Vem vacina! Oxford pedirá autorização para uso emergencial no Brasil

coronavírus
23.11.2020, 15:28:19
Atualizado: 23.11.2020, 15:37:36

Vem vacina! Oxford pedirá autorização para uso emergencial no Brasil

Pesquisadores da universidade e do laboratório AstraZeneca devem entregar à Anvisa resultados de testes contra a covid-19, que teve 1,5 mil voluntários na Bahia

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Após a análise preliminar que comprovou até 90% de eficácia contra o coronavírus, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca – e que testa cerca de 1,5 mil voluntários na Bahia – submeterá os resultados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pedirá autorização para o uso emergencial do imunizante no Brasil. As informações são do jornal O Globo.

Essa é a quarta candidata a vacina em fase avançada de testes, no mundo, a apresentar resultados preliminares de eficácia, mas é a única delas que já tem acordo fechado com o governo federal para compra e distribuição no Brasil. 

Representantes de Oxford e da AstraZeneca devem ter uma reunião na tarde desta segunda-feira (23) com Ministério da Saúde, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Anvisa.

Janeiro
Caso seja aprovada pela Anvisa, a vacina deve chegar à população brasileira já em janeiro de 2021. Segundo a coordenadora nacional dos ensaios clínicos da vacina de Oxford, Sue Ann Costa Clemens, além da autorização do órgão federal é preciso que as 30 milhões de doses esperadas para janeiro cheguem ao país. 

A partir do ano que vem, com a transferência de tecnologia acordada entre Oxford/AstraZeneca e o governo brasileiro, a Fiocruz deve começar a produzir o imunizante.

Ainda segundo O Globo, também pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), parceira do estudo de Oxford, Costa Clemens diz que a dosagem a ser aplicada na população será a mesma que demonstrou a mais alta eficácia constatada nos estudos: meia dose na primeira aplicação, e uma dose inteira na segunda.

Isso, ressalta a cientista carioca, fará com que 30% a mais de doses sejam distribuídas à população, tornando a vacinação em massa mais barata. Segundo ela, o preço do imunizante de Oxford também é o mais baixo de todas as vacinas eficazes conhecidas até agora — US$ 3 dólares cada dose.

Além disso, a vacina ChAdOx1 nCoV-19 é uma versão enfraquecida de um vírus do resfriado comum (adenovírus), técnica já utilizada em outros imunizantes e que não requer refrigeração em freezers. Ela pode ser armazenada a temperaturas que vão de 2 a 8 graus Celsius, o que torna a logística de distribuição e armazenamento mais acessível.

“Em qualquer sistema de saúde no mundo você tem essas geladeiras. É uma notícia muito boa, porque se trata de uma vacina de fácil acesso”, afirmou Costa Clemens ao O Globo. 

“A outra coisa superimportante é que temos uma indicação precoce, já que os dados são preliminares, de que a vacina poderia reduzir a transmissão do vírus, não só protegendo contra a doença, mas impedindo a infecção. Aí você está ajudando realmente a parar a pandemia”, complementou.

A cientista, responsável pela vacinação de 10,3 mil voluntários brasileiros, afirma ainda que não houve casos graves nem de hospitalizações dentre as pessoas que tomaram o imunizante de Oxford. 

No mundo inteiro, já há mais de 30 mil voluntários envolvidos nos ensaios clínicos da ChAdOx1 nCoV-19. Além de Brasil e Reino Unido, participam das pesquisas Estados Unidos, África do Sul, Quênia, Japão, Índia e Rússia. 

Testes na Bahia
Até a segunda semana de agosto, a vacina de Oxford já havia testado mais de 700 baianos de um total de 1,5 mil voluntários no estado. Ao todo, 5 mil em todo o Brasil, parte deles recebendo doses do potencial imunizante para a covid-19 ou do placebo, que é a vacina da meningite.

Os voluntários na Bahia foram selecionados desde a abertura das inscrições para os soteropolitanos, no dia 11 de julho. Quem foi vacinado não sabe qual dose tomou. 

Os pesquisadores do Instituto D’Or, que coordena os estudos em Salvador, vão acompanhar os voluntários durante um ano, pelo menos, no Hospital São Rafael, que pertence ao grupo.

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