bahia (Semesb) e reitor da Unirb, Carlos Joel Pereira, explica como funciona a distribuição das vagas em universidades particulares. O que as instituições fazem é a transformação do imposto que deveria ser pago para o estado em bolsas.  

Segundo ele, se uma faculdade possui 100 alunos que pagam R$ 1.000 de mensalidade, 10% do faturamento deveria ser pago como imposto federal, ou seja, R$ 10.000. Então, esse valor corresponde a 10 bolsas que a instituição pode deixar disponível para a União ocupar, ao invés de pagar o tributo diretamente ao Estado. 

“Do ponto de vista formal, existe a obrigação de 10% do valor do faturamento ser retribuição tributária. Então, além de uma eficiência do ponto de vista fiscal, porque não precisa ter aquela rotina de boletos, a faculdade entrega de forma direta o tributo à sociedade”, afirma Carlos Joel. 

O presidente diz ainda que o Prouni, criado em 2004, é o programa mais interessante já feito no uso do tributo que as empresas pagam. “O programa possibilita que milhares de pessoas que não teriam oportunidade de frequentar o ensino superior, possam ter acesso. Do ponto de vista da distribuição de renda, é um dos programas mais eficientes que temos.” Carlos Joel também destaca que os resultados são bons, porque os estudantes bolsistas trazem mais qualidade acadêmica por serem mais esforçados.  

Diferentemente do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o aluno que for cursar o Prouni consegue a bolsa estudantil e não precisa arcar com dívidas futuras, como ocorre no outro programa. 

Tecnologia e marketing digital estão em alta nas profissões 

Se antigamente finalizar uma graduação em uma instituição de ensino superior era o suficiente para ter garantia de um futuro próspero, hoje em dia não é bem assim. Fabíola Matos, sócia-diretora da Arttha Gestão & RH, afirma que profissões que antes eram consideradas como passaporte para sucesso financeiro podem não estar tão em alta. Para ela, áreas que envolvam tecnologia e marketing oferecem boas oportunidades no mercado de trabalho. 

“Na Medicina, os profissionais que se tornam especializados e vão para área de pesquisa e cirurgias, tendem a se destacar. Já no Direito, eu digo que é uma grande lenda. É só olhar a oferta de vagas especializadas contratando advogados com a remuneração inicial de R$ 1.300, porque há uma saturação de mercado”, ressalta.  

Sobre as engenharias, Fabíola Matos explica que as que envolvem as especialidades de energias renováveis e petróleo de gás podem oferecer mais oportunidades de emprego. “As relações profissionais mudaram com as redes sociais e isso domina muito seguimentos, temos algumas áreas como marketing digital, especialistas de e-commerce são áreas muito visadas”. Além da área de tecnologia, a diretora também aponta que a área de vendas e finanças também são opções interessantes.  

“Também vale a pena destacar que com a lógica do teletrabalho, temos empresas que estão sediadas em outros estados e contratam funcionários que vão trabalhar remotamente”, diz. Segundo Fabíola, o porte da empresa, a localidade e o nível de formação do trabalhador são o que explicam a remuneração ofertada. “Mas uma crença fundamental minha é que a escolha pela grana não é uma escolha que tende a ser feliz”, destaca a diretora. Para ela, os profissionais devem escolher profissões pelo que gostam e não somente pelo retorno financeiro.

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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