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Matheus Marques
Publicado em 13 de maio de 2026 às 18:52
A estratégia arrecadatória do Governo Federal cedeu espaço à conveniência política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou, nesta terça-feira (12), o fim da "taxa das blusinhas", o imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 que se tornou um símbolo de desgaste para o Planalto desde sua implementação em 2024. >
A revogação ocorre no momento em que o governo tenta recuperar terreno junto à opinião pública, ignorando um desempenho fiscal que superou as expectativas do próprio Ministério da Fazenda.>
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A leitura interna no Palácio do Planalto é de que o custo político da taxação tornou-se insustentável. Pesquisas de monitoramento indicavam que a rejeição à medida batia a marca de 70%, transformando o imposto em munição para a oposição. >
Diante desse cenário, a cúpula governista optou pelo recuo estratégico, visando converter o alívio no bolso do consumidor em capital eleitoral para o próximo pleito.>
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que a pauta já estava no radar do governo para evitar que a oposição assumisse o protagonismo da revogação no Congresso Nacional. Durigan defendeu que o debate precisa ser "racional", mas confessou a pressão política.>
"Hoje a oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que se reveja a taxa. Não tenho tabu em relação aos temas, desde que preservemos os avanços. O programa Remessa Conforme é algo de que eu não abro mão", declarou o ministro.>
O movimento, contudo, ignora o sucesso numérico da taxa. Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a tributação dessas mercadorias injetou R$ 1,78 bilhão nos cofres públicos. O montante representa uma alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025, evidenciando que, embora impopular, a medida era altamente rentável para o ajuste fiscal.>
Se o clima é de comemoração entre consumidores de plataformas estrangeiras, o varejo nacional recebeu a notícia com indignação. Entidades do setor afirmam que a decisão foi tomada de forma súbita, deixando o mercado doméstico desprotegido. >
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, e Rogério Ceron, secretário-executivo da Fazenda, alertam que os reflexos desse "choque" na competitividade serão sentidos já nos próximos dias.>
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) foi incisiva ao classificar o fim do imposto como um "ataque direto" à sobrevivência das empresas locais. >
Em nota, a entidade criticou a manutenção de "privilégios artificiais" para gigantes internacionais enquanto o empresário brasileiro lida com uma carga tributária sufocante e juros elevados.>
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação, focando na vulnerabilidade dos pequenos e médios negócios. Dados de um manifesto assinado por 53 entidades em abril reforçam o temor: sob a vigência da taxa, 12% dos compradores haviam migrado para o mercado nacional e 36% reduziram o volume de importações. >
Com a queda da barreira tributária, a tendência é uma nova fuga de capital para o exterior.>