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BNDES e Ministério das Cidades viajam à China e Alemanha para negociar fábricas de ônibus elétricos

Bahia tem três cidades na lista oficial, enquanto Brasília e São Paulo lideram entregas e testes com modelos asiáticos

  • Foto do(a) author(a) Maiara Baloni
  • Maiara Baloni

Publicado em 21 de maio de 2026 às 17:01

Modelos elétricos articulados em operação urbana; governo federal tenta atrair plantas industriais da China e da Alemanha para baratear a transição da frota no Brasil.
Modelos elétricos articulados em operação urbana; governo federal tenta atrair plantas industriais da China e da Alemanha para baratear a transição da frota no Brasil. Crédito: Divulgação/BYD

Com um pacote de mais de R$ 2,5 bilhões em investimentos já autorizados para o transporte público no Brasil, representantes do BNDES e do Ministério das Cidades viajam entre os dias 17 e 29 de maio para a China e Alemanha. Embora integrem a mesma agenda internacional, os órgãos têm focos distintos. Enquanto o banco público vai a Frankfurt e Pequim discutir linhas de financiamento e crédito para trazer montadoras ao país, o ministério cumpre uma agenda técnica focada em engenharia e operação de frotas. O objetivo é utilizar o volume de encomendas do Novo PAC como atrativo para abrir novas fábricas no mercado nacional.

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A agenda coincide com o início dos repasses do Novo PAC Mobilidade, coordenado pela Casa Civil. O plano do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é condicionar a liberação dessa verba à instalação das indústrias em território brasileiro, vinculando a substituição da frota ao desenvolvimento industrial.

Recursos liberados chegam aos municípios

Até agora, as verbas estão concentradas na renovação de frotas e em obras viárias. Fora do eixo do Sudeste, municípios de médio porte como Campina Grande (PB), Imperatriz (MA) e Nossa Senhora do Socorro (SE) tiveram projetos de infraestrutura aprovados pelo Ministério das Cidades.

Na Bahia, Ilhéus, Porto Seguro e Jequié entraram na lista oficial de selecionados. Os gestores baianos esbarram na falta de fornecedores nacionais com capacidade de entrega imediata. Para tentar contornar o gargalo, a missão brasileira agendou visitas em Shenzhen, na China, cidade-sede da BYD, para checar o funcionamento das linhas de montagem.

Adaptação das garagens esbarra em infraestrutura

A compra dos veículos mexe na estrutura urbana. As administrações locais precisam instalar redes de recarga pesada e novas subestações de energia dentro das garagens dos ônibus.

O ritmo de implantação na Bahia agora depende dos critérios da Caixa Econômica Federal e do BNDES. As instituições financeiras exigem a entrega de licenças ambientais e projetos de engenharia elétrica para autorizar a assinatura dos contratos e liberar o dinheiro.

A realidade da substituição da frota avança de forma diferente nos grandes centros urbanos. Cidades de São Paulo garantiram R$ 75 milhões exclusivos dentro do PAC para a compra de 20 modelos elétricos, operando dentro do modelo de subsídio e financiamento federal.

Já em Brasília, o processo de transição ocorre por meio de negociação direta com o mercado asiático. A capital federal recebeu 45 novos ônibus elétricos fabricados pela chinesa CRRC (China Railway Rolling Stock Corporation) . O desembarque desses veículos coloca o Distrito Federal em um estágio avançado de testes operacionais de recarga e autonomia, servindo de termômetro para o modelo de negócios que o governo federal tenta replicar no restante do país.

Tags:

Brasil Ônibus Mobilidade