Salvador volta a testar ônibus elétrico na cidade e estuda a compra de novo modal

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02.09.2021, 11:54:00
Atualizado: 02.09.2021, 12:19:30
Veículo é mais silencioso e trepida menos que o convencional (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO )

Salvador volta a testar ônibus elétrico na cidade e estuda a compra de novo modal

Prefeitura vai conversar com concessionárias para discutir as possibilidades

Ele voltou. O ônibus elétrico entrou em fase de teste novamente em Salvador e a prefeitura pretende decidir em até 30 dias se vai aderir ao novo modelo de transporte público. Nesta quinta-feira (2), o veículo foi apresentado como uma solução sustentável para os problemas do meio ambiente e econômicos que envolvem o setor. Ele vai começa a operar o dia 14 de setembro.

O ônibus elétrico foi testado pela primeira vez em Salvador em julho de 2019. Na época, o veículo operou em quatros linhas: Estação Pirajá/Ribeira, Pirajá/Barra, Pirajá/Pituba e Paripe/Aeroporto, uma por semana. Desta vez, o itinerário ainda não está definido, mas será escolhida uma linha que faça o caminho similar ao do BRT.

O prefeito Bruno Reis disse que vai se reunir com representantes das empresas de ônibus da cidade para discutir a viabilidade do veículo elétrico, mas adiantou que são necessários seis meses para que cada modelo fique pronto e que, por isso, a decisão deve ser tomada em até 30 dias.

“Vamos testar esse ônibus durante esse mês e nos próximos 30 dias vamos tomar uma decisão em relação a aquisição dos veículos, porque um ônibus desse leva, em média, seis meses para ficar pronto e nossa expectativa é para colocar ele para rodar em fevereiro do ano que vem, com a inauguração do BRT”, afirmou.

Bruno Reis disse que decisão será tomada em um mês (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

O gestor destacou a crise pela qual o setor de transporte vem passando atualmente, no país inteiro, e acredita que o ônibus elétrico pode ajudar a diminuir os custos. “Nós sabemos, isso é público, que o sistema de transporte público no Brasil está falido. E a situação se agravou por conta da pandemia. O ônibus elétrico tem um investimento mais elevado que o ônibus convencional, porém ele tem manutenção e custeio inferior”, disse.

O veículo tem capacidade para 51 passageiros em pé e 26 sentados. Ele é 100% elétrico e não emite qualquer tipo de poluição. São dois motores, um em cada roda, freio ABS, potência de 400cv. O ônibus roda 250 km com a bateria completa - para ser inteiramente recarregada é preciso 4 horas. O carregamento é feito em uma central de abastecimento instalada nas garagens.

Vantagens
O secretário municipal de Mobilidade, Fabrízzio Muller, disse que os primeiros testes, realizados em 2019, estavam voltados para outras regiões da cidade, e que a ação de 2021 está focada no uso desses ônibus no BRT. Ele destacou outras vantagens do modelo, contou que além de não ser poluente e ter ar-condicionado, o ônibus elétrico tem menos trepidação, é mais silencioso e mais confortável.

“Inserir eletromobilidade no transporte público da cidade é um desejo da prefeitura. Ela oferece mais conforto e mais sustentabilidade ao sistema. Um ônibus desse, em um ano, corresponde ao plantio de 850 árvores. Então, esse é o nosso desejo, que o BRT inicie a sua operação contendo veículos elétricos. Esse é o primeiro passo”, disse.

Na época do primeiro teste, O CORREIO conversou com rodoviários e passageiros que usaram o ônibus elétrico e a maioria aprovou o modal. A única queixa foi de que o novo modelo era mais lento que o convencional, e os usuários temiam que a topografia da cidade, com muitas ladeiras, interferisse na eficiência do serviço. O secretário comentou.

“Essa tecnologia tem evoluído muito. A maior frota urbana de ônibus elétricos do país é em São Paulo, com 18 ônibus apenas. Acredito que nos próximos três ou cinco anos ela vai crescer e vamos ver esse modelo nas cidades muito mais do que vemos hoje, porque é uma tecnologia que vai ficar mais barata e vai ser uma exigência”, disse.

O BRT é um sistema rápido de transporte público que já existe em mais de 200 cidades e que, em Salvador, vai chegar nos bairros onde o metrô não chega. A expectativa da prefeitura é inaugurar dois trechos do modal em fevereiro: a etapa 1, que liga região do Shopping da Bahia à Cidade Jardim/ Parque da Cidade, e a etapa 3, que vai da Cidade Jardim até a Orla. Esses trechos estão em execução.

A etapa 2, que faz a ligação entre a Estação da Lapa e a Cidade Jardim, já foi iniciada, mas a conclusão está prevista para outubro de 2022. A estimativa da prefeitura é de que o novo modal vai atender mais de 30 mil pessoas por hora em momentos de pico, ligando o Iguatemi à Lapa.

Acordo
Durante o evento, que aconteceu na Estação do BRT, no Iguatemi, o prefeito Bruno Reis assinou um Termo de Compromisso pela Resiliência com embaixador do Reino Unido, Peter Wilson. O documento reforça o engajamento da cidade com as questões ambientais.

Bruno Reis destacou que a cidade tem uma Secretaria de Sustentabilidade e Resiliência, já sediou evento da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre sustentabilidade e que Salvador foi uma das primeiras capitais a se comprometer com o acordo de Paris.

Embaixador e prefeito assinam termo de compromisso (Foto: Arisson Marinho/ CORREIO)

O objetivo da visita do embaixador é explorar oportunidades de parceria da gestão municipal com o governo britânico, em prol de um intercâmbio de boas práticas e projetos mútuos nas áreas de assistência social, sustentabilidade, mobilidade, desenvolvimento econômico, educação e tecnologia. Na oportunidade, o embaixador divulgou a campanha Race to Zero (Corrida para o Zero), da qual Salvador já faz parte, e a Race to Resilience (Corrida para a Resiliência), cuja adesão da capital foi efetivada pelo prefeito Bruno Reis.

Salvador está entre as cidades comprometidas em reduzir as emissões de gases de efeito estufa de modo a limitar o aquecimento global à meta ambiciosa estabelecida no Acordo de Paris, de 1.5°C, em 2015. Para isso, a capital baiana elaborou o seu Plano de Ação Climática e se comprometeu em zerar as emissões na cidade até 2049.

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