Traficante tenta subornar polícia para não ser preso, briga e torce dedo de PM

salvador
08.11.2018, 08:52:00
Atualizado: 08.11.2018, 20:41:06
(Foto: Divulgação/SSP-BA)

Traficante tenta subornar polícia para não ser preso, briga e torce dedo de PM

Ele é apontado como responsável pela distribuição de drogas em Brotas

Apontado pela Polícia como o atual responsável pela distribuição de drogas em Brotas, Robson Costa Uzeda Silva, 35 anos, conhecido como Robinho, foi preso na noite de quarta-feira (7) em Salvador. Ele havia sido preso em junho do ano passado e estava acostumado com uma vida de luxo, bancada pela venda de drogas na localidade do Brongo, próximo à Avenida Bonocô.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Robinho, que tem registros policiais por homicídio e tráfico de drogas, tentou subornar policiais militares com R$ 5 mil e acabou preso em flagrante. Ele é suspeito, segundo a polícia, de envolvimento em pelo menos 40 homicídios.

O caso aconteceu na Avenida Dom João VI, próximo da localidade conhecida como Daniel Lisboa. Robson passava dirigindo um carro Hyundai Sonata, com os vidros todos escuros, quando equipes da 26ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Brotas) fizeram a aproximação.

Ele não obedeceu a ordem de parada e tentou fugir pela Avenida Bonocô.

Dinheiro foi apreendido com Robson
Foto: Divulgação/SSP-BA

A SSP-BA informou que Robson entrou em luta corporal com os PMs depois que os militares se recusaram a aceitar o dinheiro do suborno.

"Os PMs conseguiram interceptá-lo e durante abordagem foram surpreendidos com a oferta de R$ 5 mil para que liberassem a averiguação. Quando percebeu que a tentativa não deu certo, Robson entrou em luta corporal para não ser preso, chegando a torcer o dedo de um dos militares", afirmou a pasta, em nota.

Ainda conforme a SSP-BA, embora o carro conduzido por Robson não tenha restrição de roubo, a Polícia Civil investiga se o dinheiro encontrado com Robinho é fruto do comércio de drogas na região de Brotas.

Ele foi apresentado no Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), na Pituba, onde foi autuado por corrupção ativa e resistência. Em seguida, foi levado para a Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), na Baixa do Fiscal. 

Vida de luxo
Robson estava acostumado com uma vida de luxo. Antes de ser preso em 2017, morava em uma casa alugada, em um condomínio de classe média alta em Villas do Atlântico, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Eram quatro suítes, com direito a piscina privativa. Na internet, é possível encontrar imóveis nos mesmos moldes do que Robson estava vivendo sendo vendidos no mesmo condomínio por R$ 1 milhão. Além disso, gosta de carros importados.

Na prisão do ano passado, dirigia uma Toyota Hillux – que não estava em seu nome, mas a polícia acredita que tenha sido comprada por ele. Na casa de luxo, ficava com a atual mulher e a filha mais nova. Além disso, revezava o imóvel com estadias em hotéis, tentando despistar a polícia.

Era uma vida diferente da de sua mãe, moradora do Brongo. De acordo com a delegada Maria Dail, numa casa muito simples. Foi lá, na casa da progenitora, na Rua Padre Daniel Lisboa, que Robson foi preso, em 1º de junho de 2017. Tinha ido visitá-la e, na saída, foi surpreendido pela polícia, que já o investigava.

Ao CORREIO, à época, Robson negou tudo. Disse mesmo que tinha três filhas: meninas de 9, 2 e 1 ano e seis meses. Nenhuma moraria com ele – todas com as respectivas mães. Ele, por sua vez, disse que morava com a mãe. Negou qualquer envolvimento com o tráfico, bem como com os homicídios aos quais é acusado pela polícia.

Preso na blitz
Em 2017, a polícia cumpriu um mandado de prisão referente a um duplo homicídio em 2013, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Mas, em julho de 2016, Robson chegou a ser preso durante uma blitz de rotina da PM na Avenida Bonocô.

Na ocasião, o carro Gol onde ele estava foi parado por policiais militares. Robson estava com um quilo de maconha, R$ 1,3 mil e cinco celulares. Foi, então, encaminhado à Central de Flagrantes. No entanto, em setembro, foi solto. “Fiz relatório para ele continuar porque ele era perigoso, mas ele saiu, mesmo com mandado de prisão em aberto. Foi uma falha”, lamentou a delegada.

O diretor-adjunto do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), Giovanni Nascimento, reforçou que Robson deveria continuar preso. “Ele é um indivíduo do tráfico de drogas, por isso é de muita nocividade, além de praticar homicídios e ser mandante de homicídios. Um indivíduo desses não tem condições de permanecer junto a sociedade porque a vida dele é junto ao crime”, pontuou, durante apresentação em 2017. 

Robson é acusado de matar, em 2013, José Henrique Santos Oliveira, Ramon Souza Santos e Alexandre Fernandes de Badaró da Silva, em Salvador. Também em 2013, a polícia afirma que ele assassinou Jeferson Nixon Sousa dos Santos, em Vera Cruz.

Traficante, durante apresentação em 2017: apontado como uma pessoa "fria e calculista" (Foto: Evandro Veiga/ ARQUIVO CORREIO)

De metralhadora
De acordo com investigadores da 6ª Delegacia, Robson matou vários ex-comparsas que tentaram se rebelar contra ele – entre os cerca de 40 homicídios do quais é suspeito. Quando, em 2014, houve um racha em seu bando – ligado à facção Caveira –, ele teria providenciado as mortes dos dissidentes. Foi o caso, em dezembro de 2014, um dia após o Natal, dois homens foram mortos dentro de um táxi no Engenho Velho de Brotas.

Segundo a polícia, a dupla era dissidente do grupo de Robson. Um dos mortos, Daniel Pinheiro Rabelo, 28 anos, inclusive, era filho de um policial militar da reserva. 

Robson também é acusado de atirar contra uma equipe da 3ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Cajazeiras), que faziam rondas em Cajazeiras, em novembro de 2015. “Ele reagiu a uma abordagem policial. Ele estava levando uma pessoa sequestrada no carro, amarrada, mas a polícia viu e foi atrás. Trocou tiros. Nisso, um soldado da levou um tiro na mão”, explicou a delegada Dail.

Segundo o diretor-adjunto do Depom, Robson agiu de forma truculenta. “Ele é muito violento mesmo. Atirou (contra a guarnição da PM) de metralhadora, que é uma arma de difícil acesso”, completou.

Durante a apresentação, Robson se defendeu das acusações. “Estou sendo acusado de uma coisa que não fiz. É calúnia”, afirmou.


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