Vitória e Bahia juntos em: A Queda

paulo leandro
01.09.2021, 05:05:00

Vitória e Bahia juntos em: A Queda

Qual time está mais próximo da condição humana, aq uele de boa campanha rumo ao título e ao acesso a competições internacionais, o trôpego a escorar-se de empate em empate ou o generoso ao extremo de ser Campeão Brasileiro Vazado 2021, em rota de rebaixamento? 

O primeiro grupo, dos times porretas, pode gerar o efeito dos prazeres, necessariamente provisórios, pois não há glória definitiva se a morte trila o apito final e no Hades não há estrelinhas bordadas sobre o distintivo da caveira de ninguém.  

As vitórias teriam efeito de merthiolate a criar cascão nas feridas de derrotas anteriores, alegrando os torcedores, mascarados ou não, tementes à covid-19 ou não. Funcionariam as conquistas como fortificantes, mas são remédios paliativos, não curam da vida.  

As derrotas, a baixa pontuação e a incômoda posição na tabela reduzem a imunidade da pessoa, resultando na quarta dose para novos grupos prioritários: torcedores de times caidinhos.  

Rodada após rodada, a corda bamba aproxima do despenhadeiro cotidiano, evidenciado na própria degradação natural, nas ameaças externas e no necessário convívio com outros torcedores  condenados, esta a pior lástima, por precisarmos do outro para existir!  

Ao final de cada dia, se olharmos nosso retrovisor existencial, lá estarão crateras da estrada: conquistamos, no máximo, um empate sem gols, suficiente para manter a carcaça corpórea nas 24 horas seguintes deste “Campeonato do Ser”.  

Somos implacáveis nas críticas, quando nossos times insistem nas péssimas campanhas, porque neles nos projetamos: a reação irritadiça vem da raiva de não sermos enganados por eles, pois a ideia consiste deste esforço em nos distrair a fim de não ver a vida como ela é.  

Ninguém sai daqui campeão! Quem teve a desdita de nascer, precisa agora imitar Atlas, carregando o mundo; ou Sísifo, rolando a rocha diariamente ao alto da montanha para deixá-la cair e começar tudo novamente na rodada seguinte, a cada aurora!

O ser do torcedor é composto por seu time, tendo no entorno uma série de fenômenos e ocorrências de menor relevo: 570 mil mortos por covid-19, bujão de gás a 100 ‘conto’, gasolina de 7 o litrão, devastação ambiental da Terra e institucional de um país humilhado.  

Em caso de três pontos, no próximo compromisso, toda esta suposta realidade desaparece, passam a valer os milhões de imunizados, recupera-se a fé na volta de Jesus e dá até para confiar em síndicos bem orientados por suas administradoras de confiança.  

Estes jogos de volta das ‘céreis’ B e A são a oportunidade de praticar a virtude da coragem, considerando o coração um músculo involuntário, portanto, impedido de deliberar: em caso de uma greve súbita, vá buscar o desfibrilador!  

Vamos precisar evitar dispersão quando temos resultado a favor, mas não há como corrigir erros individuais sem treinarmos fundamentos no atual “fakeball” feito de “he-men”, quem tem a força, leva. Vejam Hulk, aos 35 anos, é o melhor!  

Pede moderação o contexto de viver fugindo da queda, enfrentando os times caidinhos seus próprios torcedores, indignados por não terem sido iludidos, pois a vida é evitar cair e nada mais... acessos, títulos, belas campanhas são para as bestas, os tolos, os fracos! 


Paulo Leandro é jornalista e professor doutor em Cultura e Sociedade.

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