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Matheus Marques
Publicado em 1 de maio de 2026 às 05:05
O avanço quantitativo das mulheres no mercado de trabalho brasileiro ganhou contornos estatísticos essa semana. O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios revela um crescimento de 11% na ocupação feminina em comparação aos levantamentos anteriores. >
Contudo, o aumento no volume de contratações ainda não foi capaz de extinguir o abismo financeiro: a diferença média de rendimentos entre homens e mulheres permanece estagnada em 21,3%.>
Mulheres no mercado de trabalho
O levantamento destaca que a expansão de 11% no emprego feminino foi impulsionada por recortes específicos de inclusão. O maior destaque recai sobre as mulheres negras (pretas e pardas), cuja empregabilidade saltou 29%, saindo de 3,2 milhões para 4,2 milhões de ocupadas, uma inserção líquida de 1 milhão de trabalhadoras no sistema produtivo.>
A diversidade também avançou em outras frentes>
Mulheres indígenas: a taxa de contratação subiu de 8,2% (2023) para 11,2% (2025).>
Vítimas de violência: o índice passou de 5,5% para 10,5%. Atualmente, 7% dos estabelecimentos declaram possuir políticas específicas de contratação para este grupo.>
Os dados sugerem que a Lei de Igualdade Salarial (nº 14.611/2023) começou a alterar a cultura organizacional. Desde sua sanção, houve um incremento nas políticas de bem-estar e retenção de talentos femininos. A adoção de jornadas flexíveis cresceu de 40,6% para 53,9%, enquanto a oferta de auxílio-creche subiu de 22,9% para 38,4%.>
Outros indicadores de gestão também apresentaram evolução, como as Licenças estendidas (maternidade/paternidade) de 20% para 29,9%.>
Os planos de cargos e salários subiram de 55,5% para 66,8%. O estabelecimento de metas de produção também aumentou no período de 63,8% para 75,7%.>
A discrepância salarial apresenta variações drásticas conforme a geografia brasileira. Segundo o relatório, o Acre (91,9%) e o Piauí (92,1%) são os estados que mais se aproximam da paridade (onde 100% representa igualdade total). O Distrito Federal aparece logo em seguida com 91,2%.>
No extremo oposto, a desigualdade é mais acentuada em estados industrializados e do Sudeste. O Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) registram os piores desempenhos, com as mulheres recebendo, em média, pouco mais de 70% do salário dos homens.>
A ocupação feminina em 2026 desenha um novo mapa de serviços: elas já representam quase 18% da força de trabalho em alimentação e avançam em setores antes masculinizados, como vigilância e segurança (16,2%) e manutenção (13,6%).
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