Salvador tem 415 medicamentos gratuitos disponíveis nas farmácias populares

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13.09.2021, 07:00:00
Atualizado: 13.09.2021, 07:00:29
São 193 farmácias credenciadas em Salvador, segundo MS (Foto: Paula Fróes/ CORREIO )

Salvador tem 415 medicamentos gratuitos disponíveis nas farmácias populares

Cerca de 170 milhões de remédios foram entregues aos pacientes até setembro

A costureira Vera Lúcia de Jesus, 66 anos, foi à farmácia popular pela primeira vez em julho, depois que o médico receitou um novo remédio para controlar a pressão arterial e a taxa de açúcar no sangue. Os comprimidos fazem parte dos 415 medicamentos oferecidos nessas unidades em Salvador. Segundo o levantamento da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) esse serviço cresceu 14%, foram 240 milhões de medicações entregues no ano passado e 172 milhões, esse ano.

Vera Lúcia contou que ficou nervosa quando o especialista começou a fazer a receita. “A consulta foi particular e foi paga com muito sacrifício. Quando ele disse que teria que comprar a medicação fiquei pensando no preço dos remédios, mas quando terminou de escrever o médico disse que eu poderia retirar na farmácia popular. Foi um grande alívio”, contou.

Existe um terceiro remédio que ela precisa tomar que não está disponível, mas a costureira não reclamou. “O fato de já ter esses dois é uma grande ajuda, porque medicação é uma coisa que não podemos abrir mão, mas, claro, seria bom se os três estivessem disponíveis”, disse.

Público faz fila para retirar as medicações (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Nos últimos seis anos, a quantidade de medicamentos retirados nessas unidades vem crescendo a cada ano. Em 2015, cerca de 127 milhões de remédios foram entregues a população nas farmácias populares de Salvador. Em 2016, esse número subiu para 149 milhões, e continuou aumentando em 2017 (157 milhões), em 2018 (182 milhões), e em 2019 (210 milhões). Entre 2019 e 2020, o crescimento foi de 14%.

O ano de 2021 ainda não concluiu, mas, até a semana passada, 172 milhões de remédios tinha sido entregues ao público, nos 12 Distritos Sanitários da capital. O número já superou 2015, 2016 e 2017. As medicações mais procuradas são para hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 (confira abaixo).

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada no ano passado, 1 em cada 4 adultos na Bahia tem diagnóstico de hipertensão (25,2%). É a segunda doença crônica mais frequente no estado. Já o diabetes aparece na quinta posição e atinge 6,7% da população adulta. Em números absolutos, são 2,8 milhões de hipertensos e 747 mil diabéticos.

Em Salvador, o cenário não é muito diferente. A hipertensão acomete 25,1% dos adultos, sendo a doença crônica mais frequente na capital, e 8,1% tem diabetes, quinta enfermidade mais comum. A cidade tem 573 mil adultos hipertensos e 185 mil diabéticos. Esse público é o que frequenta as farmácias populares em busca de medicação já que os comprimidos são diários. A dona de casa Rita Nunes, 58 anos, é frequentadora assídua.

“Tenho hipertensão e preciso tomar um comprimido por dia. Antes, eu comprava, até que uma vez na fila do posto, esperando para a consulta, uma moça contou que eu poderia retirar o remédio de graça na farmácia popular. Foi quando comecei a usar o serviço. Acredito que assim como aconteceu comigo, tem muita gente que não conhece”, disse.

Medicações para hipertensão e diabetes são as mais procuradas (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Regras
Para poder retirar os remédios na farmácia popular são necessários três passos. Primeiro, é preciso ter o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) vinculado ao município de Salvador. Segundo, é necessário apresentar um documento original com foto, como o RG, por exemplo. Terceiro, é preciso ter a receita original e uma cópia. A segunda via ficará na farmácia.

O coordenador da assistência farmacêutica de Salvador, Bruno Viriato, contou que a renda financeira do paciente não importa. Nos casos em que a pessoa estiver acamada ou fizer parte de grupos de risco, outra pessoa pode pegar a medicação, desde que apresente a documentação original do paciente. Beneficiários ouvidos pela reportagem disseram que receberam o suficiente para até três meses de uso, mas Bruno disse que são exceções.

“A regra é sempre fornecer o necessário para um mês de tratamento, e depois o paciente retorna e pega mais. Com a pandemia as pessoas têm cada vez mais procurado as farmácias, e estamos percebendo a presença de pacientes até do sistema privado. Então, esse é um serviço muito importante para todos”, disse.

O estoque é alimentado através de duas fontes: o governo do estado encaminha para os municípios alguns dos remédios que serão distribuídos para a população, e o governo federal libera recurso para as cidades comprarem outras medicações. Por isso, o número de remédios oferecidos nas farmácias populares alterna de acordo com cada município. Em Salvador são 415 tipos de medicações e insumos disponíveis para o público.

