Um charme de Vila

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19.08.2018, 15:00:00
Atualizado: 11.01.2019, 18:36:51
Visitar a Casa da Árvore, de Regi Amaral, é reviver a infância e ter um reencontro com referências que são um pouco de cada pessoa que chega ali (Fotos de Lucas Assis/divulgação)
Estúdio Correio -

Um charme de Vila

Entretenimento, arte e decoração afetiva esperam os visitantes do Casas Conceito em um espaço cool e cheio de surpresas

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Quem já passeou por pequenos e charmosos vilarejos como Praia do Forte ou Trancoso conhece o clima de aconchego e diversão que une natureza, música e gastronomia. Essa experiência de entretenimento ao ar livre é encontrada na Vila da mostra Casas Conceito 2018 todos os dias ao entardecer. Além de conhecer os cinco ambientes que compõem esse espaço do evento, realizado pelo grupo AV - com curadoria de Andrea Velame e do jornalista carioca radicado em São Paulo, Sérgio Zobaran -, quem chega ali ganha um respiro da correria do cotidiano e pode desfrutar de momentos agradáveis com segurança e perto do verde.

A Vila já virou um ponto de encontro entre amigos. Tem carrinhos de lanches rápidos como crepe, pizza, espetinho e outras delícias. Tem chopp artesanal. Tem banquinho de madeira embaixo das árvores para parar e sentir a brisa, enquanto se coloca o papo em dia. E tem até iluminação com gambiarras. 

Convivendo com todas essas opções de lazer, há na Vila cinco ambientes super charmosos que chamam a atenção pela criatividade, talento e esmero dos designers. Estão instalados lá o Studio de Jóias Ipê Rosa (Bianca Mota e Marta Azevedo), o Gazebo da Aroeira (Camila Maia), o Refúgio do Artista Eucalípto (Horácio Urpia e Márcio Tanajura), o Bangalô Sumaúma (Iamma Smarcevski), além da Casa da Árvore (Regi Amaral). Com exceção da Casa da Árvore, que tem 80m2, os demais projetos foram desenvolvidos em contêiner com 15m2 e o resultado é incrível. Quem olha não se dá conta de que a estrutura é metálica, pois toda a ambientação transporta o visitante, de fato, para aquele universo ali traduzido.


Por dentro dos ambientes

STUDIO DE JOIAS IPÊ ROSA (Bianca Mota e Marta Azevedo)

Uma exaltação e celebração à pluralidade da figura feminina, com sua força e delicadeza, com sua capacidade de ser o que desejar e desempenhar bem diferentes facetas. É com esse conceito que nos deparamos ao entramos no Studio de Joias Ipê Rosa. Para representar tudo isso, as profissionais fizeram uma relação com uma jóia e trazem, na fachada de vidro Habitat, a representação de um diamante. A homenageada é a designer de joias Caroline Brasileiro, autodidata e dona da Serrara joalheria, mas, na verdade, toda mulher que entra ali se sente também contemplada.

Por falar em referências, tanto Bianca quanto Marta buscou inspiração também em suas raízes familiares para levar história para dentro do ambiente. Bianca levou a lembrança da avó através de um belo lustre; já Marta queria muito imprimir ali o cheiro da mãe, como não foi possível, optou pela figura de Nossa Senhora em um quadro para reverenciar a devoção da mãe. “Foi interessante que nós duas honramos nossas raízes com figuras femininas e isso não foi combinado”, comenta Marta.  

O tamanho do espaço disponível para montar uma estrutura completa de sala de estar conjugada com área de trabalho foi um desafio, o que exigiu criatividade e escolhas assertivas. Porém, a sensibilidade e a experiência de uma arquiteta e uma designer de interiores não só deram conta do recado, como possibilitaram uma inspiração “que pode ser levada tanto para uma casa quanto para um apartamento pequeno”, como ressalta Bianca. “Particularmente, o que mais me agradou foi a elegância. O espaço conseguiu conectar muito com o trabalho de Carolina, que apesar de delicado, tem uma potência única”, frisa Marta.

Elas transformaram o contêiner em uma verdadeira caixinha de jóias sustentável. A fachada em vidro reduz o consumo de energia e também o ruído. O teto e a parede ganharam a cor Bahia dos Golfinhos, um tom azulado cinza, que conferiu profundidade ao local. Já as laterais foram revestidas com painéis de madeira, deixando o ambiente confortável. No piso foi usado porcelanato de 1,20 x 1,20 polido, lembrando uma pedra Onix.

O mobiliário também é uma referência à mulher. Suas curvas, por exemplo, são lembradas com o sofá curvo em veludo negro; a elegância feminina está revelada na mesa de centro em acrílico, enquanto que a força e a rigidez da mulher são representadas pela poltrona em couro.


