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Carol Neves
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 10:32
A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos acumula prejuízos há vários trimestres, pressionada pela queda de receitas e pelo aumento das despesas. Relatório da Diretoria Econômico-Financeira (Diefi) aponta que o programa Remessa Conforme tornou mais evidentes as fragilidades da estatal. Após o programa, a empresa acumulou perdas bilionárias.>
O documento, assinado pela diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo, afirma que a empresa perdeu participação justamente no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 funcionava como uma espécie de “monopólio” dos Correios. “A redução da participação de mercado no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 representava uma espécie de ‘monopólio’ para os Correios, evidenciou a ausência de reposicionamento negocial da Empresa, diante das transformações do comportamento da sociedade”, diz o texto, divulgado pelo portal G1.>
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Impacto da Remessa Conforme>
Criado pelo Ministério da Fazenda em 2023, o programa passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras de até US$ 50 - medida apelidada de “taxa das blusinhas”. Além disso, permitiu que transportadoras privadas façam a entrega de mercadorias importadas no país, serviço antes concentrado nos Correios.>
Segundo levantamento interno, a estatal deixou de arrecadar R$ 2,2 bilhões após a implementação do programa. No terceiro trimestre de 2025, a receita total foi de R$ 12,3 bilhões, queda de 12,7% (R$ 1,8 bilhão) em relação aos R$ 14,1 bilhões registrados um ano antes.>
Nas postagens internacionais, o recuo foi ainda maior: a receita caiu de R$ 3,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2024 para R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2025 - redução de quase R$ 2 bilhões.>
Queda no volume e efeito nas contas>
O número de encomendas internacionais também despencou. Foram 149 milhões de objetos transportados até setembro de 2024, contra 41 milhões no mesmo intervalo do ano seguinte - queda de quase 110 milhões.>
As encomendas do exterior, que já responderam por quase 25% do faturamento da empresa, hoje representam 8,8%. Em julho de 2024, os Correios transportaram 21 milhões de pacotes e arrecadaram R$ 449 milhões. Em setembro passado, foram 3 milhões de encomendas e R$ 87 milhões - o menor volume em 23 meses.>
A direção da estatal reconhece que a perda de receitas gerou um “ciclo vicioso de prejuízo”. “Formou-se, assim, um ciclo vicioso de perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”, afirmou a diretora.>
O relatório também aponta que as negociações com grandes clientes - responsáveis por mais de 50% da receita - ficaram mais sensíveis. “As negociações com grandes clientes - responsáveis por mais de 50% da receita de vendas - tornaram-se cada vez mais sensíveis, comprometendo acordos e frustrando expectativas de resultado”, completou. Com o fluxo de caixa pressionado, a empresa acumulava até setembro R$ 3,7 bilhões em obrigações não pagas.>