Qualidade de vida é determinante para diabéticos

saúde
16.08.2018, 04:00:00
Atualizado: 11.01.2019, 18:42:27
(fotos: Shutterstock)
Estúdio Correio -

Qualidade de vida é determinante para diabéticos

Praticar atividade física e melhorar a alimentação são fundamentais

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Doze e meio milhões de pessoas foram diagnosticadas com diabetes no Brasil em 2017. A doença cresceu 61% nos últimos dez anos. Os dados alarmantes da Federação Internacional de Diabetes e do Ministério da Saúde chamam a atenção para a maior causa do problema: a má qualidade de vida do brasileiro. “A herança genética é predisponente, mas o estilo de vida é determinante”, explica Renata Cerqueira, endocrinologista do Hapvida.

Nos dois tipos mais conhecidos da doença, 1 e 2, a prática de atividade física, uma alimentação balanceada e uma vida menos estressante são fatores decisivos. Para o primeiro grupo, mesmo a diabete sendo autoimune e com tratamento à base de insulina, é de extrema importância que o paciente, geralmente crianças e adolescentes, pratiquem regularmente algum exercício físico. Além disto, é necessário controlar os níveis de ingestão de açúcares e de carboidratos simples, como pão, macarrão e farinha.

No segundo grupo de classificação da doença, que é o mais frequente no Brasil, tem muita relação com predisposição genética, mas costuma se manifestar em pessoas que não se preocupam com a qualidade da vida que levam. “Antigamente, dificilmente eu fazia um diagnóstico de diabetes tipo 2 em paciente com menos de 40 anos. Hoje, tenho vários casos entre 20 e 30 anos. Geralmente, o paciente tem herança genética, mas é obeso, sedentário, come mal, bebe muito, é sedentário e vive estressado”, relata a endocrinologista.

Praticar uma atividade física é fundamental para evitar o risco da diabetes 

Riscos
Por ser uma doença silenciosa, é muito subestimada pelos pacientes. “Quando a gente faz um diagnóstico de diabetes, estima-se que este paciente já tem, no mínimo, dois anos de doença sem tratamento. Isso é muito complicado. 80% dos pacientes no consultório, quando chegam, já têm lesão microvascular. Já tem vasinhos periféricos circulatórios e nos olhos comprometidos”, lamenta a especialista. 

Ao descobrir a doença, quem não segue de forma prudente o tratamento prescrito pelo médico, tem um aumento das taxas de açúcar no sangue (hiperglicemia) e corre o risco de sofrer insuficiência renal, doenças cardiovasculares e amputações dos membros inferiores.

As mortes por diabetes cresceram 12% no Brasil. Nos últimos seis anos, mais de 400 mil brasileiros perderam a vida em decorrência da doença segundo o Ministério da Saúde. “As pessoas não têm medo da diabetes, mas morrem de medo do coração, por exemplo. Elas não têm noção que o que verdadeiramente mata não é a pressão, mas sim a diabetes”, alerta a endocrinologista.

Para a diabetes, as duas mais valiosas recomendações, segundo a médica, são mesmo praticar atividade física e melhorar a alimentação. “E eu não estou falando em fazer dieta. Eu falo de coisas que são palpáveis para qualquer pessoa. Comer bem não é caro. Alimentos saudáveis podem ser comprados em feiras. Não estou aqui falando também para ser atleta. É cuidar do corpo. Caro é tratar diabetes. É uma doença muito cara. É muito mais econômico você praticar um estilo mais saudável de vida”, aconselha a endocrinologista do Hapvida.

Qual a diferença?

Diabetes tipo 1: 

Doença autoimune. Adquirida enquanto crianças ou adolescente. O pâncreas não produz insulin

O diagnóstico ocorre principalmente em crianças e adolescentes, mas adultos também podem ser diagnosticados com esse tipo de diabetes. Geralmente são pessoas magras. O tratamento é feito com insulina e mudança de estilo de vida.

Diabetes tipo 2

Adquirida ao longo da vida. Tipo mais frequente e tem relação com estilo de vida

A insulina produzida pelo pâncreas não é suficiente ou não age de forma adequada. É mais comum em adultos com histórico da doença na família, mas pode aparecer em qualquer pessoa que não tenha uma boa qualidade de vida. O tratamento é com medicamentos, mudança de estilo de vida e pode ser preciso o uso de insulina.

Como posso evitar diabetes tipo 2

  1. Prática regular de atividade física. Mínimo de 30 minutos por 3x na semana
  2. Alimentação balanceada. Evitar carboidratos simples e açúcares
  3. Eliminar tabagismo
  4. Vida com menos estresse
  5. Reduzir consumo de bebida alcoólica. Atinge também o pâncreas e levar à diabetes

Células-tronco para tratar diabetes tipo 1

Quem tem diabetes tipo 1 ganhou uma nova esperança para a cura. Pesquisadores brasileiros revelaram este mês um estudo que relaciona o transplante de células-tronco. O tratamento se mostrou bastante eficaz já nos testes, deixando 84% dos doentes que se submeteram ao transplante livres de insulina. “A ideia é fazer um reset no sistema imunológico”, explica Renata Cerqueira, a endocrinologista do Hapvida. O paciente é submetido a altas doses de quimioterapia e reiniciado do zero, com infusão, pela veia, de células-tronco da medula óssea do próprio doente - coletadas e congeladas antes do início do procedimento.

Está grávida? É preciso ter cuidado!

“Uma paciente saudável pode desenvolver diabetes gestacional por conta da mudança metabólica. Acontece durante a gestação e tem que ter um controle muito bem feito. Essa paciente só pode usar um tipo de medicamento, metformina. O pré-natal é de alto risco, porque corre o risco não só a mãe, como também a criança. Nosso maior medo é nascer um bebê macrossômico, que é uma criança muito grande, e tenha uma hipoglicemia. Durante a gravidez, tem que cuidar bem da alimentação para evitar o diabetes gestacional. Depois que ela tiver o filho, tem que acompanhar o caso com o médico para não evoluir para uma diabetes, principalmente nos primeiros cinco anos”, afirma a endocrinologista.

Durante a gravidez, tem que cuidar bem da alimentação para evitar o diabetes gestacional

Números

12,5 milhões de pessoas foram diagnosticadas com diabetes no Brasil em 2017, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes

A diabetes cresceu 61% de 2006 a 2016, segundo o Ministério da Saúde

400 mil brasileiros morreram por diabetes nos últimos seis anos, informa o Ministério da Saúde

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