Relação abalada: cinco conselhos para fazer as pazes com a escola onde seu filho estuda

coronavírus
27.12.2020, 15:00:00
(Foto: Shutterstock)

Relação abalada: cinco conselhos para fazer as pazes com a escola onde seu filho estuda

Especialistas em educação destacam a importância do diálogo, empatia e comunicação para os dois lados

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O militar Júlio Bonfim é um dos exemplos de desgaste na relação entre pais e escolas. “Ao questionar sobre EAD e desconto na mensalidade, as respostas demoraram muito e quase sempre foram insatisfatórias. O que houve foi uma série de decisões unilaterais da escola em que minha filha estuda, que só me foram comunicadas. Fiquei muito insatisfeito”, conta.

A lei estadual garantiu a redução das mensalidades de até 30%  foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, no início do mês, o Ministério da Educação (MEC) homologou a resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) que autoriza as escolas a oferecerem o ensino remoto enquanto durar a pandemia.   Seja por conta do desconto nas mensalidades ou pela convivência necessária com ensino remoto – o fato é muita gente sentiu que a relação com a escola ficou fragilizada depois das batalhas travadas nos últimos meses.

O ano letivo está acabando, mas o ensino remoto deve permanecer em 2021.  O Grupo de Valorização da Educação (GVE), que reúne cerca de 60 instituições privadas de ensino de Salvador e Lauro de Freitas, anunciou no último dia 17, que as escolas retornam com as aulas online em fevereiro. O poder público, no entanto, não confirmou nenhuma data para a retomada presencial. Até lá, para os pais, fica a decisão de reavaliar se vale a pena manter os filhos na mesma escola e reconstruir essa confiança ou se é melhor buscar outras instituições de ensino.

Indecisos ou não, segundo dados do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), menos de 20% das matrículas dos cursos de Educação Infantil foram efetivadas desde que as instituições abriram a oferta para o ano letivo de 2021, no mês passado. Para os cursos de Ensino Fundamental e Médio, a estimativa é de 60%.

E ainda dá tempo de recuperar e também fortalecer essa relação? Para quem optar pela conciliação, especialistas em Educação destacaram cinco conselhos que podem ajudar a fazer as pazes com a escola. No entanto, fica o alerta: a via é de mão dupla, como argumenta a psicanalista, orientadora educacional e educadora parental, Larissa Machado.

“Vemos muitos pais se queixando da escola nos grupos de WhatsApp. A escola tem que se mostrar aberta e acessível, escutando e se colocando com franqueza e transparência. A parceria só acontece, a partir de soluções conjuntas alternativas possíveis, considerando as variáveis”.

Para a pedagoga e professora do UniRuy, Claudia Trindade, não há como negar que as recentes mudanças na pandemia evidenciaram ainda mais essa importância. “Tanto que as famílias tiveram que aprender a lidar com as emoções no olho do furacão. As falhas estavam ligadas ao despreparo de algumas instituições em gerenciar crise, tendo como principal consequência a falta de acolhimento e de uma comunicação efetiva”, pontua.

Objetivos comuns
A gerente Letícia Oliveira, não se sentiu muito acolhida pela escola, principalmente diante de todas as demandas do home office. Mãe da pequena Maria Vitória, de 5 anos, incomodou, principalmente, a abordagem que a instituição usou.  

“A escola não tentou reverter a situação. Porém, fez questão de informar para os pais em reunião virtual, que havia uma legislação que tratava da obrigatoriedade da matrícula e que se os pais cancelassem a matrícula poderiam ser processados pelo Ministério Público”.

Propostas, o projeto político-pedagógico e o plano para 2021: a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (Seção Bahia), Joanice Bezerra, ressalta o quanto é indispensável que os pais avaliem e reavaliem esses pontos antes de efetivar a matrícula para o ano que vem.

“Não abra mão do diálogo, da conversa sobre as formas e alternativas para o retorno pós-pandemia. A confiança só se consolida quando eu sei quais os objetivos do grupo escolar e essa instituição sabe também o que eu enquanto família espero dela”, aconselha.


DICAS PARA FORTALECER A RELAÇÃO ENTRE PAIS E ESCOLA

Escuta dos dois lados  O processo de construção da relação de confiança com a escola onde seu filho estuda é gradativo, como pontua a pedagoga e professora do UniRuy, Claudia Trindade. “É importante que a escola tenha transparência nas práticas administrativas e que apresente um projeto pedagógico adaptado à nova realidade, inspirando confiança para os pais. Por outro lado, os pais - por mais difícil que seja a rotina imposta pela pandemia - precisam continuar atuantes nesse processo”, afirma.

Empatia  Para a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (Seção Bahia), Joanice Bezerra, ambos devem se colocar no lugar um do outro, sobretudo, nesse momento. “Nós precisamos buscar alternativas. Como fazer? A minha responsabilidade enquanto família continua a mesma. E a da escola, também. O que mudou foi o formato. As instituições  têm que convidar a família e  discutir o que pode ser feito junto. É preciso ampliar isso”. 

Comunicação  Os canais devem estar não apenas abertos, mas disponíveis. O conselho é da psicanalista, orientadora educacional e educadora parental, Larissa Machado: “Chegar um no outro com um propósito, achar uma solução conjunta e possível para todos”.

Acolhimento Claudia Trindade reforça que esse acolhimento mais que necessário tem que ir além das demandas pedagógicas. E vale muito o envolvimento dos pais nessas iniciativas. “Ou seja,  a escola pode preparar comunicações com sugestão de atividades lúdicas, indicação de materiais de apoio disponíveis na internet que tratem de outros temas, como saúde mental, autocuidado ou outros assuntos que façam parte e permeiem o universo das famílias”.

Relação colaborativa e respeito  Espaço de diálogo não implica em concordância ou aceitação, como destaca Larissa Machado. “Considere se você se sentiu escutado, respeitado e acolhido. No entanto, nem sempre os seus pleitos podem ser aceitos. Avalie se o que está em jogo lhe permite seguir nessa parceria ou não”, aconselha.

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