Show do milhão: mesmo sem festa, milho será boa opção para compor mesa junina

bahia
26.05.2021, 05:10:00

Show do milhão: mesmo sem festa, milho será boa opção para compor mesa junina

Preço da espiga tende a não aumentar nesse segundo São João de pandemia

Foto: Marina Silva/CORREIO

Seja na canjica, pamonha, lelê ou na espiga, o milho é ingrediente base do São João de muita gente. A pouco menos de um mês de distância do feriado, que, pelo segundo ano seguido está com as comemorações suspensas no estado, as expectativas para as vendas do produto estão altas dentre os produtores. Mas ao que tudo indica, apesar do atraso no período chuvoso na região de cultivo, o preço da espiga, mais expressiva na agricultura familiar, permanecerá em torno de R$ 0,80.

As notícias também estão boas para o agronegócio: a safra do milho em grãos, utilizado como ração animal, aumentou 9,4% em relação a esse período do ano passado. 

“Esse aumento na produtividade é o equivalente a 234 mil toneladas e deve-se especificamente ao aumento da área cultivada e a boa disponibilidade de umidade no solo na região Oeste da Bahia, nos momentos cruciais do ciclo das lavouras. No momento, o ciclo está na fase da colheita”, explica o gerente de Desenvolvimento e Suporte Estratégico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na Bahia, Marcelo Ribeiro.

Apesar disso, a Secretaria da Agricultura (Seagri) aponta que, com a colheita ainda em andamento, já se nota que a produtividade média do ano ficará prejudicada em relação à obtida na safra de 2019/20. "No Centro Sul e Centro Norte do estado, o cenário foi mais prejudicial, com deficit hídrico mais acentuado sob as lavouras. Já no Extremo Oeste, as condições climáticas foram melhores, rendendo lavouras mais vigorosas" diz o relatório. 

Usualmente, a produção do milho começa no período entre março e abril, depois da chamada chuva de São José, o padroeiro dos agricultores, segundo o técnico da Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri), Diego Araújo. Oeste e Nordeste da Bahia são as regiões que se destacam: São Desidério, Correntina, Formosa do Rio Preto, Barreiras, Paripiranga, Jaborandi e Luís Eduardo Magalhães. 

Depois da chuva inicial, é o período de preparo do solo e plantio das sementes. “Durante três meses, há o manejo e a expectativa para a colheita da produção para os meses de junho e julho, e a colheita e comercialização acontecem durante as festas juninas de Santo Antônio, São João e São Pedro”, esclarece o técnico.

Por isso, o atraso nas chuvas no Oeste e Nordeste do estado poderia muito bem ter acabado por afetar o preço do produto. Mas esse não foi o caso.

“Apesar do atraso no período chuvoso na região de cultivo, o que pode ser observado através do monitoramento de precipitação realizado pelo Inmet, que registrou uma anomalia negativa da ocorrência de chuvas para a região, não seria possível afirmar que haverá um aumento do preço da espiga em relação ao praticado no ano passado”, tranquiliza o gerente da Conab.

Isso quer dizer que o preço da espiga deve continuar no valor de R$ 0,80, de acordo com os dados do órgão. Esse milho, utilizado para a produção dos pratos tradicionais, já é o produzido em pequenas propriedades, uma vez que é colhido verde e tem pouco tempo para ser comercializado e transformado nas receitas típicas. Mas em Salvador, deve ser considerada uma variação de até R$0,25 a R$0,80 no valor pela espiga.

Por isso, mesmo sem os fogos e a aglomeração dos forrós em grupo, ainda dá para manter o clima de São João, como instiga a chef de cozinha Tereza Paim. Até cita milho cozido, milho assado, lelê e bolo. Mas, para ela, as estrelas do feriado são pamonha e canjica.

“Essas são as fáceis de fazer e são as estrelas do São João e tem, inclusive, a mesma base. Só que na pamonha, se deixa o milho mais grosseiro e na canjica, ele é mais batido. Na canjica, se bate o milho e coa e fica um bagaço. Na pamonha, você pega um pouco desse bagaço e mistura. Faz no saquinho e bota no vapor para cozinhar”, deixa a dica.

Teresa ainda faz ressalva para as propriedades nutritivas do cereal. "O milho é um alimento que tem um composto de vitaminas muito amplo. É forte e de fácil absorção, dá muita energia. Além de não ter, ligado a ele, questões alérgicas, como o amendoim, outro alimento muito comum nessa época do ano", finaliza a cozinheira.

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