Tecnologia na mesa

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30.07.2020, 09:12:41
Atualizado: 30.07.2020, 09:15:37

Tecnologia na mesa


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Essa semana aconteceu a nona edição do Food Tech Movement 2020 - #FTM2020 - , e a Tecnoporto estava lá. O evento que reúne empresas e empreendedores de um ramo que tem a ver com toda a humanidade, a comida, deixou claro nas discussões que o futuro da alimentação passa pela tecnologia que vem desde o campo, presente em uma fala da Bayer, especializada em tecnologia para o setor, passando pela venda, com organizações que vendem alimentos como a GPA (Grupo Pão de Açúcar) e o Carrefour, e também com outras que foram alavancadas com a pandemia, como as de entrega de comida em casa. Justamente nesse setor aconteceu uma das palestras mais concorridas que teve à frente o CFO da ifood, Diego Barreto. 

Fome mapeada 
Na fala de Diego o destaque foi para um dos diferenciais dessa foodtech, o uso de tecnologia em tratamento de dados (data). Segundo Diego, hoje a plataforma sabe o que precisa ser entregue, como e em que períodos, para cada tipo de consumidor. Essa capacidade de prever comportamentos, como ele próprio mostrou, alavancou a Ifood que em três anos passou de cerca de 300 cidades atendidas para mais de 1100, levando o número de opções disponíveis na plataforma para algo pelo menos 5 vezes maior que há três anos, chegando à marca de 200 mil restaurantes acessíveis a um brasileiro que usa a plataforma com mais frequência a cada dia e que há muito deixou de clicar no aplicativo, apenas para pedir apenas hambúrgueres, usando a ferramenta para todo o tipo de cardápio. São cerca de 39 milhões de pedidos por mês o que levou o Ifood a ser a terceira maior empresa do mundo em número de transações em um único país, passando inclusive corporações chinesas e norte-americanas.  

Idata? 
Perguntado se essa quantidade de dados não seria, em breve, tratada como mais um negócio pela empresa o executivo negou, mesmo afirmando que hoje possui mais de 700 pessoas dentro da estrutura da companhia trabalhando só com tecnologia, e outras 400 focadas apenas em inteligência artificial e também citando que já está ativo um braço de negócios chamado Ifood empresas, com cerca de mil clientes de porte relevante em menos de um ano, que são, diria, assessorados para entender melhor o comportamento do mercado e dos consumidores e, com isso, aproveitar oportunidades que antes passavam despercebidas. Pode até ser que o ifood realmente não venda dados, até porque sozinhos eles de nada valem, mas a análise deles traduzida em comportamento humano em relação a uma coisa inerente a cada um de nós, a alimentação, sem dúvida pode se tornar, em breve, um dos maiores ativos da companhia, se é que já não é.  

Empreendedorismo alimentar 
Em um outro momento do #FTM2020 o italiano radicado na Inglaterra Alessio Dantino, CEO e fundador da Foward Fooding, empresa que oferece uma plataforma colaborativa para a indústria de comida e bebida, deixou claro como, mais uma vez, o Brasil está ficando para trás, infelizmente, por pensar de forma atrasada, apenas com a velha máxima de “celeiro do mundo”. Alessio mostrou que hoje no planeta existem três ecossistemas de inovação no ramo da alimentação e o Brasil, grande produtor mundial, não é um deles. No Reino Unido, nos Estados Unidos e em Israel estão 960 das chamadas “Agri Food Tech Startups” recebendo 30% do financiamento mundial para startups. Perguntado sobre como foi possível, especificamente no Reino Unido, onde atua com sua empresa, haver o crescimento desse ambiente colaborativo e sua análise em relação ao caso brasileiro, Alessio foi direto. Não conhece o mercado brasileiro, mas vê aqui uma grande oportunidade para startups focadas em desenvolver um novo ambiente alimentar, e citou que para isso é preciso deixar de lado abordagens que já começam a se tornar antiquadas. 

Contaminação 
A forma de incentivar o empreendedorismo que Alessio citou como uma que já está caducando é a que usa o conceito de empresas aceleradoras. Para ele, o ambiente inovador não comporta mais empresas que apenas colocam dinheiro em projetos que podem dar certo. O formato agora é outro, o chamado “equity-free”, onde para “acelerar” as empresas não precisam “tirar” parte do negócio de quem criou. O modelo é de colaboração, onde o ganho das aceleradoras vem da rede de relacionamento com outras empresas, do fomento de um mercado e, a longo prazo, aí sim as chamadas aquisições de negócios mais maduros, nos quais efetivamente participaram no crescimento com apoio muito além do simplesmente econômico. Para deixar claro como acha que deve ser o ambiente de inovação vencedor, Alessio resumiu seu pensamento dizendo que o foco deve estarem construir comunidades cheias de diversidade, com pessoas de idades, crenças, etnias, classes sociais, etc, misturadas. Essa reunião de humanos, destaca, é capaz de criar o que ele chama da maior forma possível de inovação. A contaminação. Um processo que faz com que a coexistência de tantas visões de mundo deixe os criadores de soluções tecnológicas mais excitados e motivados a resolver, no caso dele, grandes desafios para o ramo de alimentação. Alessio fechou sua fala dizendo que a colaboração é a nova e maior vantagem competitiva, pensamento que não deve ser aplicado apenas ao ramos ramo de alimentação e sim em todos os outros, quando o assunto for inovação. 

Visita virtual ao metrô 
A CCR Metrô Bahia criou a versão digital do seu programa de visitas, o chamado “Embarque”. Nele, estudantes e instituições interessados em conhecer o metrô baiano participam de encontros online onde são apresentados os bastidores do metrô como o Centro de Controle Operacional (CCO) e a manutenção. A visita técnica virtual tem duração de 2 horas e acontece às terças, quintas e sextas-feiras, das 9 às 14 h, por meio de transmissão ao vivo em uma plataforma digital. Os participantes, em turmas entre 20 e 60 alunos, recebem um certificado ao final do passeio. A agenda para marcação de visitas técnicas virtuais está aberta à comunidade acadêmica pelo site www.ccrmetrobahia.com.br ou pela Ouvidoria através do telefone 0800 071 8020. As visitas devem ser programadas com antecedência mínima de 10 dias.  

Liquidação online 
De hoje (30/07) até domingo (02/08) o Salvador Shopping Online, plataforma de vendas do empreendimento, disponibiliza produtos, de diversos segmentos, com até 60% de desconto, só pela ferramenta digital. Ao todo, serão quase mil itens disponíveis para acesso pelo site (www.salvadorshoppingonline.com.br), tudo com frete grátis. Será possível, inclusive, fazer como na maioria dos sites de compras, reunindo os itens de diversas lojas em uma só sacola virtual e em um pagamento único. Vale a pena dar uma conferida. 

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