Taxista é encontrado morto dentro de táxi no bairro do Cabula

salvador
17.12.2017, 09:31:23
Atualizado: 17.12.2017, 16:15:04
Moacir Ferreira foi encontrado morto dentro do táxi na Estrada das Barreiras (Reprodução)

Taxista é encontrado morto dentro de táxi no bairro do Cabula

Ainda não há informações sobre o que motivou o crime, mas há suspeita de Moacir foi vítima de um latrocínio

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O taxista e policial civil aposentado Moacir Álvaro Ferreira, 68 anos, foi encontrado morto dentro de seu táxi (alvará A-1584) no bairro do Cabula, na madrugada deste domingo (17). O crime aconteceu na Estrada das Barreiras, próximo à Caixa Econômica, por volta das 2h.

Segundo o porta-voz da Comissão dos Taxistas da Bahia, João Adorno, há suspeitas de que o taxista tenha sido vítima de um latrocínio - roubo seguido de morte. O taxímetro estava ligado quando o corpo de Moacir foi encontrado.

"Quando eu cheguei lá, só tinha curiosos. As pessoas que estavam lá me contaram que viram uma zoada, o carro parando e alguém saindo de dentro do táxi e indo embora", contou João.

Além disso, segundo o filho da vítima, o também taxista Moacir Junior, 38, a pochete que o pai usava não foi encontrada. "Meu pai usava uma pochete onde guardava todo o dinheiro, docuemntos e cartões. A pochete não foi encontrada", disse.

Corrida para Itapuã
Moacir trabalhava como taxista há cerca de 30 anos. Há 13, ele tinha se aposentado da Polícia Civil, onde trabalhou como inspetor no posto policial do Hospital Geral Roberto Santos, no Cabula. Apesar de morar em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), era perto do estacionamento do Hospital Roberto Santos que o taxista fazia ponto. Neste sábado (16), ele saiu de casa, em Lauro, para trabalhar por volta das 11h

“Os taxistas disseram que ele estava dentro de seu táxi Spin, quando um homem se aproximou. Os dois conversam e depois o passageiro entrou no carro e seguiram. O que disseram é que pouco antes de conversar com o meu pai, o passageiro procurou outros taxistas pedindo uma corrida para Itapuã, mas ninguém quis”, contou o Moacir Júnior.  

Em nota, a Polícia Militar informou que policiais da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Tancredo Neves) foram acionados para atender a uma ocorrência sobre o corpo de um homem encontrado na Estrada das Barreiras. No local, os policiais já encontraram o homem, que ainda estava sem identificação, morto dentro do carro. O caso é investigado pela 11ª Delegacia (Tancredo Neves).

“A polícia teve que quebrar o vidro para abrir a porta, para então analisar a cena do crime. Meu pai levou três facadas: uma no queixo, outra no peito e mais uma no pescoço, onde foi encontrado um pedaço faca de serra. Como o assassino usou uma faca, ele teve tempo de pegar o que queria e trancar meu pai”, contou o filho.

Ele acredita que a vítima possa ter reagido ao assalto. “Meu pai era uma pessoa tranquila, mas quando se irritava, não se controlava. Há quatro anos, ele lutou com um ladrão dentro do táxi lá mesmo, na Estrada das Barreiras. Segurou a arma do bandido. A sorte dele é que a arma não estava carregada. Na época, ele não prestou queixa porque se tratou de uma tentativa”, disse Moacir Filho, se referindo a outro episódio vivido pelo pai na mesma região.

O corpo do taxista será sepultado nesta segunda-feira (18), às 11h, no Cemitério da Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas.

Silêncio
No lugar onde Moacir morreu, aliás, a lei parece ser do silêncio. Na manhã deste domingo (17), o CORREIO esteve no local do crime e a maioria dos moradores disse não ter visto nada. “Eu não moro aqui. Vim visitar uma amiga”, respondeu uma mulher, enquanto tomava café na janela, por volta das 10h.

“Não dormi em casa. Cheguei há poucos instantes e não soube de nada”, disse um rapaz de short, chuteira e meião. “Não sei de nada e, se soubesse, não diria. Aqui, quem manda é silêncio”, disparou o outro rapaz, com roupa de time antes de dar as costas.

Apesar das inúmeras negativas, um senhor disse que, por volta das 5h, o largo estava tomado de viaturas das polícias Civil e Militar. “Esse horário sempre saio de casa para ver meu filho, minha nora e meu neto que moram na outra rua. Mas quando saí do portão e vi aquele monte de policiais, entrei e fui para laje. Deu para ver quando o corpo foi levado pelo rabecão”, contou.

Assaltos
O porta-voz da Comissão dos Taxistas da Bahia, João Adorno,  reclama da frequência dos crimes contra taxistas. No final de novembro, o taxista Milton Silva dos Santos, 53 anos, morreu depois de ser baleado em um assalto no bairro de São Cristóvão

"Esse é o 11º colega que a gente perde esse ano. Há 20 dias, a gente perdeu um colega em São Cristóvão. Foi quase um por mês esse ano. Se a polícia não fizer nada, a gente vai fechar o ano com 12 mortos", pontuou.


O assalto que resultou na morte do taxista Milton dos Santos, no final de novembro, começou com uma corrida no Imbuí. Três homens e uma mulher entraram no veículo, que seguiu até São Cristóvão, onde o grupo anunciou o assalto. O taxista parou o carro e saiu correndo, mas um dos bandidos atirou, atingindo a vítima quatro vezes: foram três tiros na região torácica e outro no braço direito.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas