Seminário Humanize[se] encerra programação do Agenda Bahia

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07.11.2018, 09:30:00
Atualizado: 07.11.2018, 15:12:29
Auditório está lotado para o último dia do Fórum Agenda Bahia em 2018 (Marina Silva/CORREIO)

Seminário Humanize[se] encerra programação do Agenda Bahia

Relembre os melhores momentos da programação matutina

O Fórum Agenda Bahia 2018 realiza nesta quarta-feira (7) o Seminário Humanize[se], no Quality Hotel & Suítes São Salvador (Stiep). Iniciado em agosto, com o Seminário Sustentabilidade do Agora, o fórum, nesta edição, promove ainda o Desafio de Inovação Acelere[se], que também será finalizado nesta quarta-feira, a partir das 16h. 

Ao todo, 11 atividades vão acontecer até 17h30, reunindo especialistas internacionais, do Brasil e da Bahia. 

(Marina Silva/CORREIO)
(Marina Silva/CORREIO)
(Marina Silva/CORREIO)
(Marina Silva/CORREIO)
(Gabriela Cruz/CORREIO)
(Gabriela Cruz/CORREIO)
(Marina Silva/CORREIO)

Painel Humanize[se]
A última parte da programação do seminário Humanize[se] pela manhã foi o painel 'Humanize[se]: Como homem e máquina  podem andar juntos nessa nova era tecnológica?', com Frank Tyneski, Conrado Schlochauer, Sil Bahia e Marcelo Arantes. 

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Sil Bahia, idealizadora do PretaLab, lembrou que muitas vezes a forma de inovar do brasileiro não é reconhecida. "A gente nasce na cultura faça você mesmo e o brasileiro é um maker por excelência. A gente não se encaixa muitas vezes nesse espaço de inovação", disse.

"A gente tem de pensar que a tecnologia tem a visão de mundo e cultura de quem criou tudo isso. Tem um engenheiro que pensou. A gente usa a tecnologia como se fosse neutra. O que muda quando uma pessoa negra, de periferia, pensa essas aplicações? O que pode ser diferente?", questionou.

Sil falou ainda como é desenvolvido o trabalho no Pretalab. "O lab não é um lugar de geeks. Nossa missão é democratizar. criar metodologias que estimulem e convidem pessoas a entender o universo, misturar conhecimento", explicou.

Marcelo Arantes, da Braskem, falou sobre a mudança que vem ocorrendo dentro da organização. "Estamos chamando as pessoas para dizer como a Braskem será gerida no futuro, como a tecnologia vai impactar a produção, quais as mudanças que estão acontecendo, mas não é só tecnologia. A diversidade é uma realidade. Na Braskem, 33% dos nossos jovens contratados são negros".

Talkshow com Conrado Schlochauer
Durante o talkshow, a jornalista Flávia Oliveira perguntou como fazer a mudança para um mundo tecnológico, apesar das desigualdades socioeconômicas. Conrado diz que depende da aprendizagem: 

"A tecnologia tem um papel maravilhoso se trocarmos educação por aprendizagem. O papel fundamental é do aprendiz. A tecnologia vai ser uma alavancada transformadora", afirmou.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Pensamento Exponencial
A segunda palestra do último dia do Fórum Agenda Bahia 2018 é 'Pensamento Exponencial: Uma Visão Humana', com Conrado Schlochauer. 

(Foto: Gabriela Cruz/CORREIO)

Conrado trouxe um conceito sobre o que é, de fato, ser uma pessoa digital. "Ser digital é ser mais do que ser tecnológico ou estar online. Ser digital é um jeito de pensar e atuar no mundo sem precisar ter as coisas", explicou.

Ele também quebrou o conceito distorcido do que pode ser considerado como tecnologia. "A tecnologia é um meio para a gente fazer coisas, a pedra lascada era uma tecnologia, o rádio que toca no nosso carro, a lâmpada. Não é só o que aconteceu nos últimos cinco anos. A tecnologia está aí, ela só está mal distribuída".

