Respeita as Mina leva discussão sobre assédio para o Carnaval

carnaval
01.03.2019, 21:10:00
Atualizado: 01.03.2019, 21:28:00
Cantoras discutiram assédio contra a mulher durante desfile no circuito Barra-Ondina (Gabriel Rodrigues/CORREIO)

Respeita as Mina leva discussão sobre assédio para o Carnaval

Trio foi comandado pelas cantoras Ludji Luna, Larissa Lux e Xênia França

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Mão boba, puxão de cabelo, beijo roubado... o que antes era tratado como "brincadeira" ganhou atenção redobrada neste Carnaval. A edição de 2019 da festa é a primeira com a lei contra a importunação sexual, aprovada em setembro do ano passado.

Para lembrar que as atitudes machistas não têm graça nenhuma e devem ser coibidas, o trio "Respeita as Mina" desfilou neste sábado (1º), no circuito Barra-Ondina, sob o comando das cantoras Ludji Luna, Larissa Lux e Xênia França.

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O trio mantém o projeto Ayabass, que fala de ancestralidade africana e empoderamento feminino negro. Para levar a discussão sobre comportamentos machistas frequentes para as ruas, elas ganharam a parceria da Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Assessora na Secretaria de Políticas para as Mulheres, Isis Araújo explica o projeto e afirma que a aprovação da lei contra a importunação é um marco para as mulheres.

"A campanha já existe no Carnaval há dois anos, esse é o primeiro que tem o crime de importunação como lei e para a gente é um marco. No Carnaval as pessoas aderem porque sabem que é um caso que deveria ser pensado por todo mundo, mas na real não é isso que rola", disse.

Brasiliense radicada em Salvador, a jornalista Taíssa Dias aprovou a ideia. Para ela, outras questões também precisam ser discutidas. 

"A gente não precisava, em 2019, pedir para que as pessoas respeitem as minas. Mas se a gente ainda precisa, que bom que a gente tem um espaço de afirmar que Carnaval é brincadeira, todo mundo quer curtir, mas há limites. A gente precisa respeitar as meninas, as mulheres, respeitar todo mundo. A gente ainda precisa discutir homofobia, discutir violência contra a mulher. Não deveria precisar, mas já que precisa, que bom que temos esse espaço", disse.

Durante o percursso, as cantoras fizeram alertas contra o assédio e violência contra a mulher. 

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