Que tal trocar o licor por um vinho licoroso em seu São João?

paula theotonio
19.06.2022, 06:00:00

Que tal trocar o licor por um vinho licoroso em seu São João?

Não tem quentão, cerveja e nem whisky certos. No São João, o baiano gosta mesmo é de um bom licor para esquentar as noites frias de inverno. Mas entre os bebedores de vinhos, há quem abra espaço também para os vinhos licorosos —  de maior teor alcoólico e dulçor elevado.

Bebedores de vinho têm opção adequada para o período mais frio do inverno (Foto: Divulgação)

Diferente dos licores com jenipapo, por exemplo, os vinhos licorosos são elaborados a partir da fermentação alcoólica do sumo das uvas, sejam elas tintas ou brancas. O que os diferencia dos demais vinhos tranquilos é a adição de algum destilado (aguardentes de uva ou brandy); e/ou vinificação das uvas com nível mais alto de açúcar natural.

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A seguir, veja alguns destaques nessas categorias:

FORTIFICADOS 

Vinho do Porto  
Esta joia do Douro, em Portugal, é o mais famoso de todos os vinhos licorosos, e pode ser encontrado nas versões branca, rosé e tinta. Para que ele se torne a potência que conhecemos, é adicionado uma aguardente de vinho durante a fermentação – processo conhecido como fortificação. Isso “mata” as leveduras que estavam no tanque ou barrica, transformando açúcar em álcool, garantindo alto nível alcoólico e bastante dulçor na taça. Depois disso, a bebida passa por envelhecimento em madeira: de 2 a 3 anos no estilo Ruby (de cor violeta mais viva e aroma de frutas vermelhas) e pelo menos 5 anos no estilo Tawny (de tons terrosos e aromas de frutas secas).
Sugestão: Taylor’s Port Fine Ruby (R$ 133,41 no Almacén Pepe)
 

Madeira  
Natural da atlântica Ilha de Madeira, este exemplar tem um processo diferenciado de produção. A fermentação pode ser parcial ou total, e o momento da fortificação com álcool vínico será definido de acordo com o grau de doçura pretendido. Em seguida, o vinho é aquecido: seja em cubas de inox (estufagem) ou lentamente em barris de madeira expostos ao calor natural (canteiro). Essa estratégia é uma tentativa de recriar as condições de transporte das garrafas na época das grandes navegações, quando esse fortificado surgiu. É ele quem, originalmente, compõe a receita de Molho Madeira!
Sugestão: Justino’s Madeira 3 anos (R$ 140 na Sala de Vinhos)

Jerez (ou Xerez, Sherry...)  
Esta família espanhola de fortificados tem vinhos elaborados exclusivamente com uvas brancas, como Palomino, Pedro Ximénez ou Moscatel. São diversos os estilos, com menos ou mais álcool e açúcar, menor ou maior tempo de envelhecimento, diferentes métodos de produção, mas todos valem a pena. Para o São João, uma boa pedida são os Jerez PX: aqui as uvas são desidratadas sob o sol após colhidas até ficarem passas, resultando em um mosto altamente concentrado em açúcar. A fortificação do vinho é feita no início da fermentação e, depois, a bebida envelhece em botas de carvalho. Lembra o melaço de cana e é o vinho mais doce que se tem notícia! 
Sugestão: Barbadillo Pedro Ximénez Sherry (R$ 221 na WorldWine)

Há diversos outros fortificados pelo mundo, inclusive no Brasil. Busque por Marsala (Itália), Moscatel de Alexandria (Portugal), Banyuls (França)...
 

COLHEITA TARDIA

  1. Botritizados: Sauternes e Tokaji

Da região de Bordeaux, na França, os rótulos de Sauternes são sempre brancos – elaborados com as castas Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle. Aqui, a desidratação é biológica: em fase final de maturação, as uvas são “atacadas” pelos fungos Botrytis cinerea, que rompem as cascas e facilitam a evaporação da água do fruto. Esse processo é chamado de “podridão nobre” e concentra açúcares e ácidos, proporcionando grande complexidade aromática. O equivalente húngaro é o icônico Tokaji (fala-se “Tokai”). Ambos também são conhecidos como “vinhos botritizados”.

  1. Late Harvest

Estes são, basicamente, elaborados com uvas sadias, colhidas já sobremaduras. A desidratação é natural e ocorre ainda no vinhedo. São mais facilmente encontrados em diversas vinícolas pelo mundo e, normalmente, ganham aromas e sabores cítricos.

Sugestões:

Aurora Colheita Tardia Branco (cerca de R$ 35 em casas especializadas)

Miolo Late Harvest (cerca de R$ 70 em casas especializadas)

  1. Icewine ou Eiswein

Tão raros quanto interessantes, os “ice wine” são preparados a partir de uvas congeladas em países mais frios, como Canadá e Suíça. Os frutos são colhidos e processados “pedrados” e todo o gelo – formado por água pura – não se mistura com o sumo, deixando um suco superconcentrado. O mosto então passa por fermentação em tanques, o que leva de três a quatro meses. O dulçor é natural, residual da fruta; e o álcool é o que resultou da fermentação – sem adições ou ajustes.

TEMPERATURA DE CONSUMO:

  •  Porto Ruby:  12-16 °C.
  •  Porto Tawny 10-14 °C
  •  Madeira: 16 °C
  •  Jerex PX: 12 °C
  •  Sauternes: 8-10 °C
  •  Late Harvest: 10-12 °C

TAÇA IDEAL:

Evite as taças muito pequenas de licor. Prefira cristal e use uma boa taça de vinho branco (um pouco menor que a de tinto) ou a ISO para degustação, pois ambas permitem bom desenvolvimento dos aromas. Sirva somente 1/3.

E aí, ficou tentado(a) a fazer a troca de um licor por um vinho licoroso?


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