"O que importa não é a inteligência artificial, mas a inteligência aumentada. O homem com a máquina, a força e a velocidade da tecnologia com a alma e o coração humano".

Conrado também citou algumas habilidades para aprendizagem. "É preciso ter percepção social e cultural, olhar com olhar de antropólogo, que não julga. Julgou, você está velho", disse. "Aprendizagem não é adquirir conhecimento. Aprender é fazer, é agir. e abandonar coisas que você já aprendeu para aprender coisas novas", completou.

Talkshow com Frank
Após a palestra, o norte-americano Frank Tyneski participou de um debate com a jornalista Flávia Oliveira. Ela contextualizou a situação dos robôs com o trabalho no jornalismo. "Eu descobri que jornalistas tem de 10 a 11% de perder seus empregos para um robô. Não é tão mal. Como deve ser a formação do futuro?", questionou a Frank.

"A gente pode pensar que muitos empregos disponíveis hoje não existiam há 50 anos. É difícil prever. quando a gente olha o capital humano a gente imagina que poderá ser usado em algo mais significativo", diz Frank.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Flávia também perguntou sobre como a tecnologia pode ser uma aliada para garantir a qualidade de vida. "Com essas novas ferramentas de educação aberta, inteligência artificial, são muitas experiências que podem enriquecer a vida das pessoas. Mais conectadas com as pessoas e com a história". 

Ainda no talkshow, Frank falou sobre a necessidade de se arriscar mais nos negócios. "Eu trabalhei para mim mesmo, para empresas, para startups... A gente tem de se jogar no risco. tem um ditado que o homem que nunca se arriscou, não vai ver uma oportunidade. Elas surgem muito rápido", aconselhou.

'Será que um robô tomará meu emprego?'
O norte-americano Frank Tyneski, designer industrial mundialmente premiado e presidente da RKS Design, iniciou sua palestra instigando o público com um questionamento: "será que um robô tomará meu emprego?". Em seguida, ele fala sobre como tem sido a atuação dos robôs. "Dos 10 maiores empregadores dos EUA, oito serão impactados pela digitalização. 28 milhões de funcionários poderão ser demitidos. Isso impactará as cidades. Talvez a solução seja que os robôs tenham que pagar impostos", afirmou.

(Foto: Marina Silva/CORREIO)

"Agora nós temos uma nova classificação de gênero, o gênero x, para os que não se adequam ao masculino e feminino. Precisamos de um para os robôs também. Os especialistas estão falando de transhumanismo. O Whatsapp emprega apenas 55 pessoas e tem renda de 19 bilhões de dólares. No Vodafonem são 92 mil empregadores que ganham 128 bilhões de dólares", exemplificou.

(Foto: Gabriela Cruz/CORREIO)

Frank fez ainda projeções ousadas sobre o futuro da tecnologia. "Dos 10 maiores aplicativos, 8 são do Google ou Facebook. O seu teclado pode estar ultrapassado. O Facebook está desenvolvendo um dispositivo que vai conectar seu cérebro ao smartphone. Sua rotina vai ser scanneada e a informacao vai ser digitalizada", disse. 

A tecnologia deve ir além do que hoje é visto na nossa sociedade. "Os avanços tecnológicos vão mudar as maneiras de trabalho. Antes, os computadores eram passivos, seguiam um comando. Esta realidade está mudando", afirmou Frank.

"As empresas devem se lembrar que o bid data não causa muitos danos. As soluções de design não devem ser guiadas apenas pelos dados. Sem emoções não podemos tomar decisões. o design deve levar em conta as emoções ao criar produtos e soluções".

Frank falou também sobre a imersão digital. "Quando uma experiência é imersiva, nós não precisamos de muito mais. Podemos ter substituídas experiências reais por experiências imersivas, com oportunidades. Vamos passar o nosso tempo entre o mundo orgânico e o mundo imersivo no futuro".

