Três pessoas são mortas e outras três ficam feridas em Pernambués 

salvador
23.02.2020, 12:14:00
Atualizado: 23.02.2020, 14:15:16

Três pessoas são mortas e outras três ficam feridas em Pernambués 

Segundo testemunhas, traficantes da Rua Horta invadiram a localidade da Santa Clara e dispararam aleatoriamente

A disputa pelo tráfico de drogas no bairro de Pernambués matou três pessoas e deixou outras três feridas na madrugada deste domingo (23), na Rua Thomás Gonzaga, em Pernambués. Entre as vítimas da tragédia está a vendedora ambulante Elaine da Silva Araújo, 33 anos, que voltava de um dos circuitos do Carnaval com o esposo, quando foi atingida com um tiro na nuca. 

Segundo os familiares da ambulante, os dois mortos são homens que tinham envolvimento com o tráfico de drogas no bairro - eles ainda não foram identificados. Testemunhas informaram que cerca de 15 homens armados invadiram a localidade da Santa Clara, próximo ao final de linha do bairro, vindos da Rua Horta. As duas localidades estão em guerra pelo tráfico de drogas no bairro.

Elaine voltava de circuito do Carnaval com o marido, onde trabalhava, quando foi baleada na porta de casa
(Foto: Reprodução)

As outras três pessoas baleadas foram atingidas aleatoriamente e, segundo testemunhas, não possuem ligação com o tráfico. O casal Aldileide de Jesus Brito, 31, e Alison da Silva Borges, 41, é vizinho de Elaine. Aldileide e Alison foram atingidos na barriga, braço e pé, respectivamente. O terceiro baleado é cunhado da ambulante. Mateus Santos de Andrade, 25, também foi atingido no braço e no pé. 

Em nota, a Polícia Militar informou que uma equipe da 1ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Pernambués) foi acionada por volta de 1h30 com informações de que seis pessoas tinham sido baleadas na Rua Escritor Edson Carneiro. "No local, os PMs encontraram os corpos de dois homens e uma mulher caídos ao solo, já sem vida, outras três vítimas foram socorridas para o Hospital Geral do Estado (HGE) por prepostos do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu)", informou a PM.

Depois de trabalhar
Ao lado dos familiares no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLRN), o esposo de Elaine, que proferiu não se identificar, conversou com o CORREIO e contou que voltava para casa depois de uma longa noite de trabalho no Carnaval com a esposa. Ele e Elaine vendiam cerveja durante a festa e tinham acabado de ir para casa descansar, quando cerca de 15 homens armados apareceram atirando. Elaine foi atingida no rosto com um tiro na porta de casa.

"Eu vou viver como, sem a minha mulher? O que vai ser da minha vida agora? Temos três filhos pequenos, por pouco eles não foram atingidos também. O meu mais velho viu tudo. Minha bonequinha, eles acabaram com o rosto da minha menina. Estávamos voltando do trabalho. Chamei ela para ir embora para não ficar na confusão de final de festa na rua", contou o rapaz, bastante abalado.  

Ele e a Elaine abriram um comércio de bebidas no bairro há pouco mais de um mês. Segundo ele, quando ouviram os tiros, acharam que se tratava de fogos de artifícios.

No local, moradores não quiseram falar sobre o crime
(Foto: Eduardo Dias/CORREIO)

"Eu estava fechando o caixa do que vendemos no Carnaval no nosso comércio, quando de repente apareceu esses caras atirando. Meu irmão tomou um tiro no braço e um no pé, uma vizinha baleada na barriga e outro vizinho também foi baleado. Eles chegaram atirando em todo mundo. O bairro está em guerra e estão fazendo isso com as pessoas", completou.

A ambulante deixa três filhos. Um de 15 anos, outro de 13 e o mais novo de 3. O filho mais velho deles presenciou o crime e, segundo a família, está em choque. Os familiares vão velar e enterrar o corpo de Elaine no Cemitério Quinta dos Lázaros, na Baixa de Quintas, com horário ainda a ser definido.

*Com supervisão de Amanda Palma

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