A maioria dos remédios tem preço popular no mercado. “Mas é preciso lembrar que tem paciente que faz uso diário da medicação, às vezes, usando mais de um comprimido por dia. Então, apesar de a medicação ser barata no final do mês ela fica cara”, disse Viriato.  

Segundo o Ministério da Saúde, são 193 farmácias populares credenciadas em Salvador e outras centenas no interior do estado. Os remédios e insumos disponíveis fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) e podem ser consultados no portal do Ministério ou diretamente nas farmácias (veja abaixo a lista completa, com os endereços e telefones de cada unidade).

Servidora repõe estoque que será distribuído (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Atrasos
Um atraso na entrega de 22 medicamentos adquiridos pelo Ministério da Saúde provocou desabastecimento na Bahia. No dia 24 de agosto, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) divulgou que alguns já estavam com estoques zerados ou inferiores a 30 dias.

Questionada se a situação foi regularizada, a Sesab disse que está fazendo um levantamento mais apurado do que chegou, do que normalizou e dos medicamentos que ainda estão em falta. O balanço será divulgado nos próximos dias.

Os remédios são usados em tratamentos de diversas doenças como câncer, HIV/Aids, diabetes, anemia falciforme, acromegalia, alzheimer, amiloidose, artrite reumatoide, espondilite, crohn, psoríase, epilepsia, escleroses, esfingolipidoses, esquizofrenia, fibrose cística, mucopolissacaridose do tipo II, parkinson, trombose venosa.

Outros 14 medicamentos estavam com fornecimento irregular, com estoque inferior a 60 dias. São fármacos para tratamento de artrite reumatoide, espondilite, crohn, psoríase, doença renal, esclerose múltipla, esquizofrenia, fibrose cística, mucopolissacaridose do tipo VI, psoríase.

Questionado sobre a quantidade de medicamentos enviadas para a Bahia e sobre o desabastecimento denunciado pela Sesab, o Ministério da Saúde ainda não se manifestou.

Mais de 75% dos idosos usam medicação regular, diz IBGE (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Idosos
Segundo a última Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 75,4% dos idosos fazem uso regular ou contínuo de ao menos um remédio prescrito por médico. O percentual sobe para 84,2% entre aqueles que têm 75 anos ou mais.

Em média, a despesa mensal das famílias baianas com remédios é de R$ 108,7 (3,2% da despesa total). Mas o estudo leva em consideração as despesas da família. Quando o cenário é analisado individualmente esse percentual cresce, principalmente entre os idosos. É o caso de José de Assis, 72 anos, que faz uso de remédios diários para controlar a hipertensão e o colesterol. A sobrinha dele, Cíntia Souza, contou que as despesas com medicamentos e médicos consomem cerca de 50% da renda do aposentado.

“Remédios, consultas, exames e alimentação específica são muitas questões que precisam de atenção e de dinheiro. Ele tem uma aposentadoria, então, conseguimos arcar com os custos, mas e quem não tem? Quando a idade chega as despesas com a saúde aumentam bastante. Minha filha, meu marido e eu não gastamos nem metade do que ele gasta”, contou.

Entre as doenças crônicas que mais acometem os baianos estão dores de coluna, hipertensão arterial, colesterol alto, artrite ou reumatismo, diabetes, depressão, outras doenças mentais, como esquizofrenia, transtorno bipolar, psicose e TOC, doenças cardíacas e asma.

Veja os medicamentos mais buscados nas farmácias populares:

  1. Losartana 50mg comp;
  2. Metformina 850 mg comp.;
  3. Sinvastatina 20 mg comp;
  4. Hidroclorotiazida 25 mg. comp.;
  5. Anlodipino 5mg comp.;
  6. Omeprazol 20mg cápsula;
  7. Glicazida 30 e 60 mg comp.;
  8. Ácido acetilsalicílico 100mg comp.;
  9. Glibenclamida 5mg comp.;
  10. Carbamazepina 200mg comp.;

*Dados da SMS.

Quantidade de remédios retirada pela população nos últimos anos:

  • 127.423.250 / 2015
  • 149.984.913 / 2016
  • 157.529.356 /  2017
  • 182.426.612 /  2018
  • 210.741.127 /  2019
  • 240.950.884 /  2020
  • 172.593.446 / Setembro de 2021

*Dados da SMS.

Confira as doenças crônicas mais frequentes em Salvador:

  • Hipertensão arterial (25,1% da população) – 573 mil pessoas
  • Colesterol alto (20,9%) – 477 mil pessoas
  • Problemas crônico de coluna (20,5%) – 468 mil
  • Depressão (8,8%) – 201 mil
  • Diabetes (8,1%) – 185 mil
  • Artrite ou reumatismo (6,8%) – 155 mil

*Dados do IBGE. 

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