Zumbi, Lampião e Gonzaga: uma viagem às terras destes personagens

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14.03.2019, 10:00:00
Serra da Barriga Abriga o Parque Nacional Quilombo dos Palmares, com réplicas de habitações onde os quilombolas viviam (Fotos: Nelson Maca/divulgação)

Zumbi, Lampião e Gonzaga: uma viagem às terras destes personagens

Conheça os segredos da Serra da Barriga (AL) e dos municípios de Serra Talhada e Exu (PE)

Terminei minhas últimas férias com muitas descobertas e uma questão que está martelando até hoje. Como eu nunca tinha visitado locais como a Serra da Barriga, em Alagoas? Ou as cidades de Serra Talhada e Exu, em Pernambuco?

As terras onde circularam Zumbi dos Palmares, Lampião e Luiz Gonzaga e tantos outros personagens referenciais de nossa história. Primeiro, porque são locais relativamente perto de Salvador e de fácil acesso. Depois, porque permitem um mergulho em um Nordeste profundo e resistente, que diz muito sobre nós mesmos.

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A viagem foi de carro, partindo de Salvador. Durou onze dias e incluiu outras paradas. Mas vou me deter a essas três, que já rendem muito assunto. Foi como visitar um velho parente.

Serra da Barriga/AL (a 73 km de Maceió) 
A Serra da Barriga, onde está o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, fica nos arredores da cidade de União dos Palmares. O acesso é tranquilo, gratuito e a estrada está sendo pavimentada. 

É possível visitar o local sozinho ou com guias - acertados na cidade ou lá mesmo. Vá com tempo para fruir as histórias e se permitir reviver esse capítulo tão importante e doloroso do nosso passado. Único memorial sobre a cultura negra do país, ele reproduz construções e um pouco do estilo de vida dos quilombolas, como a Muxima - onde os líderes de Palmares se reuniam - a casa de farinha e o jardim de ervas medicinais. Um dos locais mais emocionantes é a Lagoa Encantada, onde resiste  uma árvore sagrada ancestral (Irôco). O local era usado  como descanso pelos quilombolas.

(Foto: Ana Pereira)

Duas experiências que recomendo: almoçar no restaurante Baobá – Raízes e Tradições e visitar o povoado de Muquém, outro remanescente de quilombo. O restaurante fica na subida da Serra da Barriga e é comandado pela ialorixá Mãe Neide de Oxum, uma pesquisadora da culinária afro-indígena. Além de muitas sucos e doces de frutas da região, o cardápio inclui pratos como a feijoada de amendoim (que ela resgatou em suas pesquisas) e uma bebida fermentada chamada xequeté, à base de gengibre, canela, cravo, abacaxi e erva-doce. Informações e reservas pelo telefone 82 99670-6678.

Já fora do Parque Memorial, o povoado de Muquém reúne alguns dos principais artesãos da região, como Dona Irinéia, que tem obras espa- lhadas pelo Brasil. Você não vai resistir: sairá de lá com algumas peças.
 Mais informações no site serradabarriga.palmares.gov.br.

Serra Talhada/PE  (415 km de Recife)
A cidade é o ponto de partida da Rota do Cangaço, pois foi lá que nasceu Virgulino Ferreira, o Lampião (1898-1938). Localizada próxima à serra que lhe da nome, é uma das mais importantes cidades do Sertão do Pajeú, tem vários atrativos turísticos e é conhecida também por ser a terra do xaxado. 

Para quem está de passagem (como foi meu caso) e quer conhecer  um pouco no universo de Lampião e da própria região, a dica é visitar o Museu do Cangaço, que funciona de segunda a sábado e fica localizado às margens
da BR-232.

O museu refaz a trajetória de Lampião e seu bando (Foto: Nelson Maca/divulgação)

O espaço reúne fotos, documentos originais, utensílios, armas, processos, livros e filmes sobre o Cangaço. Ainda conta com local para apresentações artísticas e lojinha. Se você chegar entre 12h e 14h, quando o museu está fechado, vale almoçar na barraca de Jucelia, dentro da Estação do Forró, bem na frente do Museu. Comida caseira, deliciosa e barata. Se tiver no dia, peça o Baião de Dois. Tanto o Museu quanto a Estação fazem parte do complexo da antiga estação ferroviária do local. 

Parque Aza Branca – Exu/PE (630 km de Recife) 
Luiz Gonzaga (1912-1989) tratou de colocar Exu no mapa nacional. A cidade que fica na divisa entre Pernambuco e Ceará, onde ele nasceu, foi também escolhida pelo artista para passar os últimos sete anos de vida, já rico e famoso. 

Não por acaso, tudo gira em torno do Velho Lua, que estampa de carro de lixo a posto de gasolina. Só pelas músicas cheias de referências já valia a visita, mas o filho ilustre queria mesmo sua memória fosse reverenciada por lá, no Parque Aza Branca, idealizado por ele em vida.

Varanda do Rei do Baião (Foto: Nelson Gonçalves/Divulgação)

Com  3,7 mil hectares, o Parque  abriga o museu dedicado à obra de Gonzaga, com sanfonas, discos, roupas e muitas fotos; as casas que o músico construiu para ele e para o pai, Januário, passarem os últimos anos; e o mausoléu onde estão depositados os restos mortais dele, do pai, da esposa Helena e do filho Gonzaguinha. 

O Parque fica aberto de terça a domingo, das 13h às 17h, e a visita custa R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia). Além do acervo, entrar na casa onde Gonzagão morou e compartilhar um tantinho de sua intimidade é muito emocionante. Estão lá o velho rádio, o toca-discos, o oratório, o relógio de parede, a mesa com muitos lugares, os chapéus... 

E na saída você pode dar a sorte de encontrar o poeta e cordelista Falcão, 50 anos,  um versadeiro cronista da cidade de Exu. Autor de 13 cordéis e três  livros, Falcão narra em versos diferentes aspectos da história de Luiz Gonzaga e de outros perso- nagens da região.

Ele conta que lembra de Seu Luiz caminhando pela cidade. E também pôde vê-lo cantar na inauguração do posto Gonzagão (que pertencia à lenda) em 1987. “Ele era um artista do povo, andava por aí, pela feira, pelas praças”, recorda. Depois de bater um papo com Falcão, não deixe de comprar o kit com seis cordéis (R$ 30) que contam, por exemplo, a história de Praxedes, último vaqueiro de Gonzagão ou do antológico encontro entre ele e Patativa do Assaré. (1909-2002).

 

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