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Emprego de mulheres negras salta 29%, mas Brasil ainda trava em 'abismo salarial' de 21% em 2026

Estudo aponta salto de 29% na ocupação de negras e indígenas no país; na Bahia, novos acordos de R$ 156 milhões buscam fortalecer a renda e o combate à fome

  • Foto do(a) author(a) Matheus Marques
  • Matheus Marques

Publicado em 1 de maio de 2026 às 05:05

A iniciativa Mude Com Elas, que fornece às empresas um passo a passo sobre como promover, de forma efetiva, a inclusão e a promoção das mulheres negras no ambiente de trabalho
A iniciativa Mude Com Elas, que fornece às empresas um passo a passo sobre como promover, de forma efetiva, a inclusão e a promoção das mulheres negras no ambiente de trabalho Crédito: Shutterstock

O avanço quantitativo das mulheres no mercado de trabalho brasileiro ganhou contornos estatísticos essa semana. O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios revela um crescimento de 11% na ocupação feminina em comparação aos levantamentos anteriores.

Contudo, o aumento no volume de contratações ainda não foi capaz de extinguir o abismo financeiro: a diferença média de rendimentos entre homens e mulheres permanece estagnada em 21,3%.

[Edicase]Em “A mulher na cabine 10”, Laura inicia uma investigação em um cruzeiro que coloca em risco sua vida (Imagem: Reprodução digital | Netflix) por Imagem: Reprodução digital | Netflix

O salto das mulheres negras e indígenas

O levantamento destaca que a expansão de 11% no emprego feminino foi impulsionada por recortes específicos de inclusão. O maior destaque recai sobre as mulheres negras (pretas e pardas), cuja empregabilidade saltou 29%, saindo de 3,2 milhões para 4,2 milhões de ocupadas, uma inserção líquida de 1 milhão de trabalhadoras no sistema produtivo.

A diversidade também avançou em outras frentes

Mulheres indígenas: a taxa de contratação subiu de 8,2% (2023) para 11,2% (2025).

Vítimas de violência: o índice passou de 5,5% para 10,5%. Atualmente, 7% dos estabelecimentos declaram possuir políticas específicas de contratação para este grupo.

O "efeito Lei 14.611": flexibilidade e benefícios em alta

Os dados sugerem que a Lei de Igualdade Salarial (nº 14.611/2023) começou a alterar a cultura organizacional. Desde sua sanção, houve um incremento nas políticas de bem-estar e retenção de talentos femininos. A adoção de jornadas flexíveis cresceu de 40,6% para 53,9%, enquanto a oferta de auxílio-creche subiu de 22,9% para 38,4%.

Outros indicadores de gestão também apresentaram evolução, como as Licenças estendidas (maternidade/paternidade) de 20% para 29,9%.

Os planos de cargos e salários subiram de 55,5% para 66,8%. O estabelecimento de metas de produção também aumentou no período de 63,8% para 75,7%.

Radiografia regional e onde a desigualdade é menor

A discrepância salarial apresenta variações drásticas conforme a geografia brasileira. Segundo o relatório, o Acre (91,9%) e o Piauí (92,1%) são os estados que mais se aproximam da paridade (onde 100% representa igualdade total). O Distrito Federal aparece logo em seguida com 91,2%.

No extremo oposto, a desigualdade é mais acentuada em estados industrializados e do Sudeste. O Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%) registram os piores desempenhos, com as mulheres recebendo, em média, pouco mais de 70% do salário dos homens.

Setores que lideram as contratações

A ocupação feminina em 2026 desenha um novo mapa de serviços: elas já representam quase 18% da força de trabalho em alimentação e avançam em setores antes masculinizados, como vigilância e segurança (16,2%) e manutenção (13,6%).

Tags:

Mulheres Mercado de Trabalho Direitos Politica