Vitória descumpre prazo legal para divulgar contas de 2020

e.c. vitória
07.05.2021, 05:36:00
Atualizado: 07.05.2021, 09:00:49
Paulo Carneiro, presidente do Vitória (Maurícia da Matta/EC Vitória)

Vitória descumpre prazo legal para divulgar contas de 2020

Pressão sobre Paulo Carneiro aumenta em meio a mais uma eliminação; Conselho Fiscal cobra documentos

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A segunda eliminação na temporada deixa a diretoria do Vitória pressionada de todos os lados. No mesmo dia da saída precoce do Campeonato Baiano, quarta-feira (5), o Conselho Fiscal do clube emitiu um comunicado descrevendo as dificuldades que está tendo para fiscalizar a gestão do presidente Paulo Carneiro. O documento, endereçado ao Conselho Deliberativo, adverte que as documentações solicitadas ainda não foram disponibilizadas, mesmo após o vencimento do prazo legal.

Conforme previsto pela lei federal 9.615/98 (Lei Pelé), os clubes brasileiros têm até o dia 30 de abril para publicar o balanço financeiro referente ao ano anterior, algo que o Vitória não fez. De acordo com o Artigo 46-A, o descumprimento do prazo torna os dirigentes passíveis de serem afastados ou de terem os atos anulados, entre outras penalidades. Procurado pelo CORREIO, Paulo Carneiro não quis comentar o assunto.

Na terça-feira, dia 4, o Conselho Deliberativo do Vitória convocou reunião para o dia 15 com o objetivo de julgar as contas de 2020. Pelo estatuto do clube, o Conselho Fiscal tem que entregar parecer 10 dias antes da assembleia, ou seja, seria na quarta, dia 5. Porém, como os documentos necessários não foram enviados, ficou inviável que o órgão cumprisse o prazo.

Os conselheiros fiscais cobram da diretoria o orçamento, com comparativo de previsto x realizado; o relatório da diretoria; o relatório de auditoria independente; e o balancete final, entre outros documentos solicitados.

“Eu entendo que toda gestão tem que ser transparente. Não há necessidade de ter dificuldade em ter acesso a nenhuma documentação. O Vitória é muito fragilizado em termos de ter a clareza. Os contratos do Vitória são pulverizados no clube inteiro, você não tem tudo centralizado”, reclama o presidente do Conselho Fiscal, Jailson Reis.

"Com a pandemia, esse ano foi atípico, mas não quer dizer que você não tem que ter as coisas organizadas, claras. O estado de calamidade que as pessoas estão se apegando para não entregar documentação não existe. Não é assim que funciona um clube centenário como o Vitória, com uma falta de organização imensa", continua. 

"Chegou um momento que você perguntava uma coisa, ninguém entendia. Os contratos ninguém sabia. Informação ninguém dava. Então eu fui documentando para o Conselho Deliberativo as dificuldades. É um desgaste imenso para você conseguir alguma coisa. A reunião vai acontecer, pois ela é estatutária, é obrigatória, mas não há condição nenhuma de apreciar as contas no dia 15, não vai acontecer", conclui Jailson Reis.

Com 1.474 votos, o equivalente a 67,86% dos 2.202 votos válidos, Paulo Carneiro foi eleito presidente do Vitória em 24 de abril de 2019 e tem mandato até o fim de 2022. A data marcou o retorno dele ao cargo que ocupou de 1991 a 2005, quando renunciou após o rebaixamento à Série C do Brasileiro.

Com dois anos recém-completados na presidência, Carneiro ainda não alcançou o principal objetivo de reconduzir o Vitória à primeira divisão nacional. Aliás, o time lutou contra o rebaixamento até a penúltima rodada nas duas edições da Série B com ele no comando, em 2019 e 2020. Também não comemorou nenhum título e foi eliminado na fase classificatória nas duas edições do Campeonato Baiano.

As frustrações em campo e as declarações polêmicas compartilhadas frequentemente através de aplicativo de celular também enfraqueceram o presidente politicamente. Eleito com amparo maciço de lideranças políticas do clube, ele já perdeu algumas delas, a exemplo do ex-vice-presidente Manoel Matos, que retirou o apoio prestado ao dirigente, através de uma carta publicada em 3 de fevereiro. No documento, não economizou críticas a Paulo Carneiro. 

O anúncio de Manoel Matos ocorreu no mesmo dia em que o atual vice-presidente, Luiz Henrique Viana, pediu afastamento do cargo por 90 dias. Ele voltou a exercer a função na semana passada. 

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