REFÚGIO DO ARTISTA EUCALÍPTO (Horário Urpia e Márcio Tanajura)

A principal proposta aqui foi unir obras de arte e alta decoração. O arquitero Horário Urpia conta que já desejava desenvolver um trabalho como esse, há muito tempo. “Eu queria fazer um ambiente que tivesse algo como uma galeria de arte ou um atelier onde o artista trabalha, onde utilizaria tanto as obras de arte quanto os elementos de alta decoração. Acabamos fazendo a segunda opção”.

Inicialmente não foi muito fácil realizar a ideia do zero no terreno virgem e acidentado, com um desnível de aproximadamente um metro. Foi preciso fazer um alinhamento para implantar ali o sonhado atelier. Feito isso, veio a parte mais criativa. Os materiais escolhidos para dar vida ao lugar foram madeira, metal, pedra, couro e vidro. Na verdade, a base de tudo foi a madeira de eucalipto utilizada na estrutura, o que permitiu que o projeto entrasse em harmonia com o entorno cercado pela natureza. A mesa e duas cadeiras que compõem a decoração também são da mesma matéria.

Os metais surgem nos móveis e nas esquadrias de vedação, que garantiram um toque requintado a esses elementos. O couro aparece em um sofá, uma cadeira e uma confortável poltrona. Já a vedação das fachadas são em vidro, o que trouxe leveza e ainda auxilia a manter o ar resfriado. O que mais agrada Horário é essa “mistura do simples (da estrutura) com o super sofisticado (moveis de altíssima decoração)”, como ele cita.

Para realçar as obras de arte, a dupla optou por usar nas paredes um tom de cinza bem escuro. Além de destacar os quadros, a cor trouxe maior sensação de aconchego. Para completar, um tapete com formas orgânicas foi introduzido ao ambiente, dando movimento e personalidade graças às cores marcantes.

Já o arquiteto Márcio Tanajura ressalta que o ambiente deveria ser aconchegante para o artista fugir da rotina. “Para se isolar um pouco seja para trabalhar mais tranquilamente, seja para ler um livro, para receber um amigo para conversar, tomar um café, um whisky... um espaço só dele! Nesse espaço, nós nos inspiramos num fotógrafo baiano super conceituado em todo o Brasil, Kiolo! Trouxemos para o nosso ambiente a atmosfera do mundo da fotografia e também um pouco da vida de Kiolo com seus gostos e objetos pessoais para produção, inclusive”, conta.

Segundo Márcio, não só os profissionais ficaram satisfeitos com o resultado, mas o próprio homenageado gostou muito. “O que mais nos agrada aqui é como todos os elementos se comunicam. E o fato do nosso homenageado ter adorado e se identificado com o resultado, nos deixou realizados. O resultado final foi acima do esperado! Ficamos muito felizes!”.


GAZEBO AROEIRA (Camila Maia)

 À arquiteta Camila Maia coube desenvolver o charmoso Gazebo Aroeira, um local confortável e com uma lateral transparente para promover a interação do ambiente com a vegetação externa.

A profissional criou o ambiente tendo em mente que a pessoa que o ocuparia é alguém que valoriza os reflexos da cidade e a arte local. Por isso, compõem a ambientação trabalhos de artistas baianos, como móveis, cerâmicas e pinturas.   

Das suas memórias afetivas, Camila trouxe para o projeto justamente a aproximação com a natureza, até mesmo por isso usou o vidro para garantir o diálogo entre o espaço interno e o verde de fora. “A vegetação foi muito presente no meu passado, morava numa chácara arborizada e jardins belíssimos”, conta.


BAGALÔ SUMAÚMA - SUÍTE DE HÓSPEDES (Iamma Smarcevski)

Criado para casais que gostam de se hospedar em ambientes modernos, aconchegantes, ricos em detalhes e cheios de personalidade, o espaço é assinado pela designer de interiores Iamma Smarcevski.

Entre os materiais utilizados estão as réguas de bambu na fachada (Fonseca), material altamente sustentável e o piso de granulite (Tecnogran), feito de resíduos de pó de mármore e granito, misturados com cimento. As paredes internas também merecem destaque, pois ganharam revestimento vinílico, à prova d´água (Vescom). Já os revestimentos do banheiro e da parte externa imitam o cimento, são porcelanatos.

Todo o projeto preza pelo ecológico, por isso foi criado um sistema de captação da água da chuva para um tanque, inserido na mata. Os vidros utilizados são transparentes, o que garante iluminação natural e a integração com a natureza, admirada até mesmo da cama, por exemplo. O paisagismo do espaço é de Sandra Silveira e o som ambiente é Automi. Entre as obras presentes no bangalô, estão peças de autoria de Rita Câmara, Luiz Varanda, Ricardo Senna, Mário Cravo Júnior, Josilton Tonm e Diego Rodrigues.  