Abertura do Fórum
Na abertura, o presidente da Rede Bahia, ACM Junior, destacou a importância de se discutir este tema. "O agenda é um evento consolidado. Há nove anos estimulando discussão sobre as tecnologias e suas aplicações para o desenvolvimento do estado. O objetivo deste seminário é discutir o impacto das tecnologias no nosso cotidiano e como os homens podem trabalhar junto com as máquinas para garantir o desenvolvimento da sociedade", afirmou.

ACM Jr participa da abertura do Fórum Agenda Bahia 2018
(Foto: Gabriela Cruz/CORREIO)

Já o vice-presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Sérgio Pedreira, lembrou a importância da parceiria. "Um evento que discute as questões de grande interesse do nosso estado. A Fieb é parceira desde o primeiro ano. Os temas discutidos aqui são de grande relevância para o desenvolvimento socioeconômico do nosso estado", pontuou.

Sérgio Pedreira na abertura do Fórum Agenda Bahia
(Foto: Gabriela Cruz/CORREIO)

Kevin Brosnahan, adido para Assuntos de Educação e Cultura do Consulado-Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro também ressaltou as discussões promovidas pelo Agenda Bahia. "É um imenso prazer realizar esse importante evento em parceria com o CORREIO, a Fieb e as instituições parceiras. O evento se tornou uma tradição importante no cenário empresarial da Bahia, com números cada vez mais expressivos".

Para ele, é necessário discutir como as relações têm se modificado em virtude da tecnologia. "As relações humanas têm sido afetadas. A hiperconectividade tem modificado as formas de interação e as relações do trabalho. Os EUA e o Brasil são as duas maiores democracias do hemisfério ocidental e compartilham muitas características, a economia de mercado e a diversidade étnica. Os dois países têm obrigação de trabalharem juntos".

O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do jornal CORREIO, com patrocínio da Braskem, Sotero Ambiental e Oi, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, Consulado-Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia; e apoio do Sebrae e da Vinci Airports.

Confira a programação completa:

9h - Cerimônia de Abertura
9h30 - Palestra Design Para a Era Experimental, com Frank Tyneski
10h - Talkshow do palestrante Frank Tyneski 
10h20 - Palestra Pensamento Exponencial: Uma Visão Humana, de Conrado Schlochauer
10h50 - Talkshow do palestrante Conrado Schlochauer 
11h10 - Painel Humanize[se]: Como homem e máquina  podem andar juntos nessa nova era tecnológica?, com Frank Tyneski, Conrado Schlochauer, Sil Bahia e Marcelo Arantes

Tarde

14h às 15h30 - Oficina Psico-Estética:  A Arte Prática do Design Thinking, com Frank Tyneski
14h às 15h30 - Oficina O Mundo mudou. E você?, com  Eduardo Endo, diretor dos MBAs da FIAP
14h às 15h30 – NAVE: Programação e robótica como solução para as cidades, com Anderson Paulo da Silva
14h às 15h30 – Pessoas e Tecnologia: criando novas relações de trabalho, com Marcelo Arantes
16h às 17h30 - Oficina Criative[se], com Alessandra Terumi 
16h às 17h30 - Desafio de Inovação Acelere[se]. Cristiana Arcangeli fará palestra sobre os desafios de empreender e dicas para novos empreendedores
16h às 17h30 - Painel Tecnologia, Impacto Social e Diversidade, com Sil Bahia, diretora de projetos do Olabi Markerspace, Brenda Costa, cofundadora do OxenTI Menina, e Ka Menezes, presidenta do Raul Hacker Club e idealizadora do Projeto Crianças Hackers
16h às 17h30 – Painel Inteligência Artificial na Indústria 4.0: impactos e novas habilidades profissionais, com Rita Pellegrino e Erick Sperandio

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