Trilhas: Luz e Sombra

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08.07.2017, 03:43:00

Trilhas: Luz e Sombra


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Dinamarca, Noruega e Suécia foram habitadas por vikings até a Idade Média. A Dinamarca é a nacionalidade de Kurt Westergaard, aquele cartunista que criou um dos doze desenhos sobre Maomé, mais precisamente o que Ele usa um turbante em formato de bomba. A Dinamarca é o país de Karen Christence, a baronesa de Blixen-Finecke, conhecida e admirada sob o pseudônimo de Isak Dinesen, autora de A Fazenda Africana (1937), inspiração do filme Entre Dois Amores (1985) e de Anedotas do Destino (1958), com o melhor conto gastronômico que eu já li, A Festa de Babette, filme em 1987, Oscar de filme estrangeiro em 1988, entre outras obras admiráveis que ainda não são filmes. O italiano Eugênio Barba que reside no Planeta Terra tem domicilio na Dinamarca.  

O Google dissuade os brasileiros a morarem na Dinamarca por causa do idioma, do clima, das relações sociais, da comida e da xenofobia. E os aconselha a residir lá pela honestidade, confiança, segurança, liberdade sexual, igualdade de gêneros, sistema de bem-estar social, conforto sem luxo, felicidade coletiva, sustentabilidade e hygge, um comportamento raro no Brasil, que é evitar conflitos desnecessários e desgastantes para viver bem.

O artista Christian Cravo é baiano, filho inquieto do artista Mario Cravo Neto (1947 a 2009) e de mãe dinamarquesa, com quem Christian morou na Dinamarca, criança, foi educado na adolescência e cumpriu serviço militar na juventude. Em 1997, estava em Salvador participando da Mostra de Fotografia Contemporânea Baiana - Ano III e em 1998 integrou o Arts Plastiques D’aujourd’hui com outros pintores, escultores e fotógrafos nas galerias J&J Dounguy, Vivendi, Modus, Debret, Magnan e Leonardo em Paris. Em 2000, fotografou os profetas que impediram o mundo acabar, que de acordo com as previsões acabaria em chamas em 31 de dezembro. 

Em 2001, estava fotografando no Haiti, o que resultou na exposição/livro Nos Jardins do Éden (2010), território do vudu e de terremotos de magnitude 7,0 na escala Richter, onde é forçoso ter muito mais fé para sobreviver do que no Brasil contemporâneo. Em 2015, fotografou Mariana e fez fotos com o poder de mostrar o que aconteceu lá no dia 5 de novembro de 2015. 

Christian Cravo é meticuloso quando escolhe o que fotografar e espetacular quando fotografa. 

Depois de morar nalgumas metrópoles do planeta, NY nos USA e SP no Brasil, inclusas, instalou-se na Província da Baía de Quirimurê para organizar a obra de seu pai no Instituto Mário Cravo Neto, e ficar perto do avô, o escultor Mário Cravo Filho, nosso Vulcano. Ontem, a Galeria Paulo Darzé mostrou a exposição Luz e Sombra com fotos de Christian na África, e livro da mostra. Se Isak Dinesen priorizou os humanos em seus livros de cenário africano, Christian fotografou outras espécies em Luz e Sombra, onças que lembram modelos inglesas, namoro de girafas, lindos leões despenteados e pássaros monárquicos. Zivé Giudice, que esteve com Christian em Arts Plastiques D’aujourd’hui, e que voltou à direção do MAM-BA por esses dias, estava na Paulo Darzé, ontem, sinalizando que artistas devem respeitar-se e proteger-se porque essa é a regra básica de sociedades evoluídas.

Vá à exposição e compre o livro.

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