“Nós fizemos um espaço retangular com volumetria, para que ele abraçasse mais o paisagismo e que interagisse mais com a mata existente. Com o recuo e a volumetria também fizemos um paisagismo mais harmônico e prazeroso de se ver”, explica Iamma.

Ver o ambiente finalizado e aberto à visitação tem dado muita alegria à criadora. “Ficou um ambiente gostoso e eu tenho certeza que ficou um ambiente que qualquer pessoa gostaria de estar se hospedando nesse bangalô, seja ele na casa de alguém, seja em um resort, uma pousada, tanto no campo quanto na praia. O projeto arquitetônico dele daria para encaixar em qualquer situação”. Já o interior tem decoração contemporânea, misturando mobiliário mais moderno a um toque de algo mais clássico, com itens garimpados em antiquários, que dão personalidade ao espaço. 


CASA DA ÁRVORE (Regi Amaral)

O arquiteto Regi Amaral não realizou apenas um projeto na mostra Casas Conceito, mas um sonho de menino. Visitar a Casa da Árvore é reviver a infância e ter um reencontro com referências que são dele, mas um pouco de cada pessoa que chega ali. Ao olhar de fora, toda a estrutura de madeira, a árvore saindo da casa, um pergolado que remete ao efeito de uma pedra jogada no rio e até uma gaiola pendurada na varanda já são elementos mágicos, que convidam para um passeio cheio de memórias e poesia.

“Ter uma casa na árvore era um sonho meu. Quando soube que o tema da mostra era Raízes, eu disse vou usar isso! Fui pontuando aqui as minhas referências pessoais. Eu quis dar um toque de que quando você é criança, tem a sensação de que tudo é grande. Por isso a casa é grande, o sofá é grande. Eu aumentei os traços da bancada da cozinha, mas ela está na escala. A mesma coisa fiz com o aparador. Justamente para a gente ter a sensação que está pequeno, que é criança. Essa foi a emoção que eu tentei imprimir”, conta o arquiteto, que assina projeto e decoração.

Ao entrar, logo na sala há dois grandes impactos visuais: o jogo de quadros sobrepostos na parede da sala, tendo como a grande estrela a árvore, com fotografias inéditas de Chico Diniz. Mais à frente, o fundo da cozinha americana em blocos coloridos simboliza o Cubo Mágico. No inicio da visita, quem chega recebe fones de ouvido e é surpreendido por um áudio de Regi, narrando a história da sua casa e seus registros afetivos. Um convite a um momento de conexão e reencontro com a própria criança interior. Cabe destacar que o ambiente é lúdico, e mesmo com os resgates da infância, não é infantil. Pessoas de todas as idades morariam ali!

Subindo as escadas de madeira, que fica do lado de fora, chegamos ao quarto. Quem quiser pode até deitar na cama, que parece flutuar... só para sentir o clima acolhedor e ter a experiência ainda mais próxima. Neste cômodo, estão: uma mesa feita em origami, os próprios pequenos origamis de papel, lápis coloridos e a famosa Tubaína, ao lado do copo com a figura do Frajola. Essa bebida refrescou a sede de muita gente.

O closet é minimalista, só com o essencial. E as paredes do banheiro são em tom ferrugem, recordando que na infância tudo vira matéria-prima para alguma coisa. Ah, a casa tem livros, chaleira em cima do fogão, sofá confortável de couro, tapete em formas geométricas e até uma adega. “Essa é a parte mais adulta da casa”, brinca o arquiteto. Televisão e computador? Não foram necessários nesta casa, porque seus habitantes nem teriam tempo para os eletrônicos, já que as brincadeiras, as histórias que aguçam a imaginação e a natureza lá fora já tomariam muito do seu dia, certamente!    

Serviço:
Casas Conceito 2018 - mostra de arquitetura e decoração
Endereço: Rua Estácio Gonzaga, 640, Horto Florestal
*Aberta à visitação de terça a domingo, das 16h às 20h. Até 16 de setembro. Além de conhecer os ambientes, o público pode aproveitar as delícias da área gourmet da Vila e curtir pockets shows do projeto Música Boa, sempre das 19h às 21h. Ingressos à venda no Sympla e nas bilheterias do local (R$ 30 + 1 kg de alimento não-perecível às terças, R$ 40 de quarta a domingo, R$ 100 o passe de 3 dias e R$ 200 o passe livre).

O Estúdio Correio produz conteúdo sob medida para marcas, em diferentes plataformas.

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