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Matheus Marques
Publicado em 17 de março de 2026 às 22:10
A estrutura de poder no Brasil foi desenhada para que nenhum cargo seja exercido de forma absoluta. No epicentro dessa discussão, a pergunta sobre como investigar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganha relevância técnica. O sistema opera em duas frentes distintas, a criminal, sob competência do próprio STF, e a política, comandada pelo Legislativo.
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Ordem que os ministros do STF vão se aposentar
Se um ministro é suspeito de um crime comum, o rito foge do padrão convencional. A investigação é conduzida pela Polícia Federal, com supervisão do Supremo e atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) como titular da ação penal. O julgamento final cabe ao Plenário do Supremo.
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Para a Dra. Jacqueline Valles, especialista em Direito Penal, a estrutura investigativa muda os personagens, mas mantém o rigor. "O inquérito é presidido por um delegado da PF, mas diligências que envolvem restrição de direitos precisam de autorização de um ministro do STF", explica. Ela reforça que a Polícia Federal atua com autonomia técnica, mas esbarra em limites constitucionais. Novos inquéritos só avançam se houver fatos novos que superem arquivamentos anteriores solicitados pela PGR.
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No campo político, o "freio" sobre o Supremo reside no Senado Federal. É lá que tramitam os pedidos de impeachment por crimes de responsabilidade. Recentemente, decisões do próprio STF tentaram estabelecer filtros para evitar que o protocolo de pedidos se tornasse uma ferramenta puramente política.
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Admissibilidade: o presidente do Senado exerce o juízo inicial de admissibilidade da denúncia, podendo indeferir pedidos ineptos ou sem fundamento.
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Comissão especial: se admitido, o caso é analisado por uma comissão especial de senadores, responsável por emitir parecer sobre a acusação.
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Votação final: a condenação exige o apoio de 54 senadores.
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Entre as condutas passíveis de punição está o exercício de atividade político-partidária, vedado a magistrados, além de situações de parcialidade que podem levar à suspeição. O sistema busca garantir que a investigação seja um instrumento de transparência e não um gatilho para a instabilidade institucional. Como pontua a Dra. Valles, a complexidade do rito serve como uma trava de segurança necessária para a democracia.
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