Saiba quem são os primeiros alvos da CPI da Covid

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19.06.2021, 05:00:00
Renan Calheiros (máscara branca à direita) chegou a abandonar sessão da CPI durante depoimentos de médicos favoráveis à cloroquina (Jefferson Rudy/Agência Senado)

Saiba quem são os primeiros alvos da CPI da Covid

Senador Renan Calheiros indica ainda que pode cobrar depoimento de Bolsonaro por escrito

A CPI da Covid entrou numa nova fase nesta sexta-feira (dia 18), com a definição dos primeiros investigados. Relator da comissão parlamentar de inquérito, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou uma lista com os primeiros 14 nomes de testemunhas que, agora, passam à condição de investigados pela comissão. A relação inclui o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o antecessor, Eduardo Pazuello, e Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores. 

Até o prazo final da investigação, outros nomes, como  o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), podem ser incluídos. Além disso, o parlamentar avisou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode ser convocado a prestar depoimento, ainda que por escrito, e até ser responsabilizado no relatório final da CPI. 

“Essa é uma análise que estamos refletindo, ouvindo as pessoas, conversando com as instituições. Se a CPI puder diretamente investigar o presidente, já que a vedação é (apenas) para o não comparecimento para prestar depoimento, e não óbvia vedação à investigação... Se a competência favorecer a investigação, quero dizer que vamos investigar, sim”, afirmou Renan. “Aparecendo fatos óbvios, como tem aparecido, a CPI vai ter que responsabilizar. Diante de provas, não há como não responsabilizar”, garantiu.

Nos últimos dias, segundo pessoas próximas, o relator pediu que a equipe técnica do seu gabinete verificasse se Bolsonaro pode, de fato, ser investigado pela CPI. 

A aliados, Renan relatou diversas vezes que vê na CPI uma forma de tentar impedir Bolsonaro de continuar a propagar notícias falsas sobre a pandemia. Por isso, a possibilidade de incluir o presidente na lista de investigados da comissão também tem objetivo de enviar uma mensagem clara ao presidente. “Se não pudermos trazê-lo para depor, poderemos fazer perguntas por escrito”, disse Renan a jornalistas.

Mesmo que Bolsonaro não possa ser formalmente denunciado pela CPI à Procuradoria-Geral da República, o relatório poderá apontar supostos erros e omissões no enfrentamento à pandemia. 

Os investigados
A CPI terá mais alternativas para recorrer a procedimentos processuais penais, como quebras de sigilos para os 14 que passaram a ser investigados. A medida havia sido contestada na Justiça por pessoas ouvidas pela CPI na condição de testemunha.

Renan informou que a lista deverá aumentar, sendo atualizada semanalmente. Osmar Terra é um nome que deverá constar em breve. Suspeita-se que ele teria exercido influência no chamado “gabinete paralelo”. O parlamentar, que ocupou a chefia do Ministério da Cidadania no início do governo, só não foi incluído na lista de Renan agora por ainda não ter prestado depoimento.

O empresário Carlos Wizard Martins foi alvo de uma condução coercitiva nesta quinta-feira (17), solicitada pela CPI da Covid. Wizard, porém, não foi localizado. A equipe da Polícia Federal relatou à Justiça que fez buscas na residência e no escritório do empresário, mas não o encontrou. Funcionários afirmaram que Wizard não é visto há “bastante tempo” e que está fora do Brasil. A PF também identificou que ele deixou o país em 30 de março e seguiu para a Cidade do México. Segundo policiais, não consta informação sobre seu retorno ao país no serviço de imigração. 

Wizard também é suspeito de integrar o “gabinete paralelo” que orientava Bolsonaro sobre medidas sobre a pandemia. No início da semana, o empresário solicitou para depor virtualmente na CPI alegando que estava nos Estados Unidos. Os senadores não aceitaram o pedido. Como ele não compareceu ao depoimento, a comissão solicitou a condução coercitiva de Wizard.

Cloroquina
O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se recusou a fazer perguntas aos dois médicos defensores do uso da cloroquina em casos de covid-19, Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Eduardo Cardoso Alves, que participam de uma audiência pública nesta sexta-feira no colegiado. Calheiros chegou a deixar a sessão, o que gerou bate-boca com os senadores governistas. “Nós chegaremos sábado provavelmente a meio milhão de mortes pela Covid-19 no Brasil e continuamos a ouvir esse tipo de irresponsabilidade”, afirmou Calheiros. 
Alves também é apontado como um dos autores da nota informativa do Ministério da Saúde que dava orientações sobre tratamento precoce da Covid-19.

No início da sessão, o presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) adiou a votação que avaliaria a convocação do governador do Rio, Cláudio Castro (PL) e do secretário de Saúde estadual, Alexandre Chieppe, para a próxima terça-feira. Também seriam avaliados o pedido da quebra de sigilos das Organizações Sociais (OSs) responsáveis pela gestão de hospitais no Rio e o requerimento para que o ex-governador do estado Wilson Witzel preste um novo depoimento, agora em sigilo — o que foi pedido por ele em sua oitiva, na quarta-feira.
 

Quem são os primeiros investigados pela CPI?

Marcelo Queiroga Ministro da Saúde

Eduardo Pazuello Ex-ministro da Saúde

Ernesto Araújo Ex-ministro das Relações Exteriores

Elcio Franco Ex-secretário executivo da Saúde

Arthur Weintraub Assessor especial da Presidência

Carlos Wizard Empresário

Fabio Wajngarten Ex-secretário de Comunicação

Franciele Francinato Coordenadora do Programa Nacional de Imunização

Hélio Angotti Neto Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde)

Marcellus Campêlo Ex-secretário de Saúde do Amazonas

Mayra Pinheiro Secretária de Gestão e Trabalho do Ministério da Saúde

Nise Yamaguchi Médica

Paolo Zanotto Médico

Luciano Dias Azevedo Médico

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